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Produtora de ‘O Último Azul’, Rachel Daisy Ellis destaca coproduções brasileiras em Cannes

Radicada em Pernambuco, Rachel Daisy Ellis é uma das produtoras de 'Seis Meses no Prédio Rosa e Azul', coprodução entre Brasil e México que estreia nesta terça (19) na Semana da Crítica, mostra paralela do 79º Festival de Cannes

André Guerra - Enviado Especial

Publicado: 19/05/2026 às 05:00

Produtora está em Cannes e conversou com o Diario sobre a importância do Brasil marcar presença em coproduções internacionais estratégicas /Foto: André Guerra

Produtora está em Cannes e conversou com o Diario sobre a importância do Brasil marcar presença em coproduções internacionais estratégicas (Foto: André Guerra)

A presença do Brasil no 79º Festival de Cannes é silenciosa em relação às últimas duas edições do evento, mas não menos significativa. Após uma sequência histórica de sucessos nas grandes premiações internacionais, o momento parece voltado para consolidar parcerias, conexões e coproduções. Uma das profissionais centrais nesse processo é Rachel Daisy Ellis, que está na Riviera Francesa com o longa “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, dirigido pelo mexicano Bruno Santamaría Razo. A estreia está marcada para a tarde desta terça (19), na Semana da Crítica, mostra paralela do evento dedicada a cineastas em início de carreira.

Nascida no Reino Unido, mas radicada no Recife e pernambucana tanto de cidadania quanto de espírito, Rachel produziu filmes como “Ventos de Agosto”, “Divino Amor” e “O Último Azul”, dirigidos por Gabriel Mascaro. Em conversa exclusiva com o Diario, que está presente pelo segundo ano consecutivo na cobertura do Festival de Cannes, ela lembrou a visibilidade que o cinema brasileiro e pernambucano, em particular, ganharam nos últimos anos. “Quando a gente faz encontros com produtores que estão buscando lugares para filmar, técnicos de diversas áreas para contratar e ideias de roteiro para trocar, o Brasil e Pernambuco estão sempre no meio da discussão”, revela.

Rachel reafirma que o sucesso dos filmes “O Último Azul” e “O Agente Secreto” gerou uma enorme confiança nas produtoras em nosso trabalho. “Sabem que o nível que entregamos é de Cannes”, acrescenta. “As produtoras do nosso estado já estão todas trabalhando pensando nessas oportunidades de coprodução. É um momento bom para todas elas, especialmente por conta desse jeito tão colaborativo que nós temos de lidar com cinema e audiovisual, em que todo mundo está sempre se ajudando”.

Rachel veio morar no Recife em 2004 e não apenas acompanhou de perto as transformações no audiovisual pernambucano que culminaram neste momento tão prestigioso, como também fez parte delas. “Na época em que cheguei na cidade, todo esse processo de crescimento estava ainda no começo. Participei de todas as reuniões de fomento possíveis, estava muito ativa politicamente e, como venho de uma formação acadêmica voltada para políticas públicas, poder contribuir inclusive com a formação de público foi único para mim também”, relembrou a produtora.

 

PARCERIA LATINO-AMERICANA

“Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, que ainda não possui data de estreia confirmada no Brasil, marca mais uma parceria de Rachel Daisy Ellis com o cinema mexicano, após “Noche de Fuego”, de Tatiana Huezo, e o próprio “O Último Azul”, também coproduzido com o país latino. A produtora pernambucana, que já conhecia o trabalho de Bruno Santamaría Razo como diretor de fotografia, se uniu ao seu projeto de estreia na direção de longa-metragem ao perceber o potencial da história.

Baseado nas memórias do realizador, “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul” é ambientado na Cidade do México do início dos anos 1990, época em que Bruno começa a perceber sentimentos diferentes em relação ao seu amigo Vladimir. O diagnóstico de HIV do pai do protagonista abala as estruturas da família, que tenta reagir da melhor maneira possível à situação dolorosa.

O longa foi rodado em película 16mm, cuja imagem menos nítida reforça um aspecto fugidio das lembranças do cineasta. A montagem alternada, por outro lado, faz com que a câmera, sempre próxima aos personagens, fortaleça uma relação gradual com a plateia, que, quando percebe, já está completamente imersa naquela ambientação cheia de cores oníricas

Além da produtora recifense, Camille Reis também assina a produção. O ator Demick Lopes (destaque do elogiado “A Filha do Palhaço”) marca a presença brasileira no elenco. “Todos os países têm muito a ganhar com essas parcerias, especialmente aqui na América Latina. Temos muitas coisas em comum, mas também diferenças na forma de trabalhar. Essa fase agora é a melhor possível para fortalecermos essas relações”, exalta Rachel.

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