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Teatro Apolo ganha duas sessões da "Paixão de Cristo de Bonecos"

Espetáculo "Paixão de Cristo de Bonecos" protagonizado por títeres encena célebre jornada de Jesus, mas busca contar a história a partir da sua própria linguagem

André Guerra

Publicado: 02/04/2026 às 18:36

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(Divulgação)

Pelo segundo ano consecutivo, o espetáculo “Paixão de Cristo de Bonecos” chega ao Teatro Apolo, sexta (3) e sábado (4), às 16h, com um projeto totalmente protagonizado por títeres, numa adaptação da peça “O Mistério da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, texto recolhido pelo lendário dramaturgo Michel de Ghelderode (1898–1962). Promovido pela Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos (APTB) e pelo Ponto de Cultura Bonecos de Pernambuco, o projeto tem direção geral da bonequeira e pesquisadora Izabel Concessa e adaptação escrita pelo também ator e produtor Jorge Costa.

Narrando os últimos momentos de Jesus, partindo de sua entrada em Jerusalém, no Domingo de Ramos, o espetáculo segue uma ordem cronológica similar à da Paixão de Cristo tradicional, mas traz personagens fantásticos não necessariamente inseridos em seu contexto original, como os reis magos, os anjos e a própria morte. Jesus está ciente do seu destino, mas busca forças para suportá-lo. Apesar do uso de títeres e do horário da apresentação, às 16h, vale ressaltar que não se trata de uma montagem infantil.

“Todos nós, artistas de teatro, geralmente temos algum nível de participação em encenações da Paixão de Cristo. Aqui em Pernambuco, quem atua no segmento de teatro de formas animadas pode constatar que havia uma ausência de produções com bonecos e, portanto, um espaço a ser explorado”, explica Jorge Costa, responsável pela adaptação, em entrevista ao Diario. “O teatro de bonecos já se faz presente em tantos espaços do universo cultural, em outros ciclos festivos — do São João ao Natal, passando ainda pelo Carnaval —, então por que não participarmos também do ciclo das paixões?”, questiona.

Os bonecos utilizados na peça foram criados e confeccionados pelo grupo Mão Molenga Teatro de Bonecos, enquanto a caracterização, figurinos e adereços ficaram a cargo de Álcio Lins, Antero Assis, Fábio Caio e Maria Oliveira, com roteiro musical de Lucas Oliveira.

A diretora também enfatizou a força dos títeres no imaginário popular e a beleza de utilizar o formato para contar essa história canônica do repertório cultural brasileiro. “Essa montagem não é simplesmente uma transposição para bonecos do que já é feito com atores. As encenações populares, ou inspiradas na arte popular, como é o nosso caso, carregam consigo o humor e a irreverência próprios dessa expressão artística, mesmo quando se trata de um drama. Neste texto, recolhido por Ghelderode, não é diferente”, ressalta Izabel Concessa.

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