Educação, acolhimento e solidariedade marcam trajetória da Turma do Flau, em Brasília Teimosa
Há 44 anos, o centro educacional oferece atividades educativas, culturais e ações de segurança alimentar; após incêndio atingir cozinha popular, instituição busca apoio para reconstruir espaço e retomar atendimentos
Publicado: 04/11/2026 às 07:00
Educação, acolhimento e solidariedade marcam trajetória da Turma do Flau, em Brasília Teimosa (Rafael Vieira DP FOTOS)
Reforço escolar, aulas de violão, percussão, dança, leitura e informática são algumas das atividades oferecidas pelo Centro Educacional Turma do Flau, em Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife. Há 44 anos, a instituição atua no acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, com iniciativas voltadas à educação, cultura, cidadania e garantia de direitos.
Fundada em 28 de outubro de 1982 pela missionária Irmã Aurieta, a organização surgiu a partir de um grupo de 12 adolescentes da comunidade. Inicialmente, o trabalho envolvia apresentações de teatro de rua, com abordagens sobre os problemas sociais vivenciados pelos moradores. Com o passar dos anos, o projeto ampliou sua atuação e passou a oferecer oportunidades de formação e aprendizagem.
Hoje, cerca de 60 crianças participam das atividades, segundo a voluntária Nathalia Nascimento, que também foi aluna da instituição. Para ela, o trabalho desenvolvido pela Turma do Flau é especialmente importante para crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade.
“O principal objetivo da Turma do Flau é justamente ajudar a comunidade, crianças e adolescentes que vivem em vulnerabilidade, em situação de extrema necessidade, que às vezes não têm um prato de comida dentro de casa”, afirmou Nathalia.
A programação funciona nos turnos da manhã e da tarde e reúne diferentes atividades educativas e culturais. Além das aulas de reforço escolar, há oficinas de música, dança, leitura e informática. A proposta é oferecer oportunidades de aprendizagem, convivência e desenvolvimento.
“A gente tenta trazer realmente atividades para que as crianças não fiquem ociosas e tenham alguma coisa para fazer”, afirma Nathalia.
A instituição também desenvolve ações de segurança alimentar por meio da Cozinha Popular Solidária, que representa um importante espaço de acolhimento e convivência para os moradores.
Uma história que atravessa gerações
A relação de Nathalia com a Turma do Flau começou ainda na infância. Ex-aluna, ela cresceu participando das atividades e, depois de adulta, retornou ao espaço como voluntária. A ligação com o projeto também fez com que outros antigos alunos se aproximassem novamente da instituição.
Para ela, a importância do trabalho vai além das atividades oferecidas. A organização representa uma oportunidade de proteção e acesso a direitos para crianças e adolescentes da comunidade. “Eu fui aluna do Flau, cresci e me criei aqui. A gente que passou por aqui sabe a importância disso”, conta.
Ao longo de mais de quatro décadas, a instituição construiu uma rede de apoio formada por moradores, voluntários, educadores e parceiros. Essa mobilização voltou a ganhar força depois que um incêndio atingiu parte da estrutura.
Incêndio interrompe atividades e mobiliza comunidade
Na véspera da comemoração dos 44 anos da instituição, em 27 de outubro, um incêndio atingiu a Cozinha Popular Solidária Turma do Flau durante a troca de um botijão de gás. As chamas destruíram a cozinha e alcançaram uma sala vizinha e o refeitório. Equipamentos, utensílios e materiais também foram danificados. Ninguém ficou ferido.
Por causa dos prejuízos, as atividades precisaram ser suspensas temporariamente. Ainda não há previsão para a retomada dos atendimentos, mas a equipe trabalha para organizar um espaço provisório no Anexo I, localizado na Rua Brazópolis, nº 51, em Brasília Teimosa.
Nathalia soube do incêndio enquanto estava no trabalho. Ao receber a notícia, procurou outros ex-alunos e amigos para saber como poderia ajudar.
“Quando nós soubemos, foi um choque tremendo. A gente já pensou: vamos lá, vamos ver como vai ficar, se estão precisando de alguma coisa”, lembra.
A voluntária destaca que a mobilização envolve moradores, antigos alunos e parceiros da instituição. A intenção é recuperar a estrutura o mais rápido possível para que as crianças e os adolescentes possam voltar às atividades.
“A gente sabe que não pode perder criança e adolescente para a rua. Então, estamos tentando correr o máximo possível para poder ter essas crianças de volta”, afirma.
Apesar das dificuldades, Nathalia diz que tem sido importante acompanhar a união das pessoas que fizeram parte da história da organização.
“Está sendo difícil, mas também está sendo massa ver todo mundo unido ali, todo mundo junto tentando resgatar a memória e o que o Flau representa para a comunidade”, relata.
Como ajudar
Para reconstruir a cozinha e recuperar os espaços atingidos, a Turma do Flau iniciou uma campanha de solidariedade. A instituição recebe contribuições financeiras por Pix, além de doações de equipamentos, utensílios, mobiliário, materiais e serviços.
Os interessados em colaborar podem entrar em contato pelo telefone e WhatsApp (81) 98803-0307 ou pelo Instagram @turmadoflau_.
“Estamos recebendo ajuda também através do Pix. As pessoas podem procurar nossas redes sociais ou entrar em contato. É só chegar e somar”, convida Nathalia.