PMs estão entre suspeitos de cumprir falsos mandados de busca e praticar extorsão no Grande Recife
A informação foi confirmada, nesta quinta (5), pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), logo após a realização da Operação Chave Forçada, que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Paulista e em Olinda, no Grande Recife
Publicado: 05/11/2026 às 17:17
A Operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão domiciliar no Recife e em Olinda (Foto: Divulgação/PCPE)
Dois policiais militares de Pernambuco são suspeitos de integrar uma quadrilha que simulava operações policiais e utilizava falsos mandados de busca e apreensão e documentos de intimação para extorquir dinheiro das vítimas. O grupo recorria a informações sigilosas de sistemas policiais para identificar possíveis alvos do esquema criminoso.
A informação foi confirmada, nesta quinta-feira (5), pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), após a realização da Operação Chave Forçada, que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Paulista e Olinda, na Região Metropolitana do Recife.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, os dois policiais militares foram afastados das ruas e passarão a atuar em atividades administrativas. Por determinação da Justiça, os PMs suspeitos também deverão ter as armas recolhidas e estão proibidos de acessar sistemas de informação das polícias.
A última medida foi adotada porque os militares utilizavam sistemas de informação restritos aos agentes de segurança do estado para obter dados sobre possíveis alvos da série de extorsões praticadas pelo grupo.
Entre os alvos, de acordo com a polícia, estavam pessoas com passagens anteriores pela polícia ou pelo sistema Judiciário e que poderiam ter alguma pendência junto às autoridades do estado.
A partir das informações sigilosas obtidas nos sistemas informatizados das corporações, os PMs levantavam dados e os repassavam aos comparsas.
Com distintivos policiais falsos, os integrantes da quadrilha se dirigiam até residências ou estabelecimentos comerciais, onde faziam ameaças e exigiam pagamentos em dinheiro para “não levar aquela determinada pessoa para a delegacia”.
No fim da manhã desta quinta-feira, a Polícia Civil concedeu uma entrevista coletiva, em sua sede, no Centro do Recife, para explicar como descobriu o esquema criminoso. O delegado-chefe do GOE, José Tenório, informou que foram identificadas três ações criminosas. Em uma delas, uma das vítimas, um ex-presidiário, chegou a pagar R$ 20 mil e, posteriormente, mais R$ 10 mil para não ser levado à delegacia.
A organização criminosa alegava que o ex-detento poderia voltar para a cadeia caso não repassasse o dinheiro exigido. Tenório informou que o esquema começou a ser desvendado quando um magistrado da Vara de Execuções Penais procurou a chefia da Polícia Civil para relatar que familiares de um ex-detento estavam sofrendo ameaças e extorsões reiteradas por parte de um grupo de pessoas.
Inicialmente, acreditava-se que os envolvidos eram policiais civis, já que são eles os responsáveis pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão e de intimação.
Ainda segundo o delegado, houve um caso em que os integrantes do grupo, mesmo sem encontrar qualquer problema na ficha criminal da vítima, mantiveram a falsa busca na residência dela.
“Eles praticaram crime também contra comerciantes que tinham dinheiro em espécie. Em uma das abordagens falsas, como não tinham como extorquir o dinheiro da vítima, acabaram anunciando um roubo e levando caixas de som”, disse o delegado.
Tenório afirmou, ainda, que os PMs deverão responder por extorsão, roubo e até por violação de sigilo profissional.
O delegado disse também que a investigação terá continuidade. “Vamos analisar as mídias encontradas e os objetos apreendidos para fortalecer as provas coletadas e até identificar novos integrantes da organização”.
O delegado Cley Anderson disse, após a coletiva, que, durante a operação desta quinta, foram apreendidas armas de fogo com um dos investigados. Ele não disse que esse alvo seria um dos PMs.
O delegado também deixou um alerta para a população. “É preciso alertar que nenhum policial pede dinheiro em operação. Se alguém exigir pagamento para não levar para delegacia, isso é prática de crime”.