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Vida Urbana
DENÚNCIA

Advogada denuncia agressões de PMs após abordagem dentro de casa no Recife

Andressa Garcia afirma que teve a residência invadida, sofreu lesões durante a condução à delegacia e foi ameaçada por um dos agentes

Adelmo Lucena

Publicado: 17/10/2026 às 17:43

Advogada denuncia agressão por parte de PMs em abordagem em Jaboatão/Foto: Reprodução/Whatsapp

Advogada denuncia agressão por parte de PMs em abordagem em Jaboatão (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Uma advogada identificada como Andressa Garcia denuncia ter sido agredida e ameaçada por policiais militares durante uma ocorrência na segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida. Segundo o relato, a abordagem começou por volta das 14h, quando agentes foram até a residência onde ela estava, na UR 6, no Recife, e fizeram perguntas sobre um imóvel vizinho.

De acordo com Andressa, a situação começou quando um policial a chamou para conversar sobre a propriedade da casa ao lado. Ao se dirigir ao portão da residência, ela foi questionada por outro agente. A advogada afirma que explicou não conhecer os atuais proprietários nem saber quem ocupava o local.

Segundo a advogada, o policial informou que encontrou droga na casa e, em seguida, teria afirmado que a substância pertencia a Andressa. Foi nesse momento que ela decidiu gravar a abordagem com o celular.

Ainda segundo Andressa, os agentes entraram no imóvel sem autorização e a retiraram à força. Ela contesta a acusação de resistência e afirma que não tentou fugir nem ofereceu perigo aos policiais.

“O policial que, segundo denuncio, violou a privacidade da minha residência desde o início, quando ficou próximo ao muro e visualizou meu quarto, foi o mesmo que me ameaçou. Ele perguntou se eu não tinha medo de morrer porque eu dizia que iria atrás dos meus direitos. Também me chamou de maluca, apertou minhas algemas e me coagiu. Para mim, foi uma tortura”, conta.

Para Andressa, as imagens podem ajudar a esclarecer o que aconteceu. Ela ainda afirma que sofreu um empurrão quando foi retirada da casa e bateu o queixo na quina de uma porta, machucando também o joelho. Segundo relata, os policiais a algemaram apesar de seus pedidos para que não o fizessem.

A advogada também denuncia ter sido ameaçada por um dos agentes. Conforme o relato, ele teria perguntado se ela não tinha medo de morrer, depois de ela dizer que procuraria seus direitos. Andressa afirma ainda que o policial apertou as algemas, provocando um pequeno corte, e ameaçou jogar seu celular fora por saber que ela havia gravado parte da ocorrência.

Ela diz que foi colocada algemada no porta-malas da viatura e permaneceu no compartimento durante um período que considera excessivo, tanto em frente à residência quanto na UPA. Depois, foi conduzida à delegacia.

Segundo a advogada, na unidade policial, os agentes que chegaram para reforçar a ocorrência tiveram uma postura mais tranquila. Ela relata, porém, que os policiais envolvidos na abordagem continuaram a atribuir a ela possíveis crimes, incluindo uma acusação que contesta.

“A vizinhança está revoltada e sabe o que aconteceu, inclusive a forma como fui conduzida. Tenho medo de represálias porque não sei do que essas pessoas são capazes. Quem faz isso fardado pode fazer novamente a qualquer momento.”

Acusação de desacato

A advogada questiona a versão apresentada pelos policiais no Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Segundo ela, o documento registra que uma pessoa havia sido presa e que familiares tentavam impedir sua condução à delegacia.

Andressa afirma que não reconhece essa versão e nega ter cometido desacato. Ela sustenta que questionou a legalidade da abordagem e a entrada dos agentes na residência.

A advogada diz ter conseguido identificar dois policiais por meio das informações disponíveis na delegacia, mas afirma que outros agentes também participaram da ocorrência. De acordo com ela, os demais envolvidos estão sendo identificados a partir dos vídeos.

“Meu emocional está muito abalado. Estou com medo de represálias e não consigo dormir direito. Minha cabeça está muito perturbada. Ainda não consigo acreditar que uma pessoa que estava dentro do quarto, estudando, possa ter os direitos violados dessa forma”, relata Andressa.

A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaurou um procedimento preliminar para verificar as informações e analisar eventuais repercussões administrativas relacionadas ao caso. Em nota, o órgão informou que a apuração está em andamento.

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