° / °
Viver
História do Brasil

Por que 21 de abril é feriado? Conheça história do Dia de Tiradentes

Data lembra a execução do símbolo da Inconfidência Mineira e da luta contra o domínio português

Diario de Pernambuco

Publicado: 20/04/2026 às 09:22

'Tiradentes Esquartejado', 1983/Pedro Américo/Museu Mariano Procópio

'Tiradentes Esquartejado', 1983 (Pedro Américo/Museu Mariano Procópio)

Celebrado em 21 de abril, o Dia de Tiradentes marca a morte de Joaquim José da Silva Xavier, um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira, movimento que contestou o domínio da Coroa portuguesa sobre o Brasil Colônia no fim do século XVIII. Enforcado em 1792, ele se tornou símbolo de resistência e, décadas depois, foi elevado à condição de herói nacional e defensor da República.

Justamente por isso, o dia 21 de abril entrou oficialmente no calendário brasileiro como feriado por meio de um decreto de 1890, no início do período republicano - uma medida consolidada pela Lei nº 10.607, de 2002. A escolha da data está diretamente ligada à execução de Tiradentes naquele dia, no Rio de Janeiro.

Conhecido pelo apelido que remete à sua atuação como dentista (na época, prático em odontologia), Joaquim José da Silva Xavier também era alferes, uma patente militar do Brasil Colônia. Ele participou ativamente da Inconfidência Mineira, movimento organizado entre 1788 e 1789 por um grupo que reunia, em sua maioria, integrantes da elite intelectual e econômica de Minas Gerais, como militares, poetas e profissionais liberais.

Apesar de não formar um bloco homogêneo, os inconfidentes compartilhavam ideias como liberdade e igualdade, ainda que de forma limitada, e defendiam a emancipação em relação à Coroa. O estopim para a articulação do movimento foi a pressão fiscal sobre a região, especialmente a cobrança compulsória de impostos sobre a produção de ouro, como a derrama.

Os planos, no entanto, foram frustrados após a delação de Joaquim Silvério dos Reis, que tinha dívidas com a Coroa. Os envolvidos foram presos, e Tiradentes acabou capturado no Rio de Janeiro. O processo judicial se arrastou até 1792, quando foram anunciadas as sentenças: a maioria dos envolvidos foi inicialmente condenada à morte, mas teve a pena comutada para o exílio forçado (degredo).

Ele foi enforcado em 21 de abril daquele ano. Após a execução, seu corpo foi esquartejado, e partes dele, incluindo a cabeça, foram expostas em diferentes pontos de Minas Gerais, incluindo Vila Rica (atual Ouro Preto), como forma de intimidação.

Mesmo após a Independência do Brasil, a data foi lembrada como o dia da morte de um rebelde durante muito tempo. Em parte porque sua execução havia sido autorizada por D. Maria I, rainha de Portugal à época.

Foi apenas com a Proclamação da República, em 1889, que a imagem de Tiradentes passou a ser resgatada como um mártir da liberdade e um precursor dos ideais republicanos. A construção desse simbolismo incluiu representações artísticas que o associavam a figuras de sacrifício, em especial à iconografia cristã.

Um dos exemplos mais conhecidos é a obra produzida em 1893 pelo pintor Pedro Américo. Intitulada ‘Tiradentes Esquartejado’, com mais de 2,5 metros de altura, a obra integra, hoje, o acervo do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, Minas Gerais.


Mais de Viver

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas