Sem ousadia ou inspiração, "Pânico 7" é o mais fraco da saga até agora
Em cartaz nos cinemas, "Pânico 7" traz de volta Neve Campbell e Courtney Cox, mas não leva a saga para nenhuma direção específica
Publicado: 27/02/2026 às 19:00
Sétimo filme é dirigido por Kevin Williamson, roteirista veterano da saga (Paramount/Divulgação)
Por razões que fogem ao próprio enredo dos filmes, a saga de terror “Pânico” entrou para a lista de pesadelos dos produtores. A atriz que protagonizou os últimos dois capítulos, Melissa Barrera, foi desligada pelo estúdio após sair em defesa do povo palestino, diante do conflito em Gaza, nas suas redes sociais. Junto com ela, deixaram a produção a colega de cena Jenna Ortega e até mesmo os diretores de “Pânico 5” e “Pânico 6” (lançados em 2022 e 2023), Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (de “Casamento Sangrento”).
A confusão para fazer sair do papel “Pânico 7”, agora em cartaz nos cinemas do Recife, não terminou por aí, envolvendo ainda o anúncio de um novo diretor, Christopher Landon (de “A Morte Te Dá Parabéns”), que também acabou saindo do projeto. Tudo sobrou, ao final, para o roteirista e criador do argumento original, Kevin Williamson, que assumiu pela primeira vez na série a função de diretor.
A grande ironia de “Pânico 7” é que todo o caos de bastidores é, na prática, mais emocionante e pitoresco do que praticamente tudo o que acontece na trama. Sidney Prescott (retorno de Neve Campbell após a ausência no sexto filme) é novamente aterrorizada pelo vilão mascarado Ghostface enquanto tenta salvar sua filha, Tatum (Isabel May), a quem sempre superprotegeu, do mal do mundo e de seu passado violento. O que soa diferente nesta nova investida do assassino é que ele insinua ser uma figura emblemática desse universo, a qual a protagonista e a plateia julgavam estar morta há décadas.
A falta de inspiração e ousadia na sequência de abertura de “Pânico 7” já anuncia que muita coisa está fora dos trilhos — ou, pior, que os produtores estão totalmente amarrados a eles. Lançado em 1996, o primeiro “Pânico” foi uma pequena revolução no slasher movie (subgênero de assassinos mascarados) pela esperteza com que combinava a metalinguagem com uma experiência autêntica de tensão. Desde então, os filmes vêm tentando se adaptar às mudanças do próprio terror, comentando seus clichês e buscando subvertê-los.
“Pânico 7” é bem menos metalinguístico e pretensamente subversivo do que os últimos dois filmes, que investiam pesado nos comentários e citações ao gênero, sempre buscando se antecipar em relação ao espectador. Aqui, os personagens remetem menos ao terror contemporâneo e mais ao próprio estilo noventista de slasher de estúdio, especialmente pela caracterização dos esquecíveis e genéricos coadjuvantes suspeitos. Essa volta às raízes poderia render bons momentos, mas, nas mãos de Kevin Williamson, parecem apenas soluções mercadológicas fáceis.
A revelação do assassino é, inequivocamente, a mais fraca e sem inspiração de todos os sete longas da saga — e as pistas falsas, comuns em todos os filmes, são deixadas pelo meio do caminho com uma falta de cuidado que denota um roteiro escrito às pressas, ou reescrito à exaustão.
A violência gráfica segue presente, às vezes em quantidade generosa, e há bons embates físicos pontuais em “Pânico 7”, mas a direção soa protocolar e desinteressada, seja pela ambientação ou pelo elenco (à exceção de Campbell e Cox, não há ninguém de tanta presença entre os atores novos, é verdade). É, ao mesmo tempo, frustrante e didático notar como, justamente 30 anos depois do original e com tanto a se dizer sobre o terror, a franquia ficou tão padronizada quanto um dia criticou.