° / °
Viver
CINEMA

Curta do icônico diretor Júlio Bressane abre 29ª Mostra de Tiradentes

Júlio Bressane apresentou na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes seu novo filme, 'O Fantasma da Ópera', dirigido em parceria com Rodrigo Lima

Andre Guerra

Publicado: 26/01/2026 às 11:44

Mestre do cinema brasileiro, Júlio Bressane está prestes a completar 80 anos/Foto: Jackson Romanelli/Universo Produção

Mestre do cinema brasileiro, Júlio Bressane está prestes a completar 80 anos (Foto: Jackson Romanelli/Universo Produção)

Um dos mais influentes cineastas brasileiros de todos os tempos, o carioca Júlio Bressane está prestes a completar 80 anos, no dia 13 de fevereiro, mas sua capacidade de experimentação e renovação segue surpreendente. Seu mais novo filme, o curta ‘O Fantasma da Ópera’, abriu a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, no último fim de semana, com o encantamento pela criação cênica que marca boa parte da sua extensa filmografia, em particular filmes como ‘Capitu e o Capítulo’ (2021) e ‘Leme do Destino’ (2024).

Neste projeto, dirigido em parceria com Rodrigo Lima, o realizador convida o espectador novamente a ter, nas suas próprias palavras, “a paciência de uma esfinge”. Ao longo de pouco mais de 25 minutos, o filme revela o set de filmagens do próximo trabalho de Bressane, ainda inédito: ‘Pitico’, com Paulo Betti. Trata-se, portanto, de um making of experimental, em que a câmera perambula de formas inusitadas por esse cenário em um preto e branco que tanto perturba quanto fascina.

A perturbação e as imagens hipnóticas são caras ao cinema do diretor desde seus maiores clássicos, como ‘Matou a Família e Foi ao Cinema’ (1969) e ‘Memórias de um Estrangulador de Loiras’ (1971). Aqui, ele e Rodrigo Lima constroem uma experiência sensorial que revela truques cinematográficos, observa conversas de bastidor e, principalmente, coloca o próprio Bressane na frente da câmera como mais um — talvez o maior de todos — elemento encantatório.

O formato de curta-metragem dá a ‘O Fantasma da Ópera’, porém, uma liberdade cinematográfica ainda maior do que os seus longas, já conhecidos há anos por fugir completamente de qualquer tendência do circuito comercial. Os diretores mesclam trilhas sonoras dissonantes e distintos fluxos de imagens para revelar imagens que permeiam a construção fílmica, mas que, frequentemente, estão sendo transformadas por ela.

Várias interpretações são possíveis a partir de qualquer trabalho de Bressane — e nem todos os caminhos delas chegam de fato a algum lugar interessante. Mas vê-lo abraçar de maneira tão aberta as entranhas de seu próprio processo criativo, ainda mais se colocando à disposição de fazer parte disso nas mãos de outro cineasta, é, por si, um presente que dificilmente seria visto em outro lugar que não em Tiradentes.

Mais de Viver

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas