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OUTUBRO ROSA

Câncer de mama: por que não esperar sintomas para fazer exames

Mastologista explica sinais de alerta, fatores de risco, quando começar a mamografia e os avanços no tratamento

Luiza Cabral Saraiva

Publicado: 24/10/2026 às 06:00

Mastologista Luciana Limongi/KAROL RODRIGUES / DP FOTO

Mastologista Luciana Limongi (KAROL RODRIGUES / DP FOTO)

Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres brasileiras, com cerca de 78 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para a mastologista Luciana Limongi, do Real Hospital Português, a prevenção e o diagnóstico precoce são os principais fatores para um melhor prognóstico da doença.

“O câncer de mama costuma ser um processo muito silencioso. Por isso, pedimos a todos para fazerem os exames. Não é necessário esperar algum sinal do corpo para fazer a investigação”, comenta Luciana. Segundo ela, a ausência de dor não afasta a necessidade de investigação: “Nós não precisamos correlacionar a dor com o alerta”, aconselha.

Ainda assim, é importante conhecer os sinais que a doença pode dar. Entre os principais estão o abaulamento (saliência ou inchaço localizado) da mama, a pele da mama avermelhada, repuxada ou com aspecto de casca de laranja e o mamilo retraído ou com saída de secreção. A médica reforça, porém, que os sintomas geralmente estão associados a tumores em estágios mais avançados, o que torna o exame ainda mais necessário.

Além de observar o corpo, também é preciso estar atento aos fatores de risco. O envelhecimento é um deles e não pode ser modificado. Outros estão ligados ao comportamento e ao estilo de vida moderno: a obesidade, o sobrepeso, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo de álcool e o uso de hiperestimulantes hormonais, por vezes utilizados para fins estéticos.

Com esses fatores, a mamografia ganha maior importância na rotina. Os médicos geralmente indicam o exame a partir dos 40 anos, independentemente de características individuais ou histórico familiar, no chamado “rastreamento basal”. “Uma em cada oito mulheres pode desenvolver um câncer de mama ao longo da vida, caso viva até os 75 anos”, afirma Luciana Limongi.

Autoconhecimento

Os números também mostram que a doença não é exclusiva de mulheres mais velhas: segundo a médica, 46% dos diagnósticos de câncer de mama no Brasil ocorreram em pessoas com menos de 50 anos. “Por isso o autoconhecimento é tão importante. Então toque-se, observe-se e faça seus exames a partir dos 40 anos”, adiciona.

Encontrar um nódulo em um exame de rotina, no entanto, nem sempre significa câncer. De acordo com Luciana, apenas 20% dos nódulos identificados em exames são malignos. “Uma vez que o especialista documentou que o nódulo é benigno, com a avaliação da imagem e de um procedimento de biópsia, ele sempre será benigno. Isso não coloca aquela pessoa num patamar de maior risco”, afirma.

Tratamento

Quando o diagnóstico de câncer é confirmado, as opções de tratamento são diversas, e cada uma é indicada de acordo com o perfil da paciente, o tipo do câncer e o seu comportamento. A cirurgia costuma ser a primeira etapa. A quimioterapia - que utiliza medicamentos potentes para destruir, controlar ou impedir a multiplicação de células cancerígenas no organismo - é outra opção.

Há também a radioterapia, conhecida popularmente como “banho de luz”, aplicada na mama e, eventualmente, nas vias de drenagem, para evitar o crescimento do tumor. Outros tratamentos atuam de forma mais direcionada: a imunoterapia usa medicamentos que estimulam o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas, e a hormonioterapia leva essas células à morte por inanição.

Avanços

Os avanços recentes também têm ampliado as possibilidades de tratamento. Para Luciana Limongi, o câncer de mama está entre as áreas em que a terapia médica mais evoluiu nos últimos anos. Entre as novidades, ela cita as terapias-alvo moleculares e a imunoterapia para determinados tumores, que já apresentam aumento da sobrevida dos pacientes.


Outro avanço são os anticorpos conjugados a drogas, que a médica compara a um “cavalo de Troia”: “A gente engana a célula doente, revestindo ela de anticorpos que ela reconhece. Ela leva esses anticorpos para dentro e, lá dentro, a gente solta o quimioterápico”. Segundo a mastologista, essas “drogas inteligentes” também trazem ganho de sobrevida mesmo em casos mais avançados.

Seja qual for o caso, a médica termina com um recado para quem adia a ida ao médico: “Nunca deixe para depois o que você precisa fazer hoje. Não deixe a rotina consumir o seu autocuidado, que não inclui só o exame, obviamente.” Segundo Luciana, cuidar de si passa por se exercitar e se alimentar bem, mas sem deixar o exame para depois. “Na aleatoriedade da vida, conseguir detectar o câncer precocemente é a grande arma que temos para a manutenção da qualidade de vida e da saúde”, conclui.

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