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Animação produzida em Caruaru estreia em Xangai com narrativa que enaltece a cultura negra

‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’, longa animado produzido em Caruaru, terá sua estreia na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China

André Guerra

Publicado: 12/06/2026 às 08:00

Filme tem codireção da pernambucana Brenda Lígia, com direção artística de Everton Amorim  /Divulgação

Filme tem codireção da pernambucana Brenda Lígia, com direção artística de Everton Amorim (Divulgação)

Expandindo as fronteiras da criatividade e da geografia, o longa de animação “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” é mais uma representação do cinema pernambucano mundo afora. Dirigido pela recifense Brenda Lígia e por Edu Felistoque, o filme terá sua estreia mundial na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai, que começa nesta sexta-feira (12), na China, e a primeira exibição pública está marcada para a próxima segunda-feira (15).

A produção, feita pela SAGUI Studio e Refúgio Onírico, de Caruaru, é uma releitura fantástica do Brasil do século 19 e acompanha Amadeo, um jovem da Guiné-Bissau, na África, que inventa a fotografia antes dos europeus. O protagonista utiliza sua criação para ajudar pessoas escravizadas a conquistar a sua liberdade, em uma fabulação da história que convida o espectador a repensar símbolos e ressignificar conceitos.

“É um orgulho enorme compor um trabalho que foi integralmente realizado em um estúdio de Caruaru. Temos pessoas de vários lugares do Brasil, e profissionais extraordinários de diferentes estados, mas o DNA de ‘Amadeo’ é muito pernambucano, da concepção à execução”, enfatiza Brenda Lígia em entrevista ao Diario, que também integra o elenco de vozes, no papel de uma integrante da trupe de artistas itinerantes que acolhe Amadeo ao chegar ao Brasil. “Quando perguntarem, lá em Xangai, de onde o filme é, vamos enaltecer que ele é brasileiro, mas, acima de tudo, de Pernambuco”, completa.

Responsável pela direção de arte e de animação da obra, Everton Amorim destaca a importância da descentralização da produção desse formato. “Os filmes animados em longa-metragem são recentes no nosso estado. E é incrível poder representar o Brasil e Pernambuco em um lugar tão distante da nossa cultura”, ressalta o animador, . “Estamos lutando para trazer cada vez mais a animação para o Agreste e fazer crescer esse espaço”, conclui ele.

O roteiro começou a ser desenvolvido por Edu Felistoque há mais de 20 anos. Originalmente concebido como peça de teatro, a ideia migrou para um planejamento de longa-metragem live-action, mas, com o tempo, a equipe criativa percebeu que o formato de animação comportaria melhor essa jornada épica do personagem-título. De acordo com a produtora Maddu Cavalcante, o filme deve rodar por festivais no mundo e no Brasil até sua estreia comercial, planejada para o período da Consciência Negra.

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