° / °
Vida Urbana
HONRARIA

Pernambucano recebe medalha de ouro do Rei da Noruega por reconhecimento da tese de doutorado

Hugo Ribeiro Mota faz doutorado em Filosofia na Universidade de Oslo e será o primeiro brasileiro a receber essa honraria

César Moura

Publicado: 09/10/2026 às 19:37

Hugo Mota (meio) recebendo a premiação

Hugo Mota (meio) recebendo a premiação "Medalha de Ouro de Sua Majestade, o Rei da Noruega", que premia jovens pesquisadores que contribuem cientificamente para o país (Foto: Divulgação/WhatsApp)

O pernambucano Hugo Ribeiro Mota é o primeiro brasileiro a receber uma honraria pelo Rei da Noruega por reconhecimento de uma tese de doutorado. O estudante, formado em Filosofia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), conquistou a "Medalha de Ouro de Sua Majestade, o Rei da Noruega", que premia jovens pesquisadores com teses de doutorado em destaque na Universidade de Oslo.

A premiação, conforme descrita pelo estudante, é dada para jovens pesquisadores que promovem pesquisas científicas que contribuem para o avanço do conhecimento e da melhoria na sociedade. "É o maior prêmio de reconhecimento para um cientista e pesquisador do país. Isso abre muitas oportunidades para conseguir financiamento, vagas e colaborações não só em universidades na Noruega, mas instituições de pesquisa, no governo e ministérios", explica Mota.

"Estou tendo várias reuniões com representantes dessas instituições, que ficaram interessados. Eu também dei uma palestra essa semana para apresentar novamente o meu trabalho. A cerimônia aconteceu na quarta-feira com várias figuras importantes. O rei não estava presente, mas as figuras importantes da universidade e da academia norueguesa estavam lá. Me sinto honrado de ser o primeiro brasileiro a receber essa medalha", diz.

Hugo revela que os próximos passos de sua pesquisa estão relacionados aos problemas que envolvem conflitos armados. "Não só conflitos sociais ou políticos numa sociedade, mas conflitos violentos e guerras, visando alcançar o fim do conflito através de um tratado de paz ou acordo", descreve.

Hugo conta que sempre teve interesse na Filosofia e expandiu seus conhecimentos para a Política. "Eu sempre tive interesse na área de Filosofia da Linguagem e, com o tempo, fui expandindo esse interesse para a Política, voltado para comunicação dentro da esfera política, da esfera pública e do debate público", comenta.

"Esse prêmio é dado todo ano desde 1907 e, desde os anos 90, passou a ser mais voltado para jovens pesquisadores, o que facilitou para que o meu trabalho fosse nomeado para concorrer ao prêmio. Antigamente, era uma medalha por ano. Nos dias atuais, pode ser mais de uma, sempre uma para cada área do conhecimento", revelou.

O pesquisador comenta que terminou o doutorado, entregou a tese em 2024, defendeu-a em 2025 e depois ficou um ano dando aulas na universidade. "Nem todas as áreas receberam a medalha esse ano. A escolha é feita a partir de um comitê da universidade de Oslo, que é a maior universidade do país, com o comitê composto por professores e cientistas do país todo."

Trajetória

A carreira acadêmica de Hugo começou em 2015, quando ele ingressou na UFPE no curso de licenciatura em Filosofia. Seu desejo era ser professor. "Na época eu tinha 17 anos, mas já tinha decidido desde os 15 anos, eu acho, que eu queria seguir essa carreira que especificamente em filosofia", ressaltou.

Ele comenta que inicialmente queria apenas lecionar para turmas do ensino médio. "Eu tinha o desejo de ser professor e decidi que queria me especializar em Filosofia", comenta. O acesso à bolsa de iniciação científica o ajudou na carreira acadêmica. "Eu tive uma boa experiência na UFPE, durante o período do curso. Eu também tinha muito tempo livre, não precisava trabalhar naquela época, ainda morava com meus pais e tive acesso a bolsa de Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), que também ajudou bastante", reforça.

O estudante explica que considerou ir para outro estado para fazer o mestrado, porém optou ficar por Pernambuco por conta de um professor. "No final da graduação, eu ingressei diretamente no mestrado, também na UFPE. Já nessa época, eu tinha considerado ir para outro estado. Eu nunca tinha considerado era mudar de país", diz.

"Porém, um professor, chamado Marcos Silva, tinha sido contratado na universidade há pouco tempo. Pelo auxílio dele durante minha trajetória e pelos recursos que eu teria disponível ficando na UFPE, eu consegui a bolsa do mestrado. Além disso, pelo fato de eu ainda poder continuar vivendo no Recife, perto dos meus pais, da minha família e dos meus colegas, eu optei por ficar", reforça.

"A minha pesquisa de mestrado era ainda bastante teórica, mas já apontando de certa forma para desafios encontrados na comunicação entre pessoas muito distintas, de culturas distintas, de panos de fundos distintos, e sobre assuntos muito complexos ou basilares da humanidade", ressalta.

Doutorado

Mota comenta que decidiu fazer seu doutorado no Rio de Janeiro, porém alguns problemas atrapalharam seus planos. "Eu consegui uma bolsa para fazer o doutorado no Rio de Janeiro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Eu achei que esse seria meu futuro. No entanto, duas coisas acabaram atrapalhando meus estudos", reforça.

"Uma delas foi a pandemia, no início de 2020, quando eu havia começado o doutorado, justamente no início da pandemia. Isso fez com que eu adiasse a minha mudança para o Rio de Janeiro. A segunda coisa foi que, nesse período, o governo atual da época, da administração de Jair Bolsonaro, havia congelado os recursos do ensino superior em relação a financiamento de pesquisas e o orçamento de universidades públicas, e isso afetou diretamente o financiamento de pesquisas e das agências de fomento, como o Conselho Nacional de Pesquisa, o CNPq", destaca.

O jovem reforça que chegou a fazer o doutorado remotamente na PUC-Rio. Com as bolsas recebidas durante o mestrado, manteve uma boa base de contatos para seus planos de conseguir levar o doutorado adiante. Foi aí que surgiu a oportunidade na Noruega.

O pesquisador comenta que entrou em contato com diversos professores de partes diferentes do mundo, mas a vaga inesperadamente surgiu após um post no antigo Twitter (hoje chamado de X). "Um certo dia eu encontrei um anúncio de uma vaga de doutorado aqui na Noruega, na Universidade de Oslo, no Twitter, e decidi submeter. Eu também já estava submetendo para vagas anunciadas publicamente em outros países, mas essa de Oslo achei totalmente por acaso, publicado no Twitter pela pessoa que estava responsável pelo projeto", comenta.

Hugo destaca que conseguiu ingressar no doutorado e recebeu muitos recursos para o desenvolvimento de sua pesquisa. "Eu tive muito acesso a muitos recursos que eu não teria no Brasil para desenvolver a pesquisa. A minha pesquisa acabou também sendo voltada a problemas sociais do Brasil, porque ela trata de conflitos políticos e ideológicos e desafios de comunicação entre esses polos", diz. 

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas