Ministra das Mulheres visita o Recife com foco na saúde e no combate à violência
Em entrevista cedida ao Diario, Márcia Lopes destacou que o número de feminicídios no Brasil diminuiu 14,75% em relação ao ano passado
Publicado: 21/10/2026 às 14:47
Ministra Márcia Lopes visitou o Projeto Asas para o Futuro e a obra da Casa da Mulher Brasileira (Maurício Ferry/ DP Foto)
A Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, visitou o Recife no início desta semana. Em sua agenda na cidade, Márcia compareceu a formatura da turma do Projeto Asas para o Futuro e visitou a obra da Casa da Mulher Brasileira no bairro do Cordeiro.
Em conversa com o Diario, a Ministra pontuou estas e outras ações do Ministério da Mulher, além de perspectivas acerca do cenário político atual.
Recife recebe Casa da Mulher Brasileira e novo Mamógrafo
Eixo do programa “Mulher Viver sem Violência”, a Casa da Mulher Brasileira está em processo de construção no bairro do Cordeiro, no Recife. De acordo com a ministra, o investimento é de R$ 17 milhões na obra. Márcia também se encontrou com a governadora Raquel Lyra e a secretária da Mulher de Pernambuco, Juliana Gouveia, e pontuou a solicitação de agilidade na obra.
Estas unidades trabalham com atendimento integral voltado às mulheres inseridas em contextos de violência e abuso. “É uma porta de entrada para todas as mulheres que sofrem violência. Ali ela encontra todos os serviços de orientação, encaminhamento, registros e denúncias. É uma política do Governo Federal que tem dado muito certo” reforçou Márcia.
O Hospital da Mulher do Recife (HMR) também conta com novo mamógrafo digital, definido pela ministra como “mais atual em tecnologia de última geração”. Márcia participou da entrega do equipamento, que tem expectativa de ampliar 25% a capacidade dos exames.
Pacto do feminicídio
“O pacto traz os três poderes e reúne a representação do Executivo, Legislativo, do Congresso Nacional, do sistema de justiça todo” , disse a ministra acerca do Pacto Nacional do Brasil contra o Feminicídio.
Com objetivo de fortalecer as redes de enfrentamento contra meninas e mulheres em todo o território nacional, o Pacto é uma das políticas defendidas pelo Ministério da Mulher. “Uma série de medidas têm sido tomadas e já conseguimos diminuir 14,75% o número de feminicídios em relação ao ano passado” destacou.
O afastamento remunerado de mulheres vítimas de violências domésticas foi uma das medidas reforçadas por Márcia. “Elas carregam um peso de ter que sair de casa e de ficar sem um trabalho momentâneo e precisam imediatamente tomar providência”
Com a lei, estas mulheres têm um salário pago pela previdência pelo INSS. O auxílio já está funcionando, disponível no site da previdência ou no site do Ministério das Mulheres.
A escala 6x1 também foi pontuada pela ministra como uma vitória para as mulheres, principalmente quando se trata da sobrecarga no ambiente de trabalho. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil bateu um recorde ao registrar mais de 546 mil afastamentos do trabalho por saúde mental e 60% destes casos são de mulheres.
“Além do seu trabalho no mercado, as mulheres continuam trabalhando em casa, em sua comunidade. Com a redução para cinco dias trabalhados, não só as mulheres mas todos terão dois dias de descanso” defendeu a ministra.
Desafios de implementação
“O desafio maior é exatamente a mudança de costumes, de cultura, de atitudes” , ponderou a ministra acerca dos enfrentamentos que o Ministério possui diante da conjuntura política atual.
Márcia destacou a necessidade de trabalhar a masculinidade positiva, desde o período da infância. “E essa mudança de cultura não é simples. Quanto mais governos nós tivermos que valorizem isso, melhor”, defendeu a ministra, pontuando que práticas como o armamento da população e desvalorização da mulher corroboram para comportamentos violentos e são o contrário do que o governo atual acredita.
Além de aspectos culturais, os desafios de realização das políticas públicas do Ministério também possuem um viés político, de acordo com a ministra. Como exemplo, citou a PL 896/2023, aprovada em julho deste ano. O projeto que propõe a criminalização à misoginia, e 158 representantes votaram contra sua aprovação. “Diziam que era uma invasão à privacidade ", relembrou.
“É um trabalho integrado”
O Plano Nacional de Política para as Mulheres foi delineado pela ministra como um sumarizador de todos os dados e avanços coletados pelas políticas públicas e ações relacionadas ao Ministério: “Essa é uma prioridade, a autonomia econômica, política de cuidado e de prevenção à violência”.
O novo Plano é resultado da 5º Conferência Nacional, realizada em 2025. No portal do ministério, mais de 5 mil propostas originadas das conferências podem ser lidas, mas o objetivo do documento final é sumarizar estes projetos: “Temos fórum de gestoras e secretárias de estado de política para as mulheres, que pegam suas prioridades e preparam o cada plano estadual, e isso é sintetizado no Plano” explicou a ministra.
Este relatório atua como um facilitador do acesso aos dados, estatísticas e desdobramentos, para que possam ser pesquisados e lidos de forma mais prática e sintética. “Nosso plano começa justamente com um diagnóstico do Brasil, com todos os indicadores do Brasil. Então, é um trabalho integrado muito importante.”
Formar mulheres para o mercado e para a vida
O Projeto Asas para o Futuro oferece oportunidades de formação, inserção no mercado de trabalho e apoio financeiro para jovens mulheres brasileiras de 15 a 29 anos. O programa formou uma turma de 23 jovens em curso de “Operação de Drones”, no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) campus Vitória de Santo Antão, nesta segunda (19).
“Isso é uma área muito importante, é uma área de inovação, de tecnologia, uma área cada vez mais aplicada no planejamento das cidades, monitoramento das áreas e inclusive utilização no meio ambiente” destacou a ministra.
Também relembrou o momento da formatura e a emoção de formar mais um turma dentro do Programa Nacional: “Significa muito a gente alcançar o acesso dessas jovens à uma futura profissão. Hoje atendemos mais de 5 mil jovens e queremos expandir isso para todo o Brasil” pontuou.
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