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Menos telas e mais encontros: campanha de leitura chega ao Recife para promover benefícios da vida no off

Neste sábado (28), a campanha "Galera Sem Tela", do Grupo Editorial Record, chega à Livraria do Jardim, no Recife, para incentivar os pernambucanos a trocarem o celular pela leitura

Allan Lopes

Publicado: 26/02/2026 às 06:00

Evento ocorreu no Rio de Janeiro e chega ao Recife neste sábado (28)/Foto: Divulgação

Evento ocorreu no Rio de Janeiro e chega ao Recife neste sábado (28) (Foto: Divulgação)

A ansiedade provocada pelo uso excessivo das redes sociais já virou pauta de saúde pública. Foi pensando nisso que a Galera Record, selo jovem do Grupo Editorial Record, criou a campanha "Galera Sem Tela". Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a iniciativa chega a São Paulo e ao Recife neste sábado (28). Na capital pernambucana, será realizada a partir das 15h, na Livraria do Jardim, no bairro da Boa Vista, com entrada gratuita para todas as idades, visando incentivar os participantes a trocar a rolagem infinita do celular pelas páginas de um livro.

Seguindo o espírito do slogan "A vida acontece no off", a experiência foi pensada para ser leve e sem burocracia. Não há lista de livros obrigatórios nem exigência de que sejam do selo. Basta levar a obra que desejar, ler e compartilhar esse momento. Quem comparecer ainda ganha brindes. “O grande foco mesmo é na leitura e na troca entre os leitores”, explica Rafaella Machado, editora-executiva da Galera Record, ao Diario. A escolha do Recife para receber a ação se deve ao peso da cidade no mercado editorial, já que é a terceira maior praça de vendas do grupo, atrás apenas do Rio e de São Paulo.

Os brasileiros passam, em média, mais de 9 horas por dia navegando na internet, revelou a pesquisa Consumer Pulse no ano passado. Desse total, pelo menos 3 horas são consumidas apenas em redes sociais. O resultado coloca o país acima da média global de conexão. “A rede denominada ‘social’, na verdade, relança cada um à sua própria condição de um gozo solitário, configurando uma experiência do ‘tudo agora’ em tempo real”, afirma a psicanalista e psicóloga clínica Fabíola Barbosa.

Enquanto isso, a saúde mental dá sinais de sobrecarga. Segundo a Covitel 2023, 31,6% dos brasileiros entre 18 e 24 anos têm diagnóstico de transtorno de ansiedade. O dado ajuda a explicar por que cada vez mais pessoas buscam refúgio em hobbies offline, como fazer exercício físico, cerâmica e o próprio ato de leitura. “A gente percebe isso como uma demanda palpável em todos os nossos eventos presenciais. Bienais, feiras literárias, Flip, lançamentos... o quanto as pessoas estão abraçando esses encontros porque precisam dessas trocas”, conta Rafaella.

Várias pesquisas também apontam os benefícios de pegar um livro para aliviar o estresse. Uma delas, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, mostrou que seis minutos de leitura podem reduzir o cortisol em até 68%. Ao mesmo tempo, a neurociência vem descobrindo que, para o cérebro, ler sobre uma experiência é o mesmo que vivê-la. A área motora ativa quando o protagonista corre, e a afetiva desperta quando ele vive um momento de amor. “A leitura nos conecta com a gente mesmo, desacelera e devolve o protagonismo à imaginação. É esse resgate que a campanha propõe”, completa a editora-executiva.

Diferente da velocidade das telas, folhear páginas opera em outro tempo cronológico. Por isso, mudar hábitos não significa se livrar da realidade digital, mas criar estratégias para diminuir a dependência. A psicóloga Fabíola Barbosa recomenda controlar o tempo de tela e estabelecer uma meta diária de leitura. “É uma forma de transformar a ansiedade patológica cultivada no capitalismo de desempenho e ‘voltar a ter ânsia’ por consumir menos e desejar mais”, ressalta.

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