Entrega de Timothée Chalamet no frenético ‘Marty Supreme’ é obstáculo para Wagner Moura no Oscar
Protagonista de ‘Marty Supreme’, Chalamet deve se tornar principal concorrente de Wagner Moura na disputa pelo Oscar de Melhor Ator; indicados serão revelados nesta quinta (22), às 10h30
Publicado: 21/01/2026 às 20:05
Filme é livremente inspirado na vida de um lendário jogador de tênis de mesa (A24/Divulgação)
A transformação de Timothée Chalamet em um dos grandes astros do cinema contemporâneo foi um dos fenômenos recentes mais notáveis da indústria. Revelado em 'Me Chame pelo Seu Nome', ele não demorou a demonstrar versatilidade, liderando o elenco da saga 'Duna', cantando e dançando em 'Wonka', incorporando Bob Dylan em 'Um Completo Desconhecido' e, agora, entregando-se por completo à obsessão pela grandeza em 'Marty Supreme', que acaba de estrear nos cinemas.
Nesta quinta-feira (22), o Oscar divulgará sua lista de indicados e o norte-americano deve se tornar o principal adversário de Wagner Moura, que tem boas chances de aparecer na categoria de Melhor Ator.
Na década de 1950, Marty Mauser — livremente inspirado no verídico mesa-tenista Marty Reisman (1930 - 2012) — trabalha como vendedor na loja de sapatos do seu tio, mas seu sonho é se tornar não apenas um campeão, mas o maior de todos os campeões do tênis de mesa. Um intenso torneio em Londres revela um grande rival para Mauser, que atravessa uma odisseia em Nova York para viabilizar sua ida a uma nova partida no Japão.
Nos seus projetos anteriores, que incluem 'Bom Comportamento' e 'Joias Brutas', o diretor Josh Safdie trabalhou em parceria com o irmão Benny Safdie. Ambos decidiram seguir carreira solo e, não à toa, optaram por histórias similares na superfície, mas bem diferentes na essência. Enquanto 'Coração de Lutador: The Smashing Machine', de Benny, é uma cinebiografia crua quase ao ponto do documental do ícone do wrestling Mark Kerr, 'Marty Supreme' é filmado por Josh com a energia anárquica que caracterizou os trabalhos prévios da dupla, beirando a fantasia de caos e pesadelo urbano.
O denominador que marca essa diferença de abordagem tem nome, sobrenome e, talvez, a estatueta do Oscar. Assinando também como produtor do filme, Timothée Chalamet vem treinando tênis de mesa há anos, mesmo o comprometimento obsessivo vivido na composição de Bob Dylan no longa de James Mangold, pelo qual venceu o SAG Awards. Mas agora a impressão geral é a de que a persona megalomaníaca do astro define mais os rumos do personagem do que o oposto. Ou seja, 'Marty Supreme' parece sob encomenda para suas ambições.
Essa entrega determinada de Chalamet, felizmente, cabe como uma luva para essa encenação inquieta de Safdie. A fotografia mal deixa a plateia respirar, grudando nosso olhar no rosto de Mauser em cada uma de suas empreitadas ególatras, violentas e humilhantes. A montagem frenética, que intercala diálogos absurdos com impressionante fluidez, garante que o ritmo esteja em alta mesmo quando a ação cessa. E a trilha sonora oitentista, embalada por clássicos de Alphaville, New Order e Tears for Fears, abraça o espírito do protagonista sem medo da obviedade (destaque para 'Everybody Wants to Rule the World').
Apesar da aparência de um filme de esportes, o tênis de mesa toma pouco tempo de 'Marty Supreme'. O discurso central é ancorado na perseguição desesperada pelo sonho americano — e, sobretudo, no possível vazio uma vez que ele é alcançado. Mauser e seu intérprete, para todas as suas distinções, compartilham da mesma ânsia por uma grandeza que só vale a pena se acompanhada pela adrenalina dos solavancos. Do contrário, não deve ter graça nenhuma.