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Fuzil desaparecido de quartel do Exército é encontrado no Pina, no Recife

Arma encontrada na noite desta terça-feira (27), estava dentro de uma mochila e tinha a numeração raspada; 20 munições também haviam desaparecido do depósito militar no Cabanga

Cadu Silva

Publicado: 28/10/2026 às 08:53

7ª Delegacia de Homicídios, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife/Reprodução/Google Street Views

7ª Delegacia de Homicídios, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife (Reprodução/Google Street Views)

O fuzil M964 FAL, de calibre 7,62 mm, que desapareceu de um quartel do Exército no Recife, foi encontrado na noite desta terça-feira (27), na Avenida Encanta Moça, no bairro do Pina, na Zona Sul da capital. A arma estava dentro de uma mochila e apresentava a numeração raspada. As 20 munições que também sumiram do depósito militar também foram localizadas.

O material foi encontrado durante uma operação conjunta das forças de segurança e encaminhado à 7ª Delegacia de Homicídios, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. A ação faz parte das investigações sobre o desaparecimento do armamento do 7º Depósito de Suprimento do Exército, no bairro do Cabanga, na área central da cidade.

O caso começou em 17 de outubro, quando o soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, de 20 anos, desapareceu durante o serviço de sentinela e levou o fuzil. Ele se entregou às autoridades na quarta-feira (21) e permanece preso no 4º Batalhão de Polícia do Exército (BPE), no Curado, na Zona Oeste do Recife.

A investigação apura as circunstâncias do desaparecimento da arma e a possibilidade de que o armamento tenha sido repassado ao tráfico de drogas.

Pedro Gabriel foi ouvido na sexta-feira (23), em procedimento realizado no quartel onde servia, mas optou por permanecer em silêncio. A informação foi confirmada ao Diario de Pernambuco pelo advogado da família do militar, Jario Santos. Segundo o representante, o soldado pretende apresentar sua versão dos fatos em juízo.

Após se entregar, o militar afirmou que não se lembrava de como havia deixado o quartel naquela noite. Antes do interrogatório, a defesa esperava obter esclarecimentos sobre o ocorrido, mas o depoimento não trouxe novas informações sobre o paradeiro do armamento.

Na terça-feira (27), vídeos de veículos do Exército circulando por Olinda e Paulista passaram a circular nas redes sociais. Procurada pelo Diario, a assessoria de comunicação do Exército confirmou que a movimentação fazia parte de uma operação de busca e apreensão relacionada ao caso, mas não informou inicialmente se havia material apreendido.

A namorada do soldado, Yasmim Victória de Amorim Lago, de 18 anos, também é investigada por suspeita de ajudá-lo a fugir com a arma. Grávida de dois meses do militar, ela chegou a passar quatro dias na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, na Zona Oeste do Recife.

A Justiça Militar concedeu prisão domiciliar após avaliar que a permanência da jovem na unidade prisional representava riscos à gestação. Durante a audiência de custódia, ela havia relatado dores e sangramento.

A decisão estabeleceu medidas cautelares, entre elas a proibição de contato, direto ou indireto, com Pedro Gabriel, testemunhas e outros investigados do inquérito policial militar. Yasmim também deve permanecer nos endereços informados à Justiça, salvo nas exceções previstas para atendimentos médicos, e não pode mudar de residência sem autorização judicial.

O que diz a Polícia Militar de Pernambuco

Em nota, a PM informou que uma ação integrada entre as forças de segurança pública resultou na apreensão de um fuzil calibre 7,62 mm com numeração suprimida, munições e um carregador, na terça-feira (27), no bairro do Pina, no Recife.

"As buscas foram intensificadas em 23 de outubro, após o recebimento de informações sobre o furto do armamento ocorrido no 7º Batalhão de Suprimento do Exército Brasileiro. A ação contou com a participação da Polícia Militar de Pernambuco, por meio do Batalhão de Radiopatrulha (BPRP) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), além da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), da Polícia Federal e da Polícia Civil de Pernambuco", afirmou.

Ainda de acordo com a corporação, o material apreendido foi encaminhado pela Polícia Civil de Pernambuco, por meio da 7ª Delegacia de Polícia de Homicídios (DPH) de Paulista, para perícia. As investigações seguem em andamento.

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