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Imip passa a oferecer nove medicamentos novos contra o câncer pelo SUS

Segundo o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, a disponibilização desses novos medicamentos pelo SUS irá diminuir a espera pelo tratamento de câncer, já que o paciente não precisará entrar na justiça para conseguir o fármaco gratuitamente

Bartô Leonel

Publicado: 20/10/2026 às 18:57

Mozart Sales, do Ministério da Saúde, apresentou os medicamentos em entrevista coletiva/Maurício Ferry/ DP foto

Mozart Sales, do Ministério da Saúde, apresentou os medicamentos em entrevista coletiva (Maurício Ferry/ DP foto)

Nove medicamentos que precisavam passar por um processo judicial para serem disponibilizados gratuitamente para pacientes com câncer começaram a ser ofertados em Pernambuco a partir desta terça-feira (20) no hospital Imip (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O anúncio da incorporação destes novos medicamentos oncológicos foi feito pelo secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, que participou de uma conferência conjunta com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e outros representantes de 19 centros de tratamento oncológicos do país, que também irão oferecer esses medicamentos.

De acordo com Mozart Sales, a introdução desses novos fármacos, que podem ser utilizados em 13 indicações diferentes para tratamento de câncer de mama, próstata, pulmão, linfomas, entre outros, diminui o tempo de espera do paciente pelo tratamento.

“Com a introdução desses nove tipos de remédios, os pacientes oncológicos não precisarão entrar na justiça e esperar uma decisão judicial para conseguir ter acesso a esses medicamentos de forma gratuita. Pelo contrário, os pacientes já vão ter acesso a esse medicamento no próprio hospital. Isso vai fazer com que o tempo de espera encurte muito, já que, atualmente, a espera por uma autorização judicial demora entre seis meses e um ano”, ressaltou.

Essa diminuição no tempo de espera foi classificada por Mozart Sales como essencial, pois, durante o processo judicial, o câncer vai se espalhando no corpo do paciente, fazendo com que o fármaco não sirva mais no momento em que é autorizado, visto que o quadro do tumor já evoluiu.

Conforme informou o Ministério da Saúde, a expectativa é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim do ano no SUS, ampliando em 35% as alternativas na rede pública de saúde.

Apesar dessa expectativa, a introdução desses nove medicamentos, que são considerados produtos de alta tecnologia, já deve beneficiar, conforme previsão do Ministério da Saúde, mais de 116 mil pessoas, já que muitos fármacos eram aguardados há mais de dez anos na rede pública.

Uma dessas pessoas que já passaram a ser beneficiadas pelos novos medicamentos é a supervisora de RH, Maria dos Milagres Oliveira, de 60 anos, que luta contra o câncer de mama há um ano no IMIP.

“Apesar de estar enfrentando esse câncer, eu me senti privilegiada em receber essa medicação pelo SUS porque não precisei entrar na justiça para conseguir de forma gratuita. Conheço casos de pacientes que passaram de seis a um ano esperando a resposta da justiça para poder tomar essa medicação. Tive o privilégio de terminar minha cirurgia e começar a tomar essa medicação”, destacou.

De acordo com Maria dos Milagres, essa foi a sétima vez que ela tomou o trastuzumabe entansina, medicamento indicado para alguns tipos de câncer de mama.

Além desse fármaco, o SUS passou a ofertar o abemaciclibe, remédio de alto custo que também é indicado para alguns tipos de câncer de mama e que pode custar R$ 366 mil na rede privada.

Conforme explicou o Ministério da Saúde, os nove tratamentos atuam de formas diferentes, de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente. Entre os principais benefícios estão o aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida.

“Tenho que agradecer a Deus e ao SUS por liberar essa medicação que estou tomando, pois ela tem a probabilidade maior de 50% para que essa doença não volte. A liberação desse medicamento faz com que os pacientes se sintam melhor. No meu caso, por exemplo, não parei de trabalhar, porque essa medicação me deu um suporte para não ficar acamada. Nós, que somos pacientes oncológicos, temos que continuar sonhando e buscando um tratamento melhor para nossas vidas”, comemorou Maria dos Milagres.

Para a superintendente-geral do IMIP, Tereza Campos, o anúncio desses novos medicamentos que serão disponibilizados pelo SUS mostra o compromisso social da rede pública de saúde.

“Esse anúncio de hoje demonstra o compromisso com a assistência à saúde, especificamente com câncer e com os pacientes mais pobres que precisam do sistema oncológico de saúde. Isso é inovador, é pioneiro e nós temos certeza de que demonstra compromisso social do governo federal e do Imip em ofertar uma melhor assistência para a população”, explicou Tereza Campos.

Outra autoridade que celebrou a introdução desses medicamentos foi a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que também esteve no Recife para o anúncio dos novos fármacos que serão disponibilizados no IMIP. “Não tenho dúvidas de que o ato de hoje se reveste de muita importância, porque a inclusão de novos medicamentos é fundamental para o campo da oncologia, que tem sido tão caro para o Ministério da Saúde, mas que vem melhorando com o passar dos anos”, parabenizou.

Durante a cerimônia, também foram anunciadas mudanças na tabela de patologia, que incluem uma reclassificação e um aumento de pelo menos três vezes em relação à tabela atual, além de um aumento de quatro vezes no valor da iodoterapia, um tratamento principalmente utilizado para câncer de tireoide, entre outros investimentos na área de oncologia.

Confira a lista dos novos medicamentos incorporados no SUS:

Trastuzumabe — Câncer de estômago ou junção esofagogástrica;

Abemaciclibe — Câncer de mama precoce (RH+, Her2-, linfonodo +) ou avançado/metastático;

Acetato de lanreotida — Tumores neuroendócrinos;

Pazopanibe — Câncer de rim de células claras metastático;

Rituximabe — Leucemia linfocítica crônica (1ª linha), linfoma folicular, linfoma difuso;

Abiraterona — Câncer de próstata resistente à hormonioterapia não metastático e metastático e sensível à hormonioterapia e metastático;

Gefitinibe — Câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha;

TSH recombinante (alfatirotropina) — Câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo;

Sunitinibe — Câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe.

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