Polícia Civil detalha sobre investigação e ligação entre liderança do PCC e delegada do Pará
Delegado detalha que relação entre suspeito e delegada era "promíscua" ; Pix de R$ 50 mil e viagens para o litoral pernambucano foram feitos para a servidora
Publicado: 16/10/2026 às 15:22
Delegado Ney Luiz, Titular DENARC; Delegado Ivaldo Pereira, Gestor DIRESP e Delegado Flávio Vieira, Adjunto DENARC. (Foto: ASCOM PCPE/VitorDutra)
A Polícia Civil de Pernambuco (PC-PE) detalhou sobre o andamento das investigações do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) durante uma coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (16), a respeito da Operação Sinalagma.
A apuração aponta relações íntimas entre a liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) de Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco, conhecido como Gordão, e a delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará (PC-PA), além de outros agentes públicos suspeitos de envolvimento com o grupo criminoso.
Relação entre liderança do PCC e delegada
O titular do Denarc, delegado Ney Luiz, explicou que a Operação Sinalagma é resultado de uma investigação iniciada após a prisão de uma liderança criminosa em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, em janeiro de 2025. A partir da ocorrência, os investigadores instauraram um procedimento para apurar a atuação do suspeito no estado e suas conexões com outros integrantes do crime organizado.
O delegado afirma que as investigações identificaram uma rede de relações entre o investigado, a delegada da Polícia Civil do Pará e outros agentes públicos daquele estado. "A apuração apontou indícios de que havia uma relação considerada !promíscua', que envolvia o repasse de informações policiais e movimentações financeiras supostamente provenientes do tráfico de drogas nos estados do Pará, Amazonas e Acre", reforça.
O titular do Departamento afirmou que os policiais identificaram um pagamento via Pix de R$ 50 mil destinado à delegada, além de indícios de que o investigado teria custeado viagens para ela, incluindo deslocamentos a Pernambuco. A investigação também apontou movimentações milionárias relacionadas ao suspeito, que seria uma conexão entre grupos criminosos com atuação em diferentes estados.
O delegado ressaltou que a apuração exigiu aproximadamente um ano e nove meses de trabalho, considerando a prisão inicial, em janeiro de 2025, e a deflagração da operação, em outubro de 2026. "O período foi necessário para aprofundar as diligências e reunir elementos que sustentassem as medidas judiciais, diante da suspeita de participação de uma agente pública", destaca.
Suspeita de favorecimento e vazamento de informações
Conforme os investigadores, diálogos obtidos durante a apuração indicariam que a delegada consultava sistemas policiais e repassava informações ao suspeito. Ainda segundo o delegado Ney Luiz, as conversas também apontariam que ela teria oferecido apoio policial ao investigado caso ele retornasse ao Pará. Em contrapartida, ele realizaria pagamentos à agente pública.
"A investigação também apurou circunstâncias relacionadas à liberação do suspeito em uma ocorrência policial anterior, quando ele estaria utilizando documento falso". Segundo o relato apresentado na coletiva, a ocorrência teria sido formalizada por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), e o investigado acabou liberado", comentou.
O investigado possuía mandado de prisão expedido pela Justiça de São Paulo por suposta atuação como liderança criminosa naquele estado. "Ele teria utilizado uma identidade falsa e permanecido no Pará antes de se deslocar para Pernambuco".
Os policiais apuram a extensão de suas conexões e a possível participação de agentes públicos no favorecimento às atividades criminosas.
Operação cumpriu mandados em Brasília e no Pará
O delegado Ney Luiz informou que, durante a Operação, foram cumpridos três mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão. A delegada foi localizada e presa em um hotel em Brasília, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e da Polícia Militar do Distrito Federal (PC-DF).
As medidas ainda alcançaram outros investigados, incluindo a liderança do PCC e um terceiro indivíduo que, conforme informado na coletiva, já se encontrava preso no Pará.
Ao comentar a operação, o delegado Flávio Vieira, adjunto do DENARC, reforçou a importância de uma estratégia de combate ao crime organizado que vá além das prisões e alcance a estrutura financeira das facções. "É fundamental identificar e responsabilizar também agentes públicos e policiais que eventualmente integrem ou colaborem com organizações criminosas", ressaltou.
Flávio comentou que o enfrentamento ao crime organizado exige investigações capazes de atingir as lideranças, interromper o fluxo de recursos ilícitos e impedir que informações e estruturas do poder público sejam utilizadas em benefício de grupos criminosos.
A Operação Sinalagma integra o trabalho da PC-PE para investigar as conexões interestaduais do tráfico de drogas, identificar possíveis redes de favorecimento e responsabilizar os envolvidos, com foco no enfraquecimento financeiro e operacional das organizações criminosas.
Denarc
Na coletiva, o gestor da Diretoria Integrada Especializada (DIRESP), delegado Ivaldo Pereira, ressaltou a participação do Denarc nas operações de repressão qualificada realizadas pela Polícia Civil de Pernambuco. "Das 86 operações contabilizadas pela instituição, 46 foram conduzidas pela diretoria, o equivalente a aproximadamente 53% do total. O gestor também destacou um aumento de cerca de 30% nas operações da especializada", comenta.
Ivaldo enfatizou que as ações têm como objetivo atingir diretamente as estruturas do crime organizado, desmobilizando facções criminosas com atuação em Pernambuco e em outros estados do Brasil.
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