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Indígenas Xukuru denunciam falta de água em escolas e postos de saúde em Pesqueira

Inquérito Civil do MPF foi aberto após representação feita pela Associação da Comunidade Indígena Xukuru do Ororubá que aponta falhas no abastecimento da Compesa no território

Marília Parente

Publicado: 06/11/2026 às 17:32

Segundo indígenas, oferta de carros-pipa em comunidades distantes também está comprometida/Filme Empeleitada/divulgação

Segundo indígenas, oferta de carros-pipa em comunidades distantes também está comprometida (Filme Empeleitada/divulgação )

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar falhas no abastecimento de água potável às comunidades indígenas Xukuru do Ororubá, localizadas em Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. A apuração acontece depois de uma representação feita pela Associação da Comunidade Indígena Xukuru do Ororubá, segundo a qual interrupções e restrições no serviço da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) têm afetado diretamente 15 escolas indígenas e quatro postos de saúde localizados no território.

A instauração do procedimento foi formalizada no dia 26 de outubro de 2026, pelo procurador da República Luciano Sampaio Gomes Rolim. A investigação dá continuidade às diligências iniciadas em 2025, após a manifestação da comunidade.

Segundo a denúncia, a operação de abastecimento por caminhões-pipa, custeada parcialmente pela Compesa, teria limitações no pagamento do transporte, restrito a um raio de 20 quilômetros. Assim, comunidades indígenas mais remotas ficariam desassistidas.

Ao MPF, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, reconheceu a vulnerabilidade das aldeias em razão da redução da frota de caminhões-pipa, após o encerramento de contratos anteriores. Segundo a instituição, um remanejamento temporário de recursos hídricos para suprir escolas e postos chegou a ser realizado, sem comprometer o orçamento regular da saúde indígena.

Apesar disso, a Sesai reconheceu que a situação exige soluções estruturantes definitivas de saneamento e abastecimento pela concessionária estadual. Por sua vez, a Compesa detalhou o panorama operacional das vazões captadas nas matrizes hídricas locais, registrando operação na Barragem Santana (31 litros por segundo e na Barragem Ipaneminha (27,6 litros por segundo. A empresa reconhece, contudo, que a captação na Barragem Pedra D'Água/Pão de Açúcar permanece desativada.

Questionada a respeito do mau estado das estradas vicinais de acesso às aldeias mais distantes, a distribuidora frisou que a administração das vias é de competência da prefeitura. O MPF solicitou que o prefeito Cacique Marcos Xucuru (Republicanos), a secretária de Desenvolvimento Urbano e Obras, Cláudia Bethânia Bezerra Correia, e o patrono da Associação Indígena Xukuru, Juan Keven da Silva Albuquerque, se manifestem sobre a devolutiva da empresa acerca da situação das estradas e das barragens.

A reportagem procurou a Compesa e a prefeitura em busca de posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.

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