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Vida Urbana
CASO PEDRO GABRIEL

Fuzil do Exército é encontrado desmontado em duas mochilas no Pina, no Recife

Arma estava com numeração raspada, 20 munições e carregador; soldado que levou o material do quartel teria tentado fugir para a Paraíba

Cadu Silva

Publicado: 28/10/2026 às 14:20

Cel Guaita, do Exército Brasileiro; Delegado Diego Jardim, Gestor Divisão de Homicídios Norte e o Tenente Coronel Correira da PMPE/BPRV
/Foto: Vitor Dutra/ AscomPCPE

Cel Guaita, do Exército Brasileiro; Delegado Diego Jardim, Gestor Divisão de Homicídios Norte e o Tenente Coronel Correira da PMPE/BPRV (Foto: Vitor Dutra/ AscomPCPE)

O fuzil M964 FAL, de calibre 7,62 mm, levado do 7º Depósito de Suprimento do Exército, no bairro do Cabanga, no Recife, foi encontrado desmontado e dividido em duas mochilas no bairro do Pina, na Zona Sul da capital. O armamento estava com a numeração raspada e foi localizado na madrugada desta terça-feira (27), junto com as 20 munições e o carregador que também haviam desaparecido da unidade militar.

Os detalhes da recuperação do armamento foram repassados durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (28).

A recuperação ocorreu após uma denúncia anônima indicar o local onde o material estaria. A operação mobilizou equipes das polícias Civil e Militar, além do Exército e de outras forças de segurança. O armamento foi encontrado em uma rua deserta e encaminhado para perícia. A investigação ainda busca esclarecer quem deixou as mochilas no local e como o fuzil passou pelas mãos de outras pessoas.

“Encontramos o armamento desmontado e dentro de mochilas”, afirmou o delegado Diego Jardim, gestor da Divisão de Homicídios Norte, da Polícia Civil de Pernambuco. Segundo ele, as equipes já recebiam informações sobre o caso e realizavam diligências para localizar o material.

De acordo com o delegado, informações levantadas durante as investigações indicavam a existência de um intermediário que teria repassado o fuzil a pessoas ligadas ao tráfico de drogas. A possível participação de criminosos, no entanto, ainda precisa ser esclarecida.

“Não temos como confirmar se eram faccionados, qual era a participação deles. Isso tudo será apurado no inquérito policial militar”, disse o delegado. Ele acrescentou que a denúncia que levou à localização da arma foi recebida sob garantia de sigilo, o que impede a identificação de quem forneceu a informação.

Soldado teria tentado fugir para a Paraíba

O caso começou em 17 de outubro, quando o soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, de 20 anos, deixou o quartel durante o serviço de sentinela levando o fuzil e as munições. Ele se entregou às autoridades em 21 de outubro e permanece preso no 4º Batalhão de Polícia do Exército, no Curado, na Zona Oeste do Recife.

Durante a coletiva desta quarta-feira (28), o delegado Diego Jardim afirmou que a Polícia Civil recebeu informações de que o militar estaria tentando fugir para a Paraíba. Segundo ele, as equipes conseguiram avançar na localização do soldado e articularam a apresentação dele às autoridades.

“Ele estava na divisa da Paraíba com Pernambuco. […] Com essa evolução das investigações, ele não viu outra alternativa senão entrar em contato com uma das forças para se entregar de maneira segura e organizada”, relatou o delegado.

Após a prisão, as diligências continuaram em Paulista, Olinda e outros locais para tentar recuperar o armamento e identificar possíveis envolvidos. O Exército informou que o inquérito policial militar apura como o soldado deixou a unidade com o material, quem teve acesso ao fuzil e se houve negociação ou repasse a terceiros.

“Não pode ser dito se ele passou, se negociou, se vendeu. Isso será apurado no inquérito”, afirmou o coronel Guaita, porta-voz do Exército Brasileiro.

Perícia vai confirmar origem do armamento

Apesar dos indícios de que o fuzil encontrado é o mesmo levado do quartel, a confirmação depende do laudo pericial. Segundo a Polícia Civil, a numeração da arma foi raspada, mas o lote das munições apresenta elementos que apontam para o material pertencente ao Exército.

O material foi encaminhado à Polícia Judiciária Militar, responsável pela investigação e pelas perícias. O coronel Guaita afirmou que as operações de busca foram autorizadas pela Justiça Militar da União e que o inquérito segue em andamento para esclarecer a dinâmica do caso e identificar os envolvidos.

“É importante salientar que o Exército não admite a perda de material de emprego militar nem conduta inadequada de seus integrantes”, declarou o porta-voz.

As buscas também envolveram endereços de familiares de pessoas que poderiam ter relação com o paradeiro do fuzil, em Olinda e Paulista. Questionado sobre relatos de apreensão de dinheiro durante uma dessas diligências, Guaita afirmou que os interessados podem procurar o oficial encarregado do inquérito e apresentar documentos para comprovar a origem dos valores.

A namorada do soldado, Yasmim Victória de Amorim Lago, de 18 anos, também é investigada por suspeita de ajudá-lo a fugir com a arma. Grávida de dois meses, ela teve a prisão domiciliar autorizada pela Justiça Militar após passar quatro dias na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, no Recife. A decisão estabeleceu medidas cautelares, incluindo a proibição de contato com o militar e com testemunhas.

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