Primeiro disco independente de Priscilla reafirma artista como cantora pop sem amarras comerciais
"ECO" inaugura fase independente de Priscilla, que assume controle da carreira e busca uma relação mais direta com a música
Publicado: 18/08/2026 às 06:00
Priscilla inicia uma nova fase da carreira com o lançamento de "ECO" (Foto: Mateus Aguiar)
A vida é feita de ciclos e Priscilla tem usado os seus para experimentar diferentes possibilidades dentro da própria carreira. Depois de trocar a música gospel pelo pop com “Você Aprendeu a Amar?”, em 2021, e da retirada do sobrenome Alcântara do nome artístico, em 2023, a cantora agora inicia mais uma etapa com “ECO”, seu novo álbum de estúdio, já disponível nas plataformas digitais.
O projeto marca sua estreia como artista independente, após o fim da parceria com a Sony Music Brasil, e permite que ela esteja mais envolvida nas decisões do processo artístico. Com mais autonomia, Priscilla aposta em uma sonoridade na qual sua voz ocupa o protagonismo e possa, de fato, ecoar pelo Brasil.]
A independência de Priscilla já se revela na maneira como “ECO” começou a ser construído. Sem partir de uma demanda ou de um planejamento definido por uma gravadora, a cantora entrou em estúdio com Laudz, produtor e marido, para simplesmente experimentar.
O primeiro encontro resultou em “Não Testa” e, a partir dali, as outras nove faixas foram surgindo até formar um disco alinhado aos seus desejos. “Foi muito gostoso poder lançar algo em que eu realmente acredito, que veio do coração e carrega toda a minha dedicação, sem nascer da necessidade de buscar aprovação ou corresponder a expectativas que não são as minhas”, diz a cantora em entrevista ao Diario.
Há algo deliberadamente simples na proposta de “ECO”: deixar Priscilla cantar. Apesar de parecer óbvia, a escolha vai na contramão de um pop cada vez mais dependente do autotune e de melodias pensadas para viralizar no TikTok. “Foi uma materialização muito natural da minha arte”, argumenta a artista. Com exceção do interlúdio “Esse É o Meu Eco”, a sonoridade passeia pelo R&B e por baladas de andamento mais lento, deixando Priscilla conduzir as melodias e revelar diferentes nuances da sua voz.
Em certa medida, “ECO” pode ser melhor compreendido se for colocado ao lado de “Priscilla” (2023). O disco anterior transitava por diversas sonoridades, da bossa nova ao pop, e chegou a explorar caminhos que não correspondem aos gostos pessoais da cantora.
Ainda assim, Priscilla considera aquela experiência fundamental para sua trajetória e para o contraste que buscava construir dentro da própria discografia. “Dessa forma, eu tenho certeza de que nada de ‘ECO’ será perdido aos olhos do público ou, melhor ainda, aos ouvidos. O contraste deixou cada detalhe do álbum ainda mais evidente”, explica.
Para Priscilla, o principal legado do novo trabalho é lembrar que ainda existem artistas profundamente apaixonados por fazer música. “Quando a música guia a arte, e não o contrário, isso pode ser realmente revolucionário”, ressalta.
“É um exercício que faço diariamente, porque o ego é cheio de pregar peças e criar armadilhas. Procuro sempre cultivar a gratidão pelo dom que recebi e entender que ele é muito maior do que eu. É uma bênção, realmente. Por isso, é tão importante para mim mostrar que a paixão pela música pode ser revolucionária”, afirma.
Aos 30 anos, completados há pouco mais de um mês, Priscilla reconhece em si a artista que sempre quis ser. Porém, não pretende se acomodar. “Quero seguir sendo uma artista apaixonada, mas também atenta a mim mesma, para não me perder no caminho, não me deixar levar pelo deslumbramento e continuar focada naquilo que realmente importa”, diz.
Nessa busca por continuar evoluindo, o carinho dos fãs – inclusive os pernambucanos — cumpre um papel importante. “Espero que, em breve, a gente consiga levar o show para Recife. Quando vou à cidade, sempre recebo uma onda de amor e volto muito abastecida. Só tenho a agradecer e espero que as pessoas se sintam encantadas com ‘ECO’”, conclui.
- Filme pernambucano ‘A Margem do Rio’ conquista prêmio especial do júri no Festival de Locarno
- Pluralidade musical de PE é tema de espetáculo da Orquestra Meninas e Meninos da Alegria no Recife
- Samba é instrumento de combate em 1º disco 100% autoral de Teresa Cristina: "Estou pronta para a guerra"
- Xuxa anuncia quarto show do 'Último Voo da Nave' em SP; saiba como comprar