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LITERATURA

Livro analisa afinidades de Manuel Bandeira com poetas de língua inglesa

Estudo revela as profundas ligações da poesia de Manuel Bandeira com grandes nomes da literatura em inglês, como John Keats e W. B. Yeats

Allan Lopes

Publicado: 22/01/2026 às 13:31

Escritora Flávia JardimFerraz Goyanna/Foto: Divulgação

Escritora Flávia JardimFerraz Goyanna (Foto: Divulgação)

O que há de comum entre a poesia do brasileiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho e a obra do inglês John Keats, do irlandês William Butler Yeats e do norte-americano E.E.Cummings? Admiradores do poeta pernambucano vão encontrar a resposta no livro Afinidades anglófonas em Manuel Bandeira, da escritora pernambucana Flávia Jardim Ferraz Goyanna.

O título, que integra o catálogo de Ensaios da Cepe Editora, ganha lançamento na próxima sexta-feira (23), a partir das 19h30, na Academia Pernambucana de Letras (APL). O evento contará com um bate-papo entre a autora e a escritora Andrea Ferraz.

 esultado de trabalho acadêmico realizado em Londres, o livro, informa a autora, analisa “as relações de Manuel Bandeira com a tradição literária anglófona, notadamente com o Romantismo inglês.” Flávia Goyanna destaca John Keats (1795-1821), que ilustra a capa de Afinidades anglófonas em Manuel Bandeira, como um dos poetas de língua inglesa que mais impressionaram o pernambucano, entre os demais escritores selecionados para compor a pesquisa.

“A predileção pela obra do romântico oitocentista já foi expressamente manifesta pelo poeta brasileiro, na Reportagem Literária de Paulo Mendes Campos: ‘meus poetas prediletos? É muito fácil responder a esta pergunta. Depende da hora, das circunstâncias. (...) na Inglaterra, entre os românticos, Keats, entre os modernos, talvez Yeats.’ Com efeito, tal predileção reflete-se explicitamente num poema onomástico do Mafuá do malungo (Manuel Bandeira, 1948)”, escreve Flávia Jardim num trecho do livro.

Essa não é a primeira incursão da escritora na obra do poeta. Em 1991, ela defendeu dissertação “O Lirismo Anti-Romântico em Manuel Bandeira” para conclusão de mestrado em Teoria da Literatura na Universidade Federal de Pernambuco. No ano de 1992, ela ganhou bolsa de estudos no King’s College da University of London, e lá surgiu a ideia de escrever o livro para “analisar o Bandeira leitor de uma determinada tradição poética, relacionando em maior ou menor grau a obra do poeta brasileiro a alguns dos nomes mais representativos da poesia anglófona.”

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), poeta da primeira geração do modernismo brasileiro, foi também professor de literatura, tradutor, crítico literário e crítico de arte. Autor de Vou-me embora pra Pasárgada, Os Sapos, Cartas de Meu Avô e A Estrela, entre outros poemas, sofreu de tuberculose, assim como John Keats, que viveu apenas 25 anos. Pernambucano do Recife, Manuel Bandeira levou para os versos a temática cotidiana, a angústia e a melancolia.

“Largamente estudada, a produção de Manuel Bandeira é vista neste livro sob outro ponto de vista: a de um modernista singular que, para além das influências das vanguardas europeias, dialogou bastante com os autores britânicos e americanos — como tradutor e leitor. A partir dessa relação do poeta com a tradição anglófona — igualmente moderna, mas menos tomada pelos movimentos de ruptura —, Flávia Jardim Ferraz Goyanna aponta as particularidades de Bandeira, revolucionário com um olhar carinhoso para o passado, talvez mais interessado na recriação do que na fissura”, destaca o jornalista e editor da Cepe, Diogo Guedes.

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