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Rastreamento

Homem é investigado por rastrear advogado com dispositivo escondido em carro

Fora encontrados cerca de 20 rastreadores na casa do suspeito, no bairro do Curado 2, em Jaboatão; polícia apura se outras pessoas também foram monitoradas

Cadu Silva

Publicado: 01/10/2026 às 15:03

Homem é investigado por rastrear advogado com dispositivo escondido em carro
/Cadu Silva/DP Fotos

Homem é investigado por rastrear advogado com dispositivo escondido em carro (Cadu Silva/DP Fotos)

Um homem de 41 anos é investigado por perseguir e rastrear ilegalmente um advogado de 46 anos, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo a Polícia Civil, o suspeito teria colocado um dispositivo de rastreamento escondido atrás da placa do veículo da vítima. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, nesta quinta-feira (1º), cerca de 20 rastreadores foram encontrados na casa do investigado, no Curado 2, em Jaboatão dos Guararapes.

De acordo do o delegado Mário Melo, Titular da Delegacia de Polícia de Boa Viagem, as investigação começaram em agosto, depois que o advogado encontrou o dispositivo no carro. Ele percebeu a presença do equipamento ao fazer uma verificação pelo celular e, posteriormente, localizou o rastreador escondido atrás da placa do veículo.

“Ele encontrou um rastreador acoplado na placa do veículo dele. Ele ficou bastante aflito, porque tem uma atividade profissional em alguns processos e percebeu que aquilo poderia ser algum tipo de ameaça à integridade física dele”, explicou o delegado.

Segundo o delegado, o rastreador foi recolhido e encaminhado ao Instituto de Criminalística. A investigação conseguiu identificar um homem de 41 anos, morador do Curado 2, como responsável pelo equipamento.

A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária, a busca e apreensão na residência e a quebra do sigilo telefônico do investigado. A prisão não foi autorizada neste momento, mas os demais pedidos foram deferidos.

Na casa do homem, além de aproximadamente 20 dispositivos, foram encontradas caixas e embalagens vazias de outros rastreadores. Para a polícia, o material pode indicar que outras pessoas também tenham sido monitoradas.

“A gente se depara, não com um rastreador, mas com vários rastreadores. Cerca de 20 rastreadores lá, uma caixa com várias embalagens vazias”, afirmou Mário Melo.

A polícia ainda tenta descobrir por que o advogado estava sendo monitorado. A possível relação entre o caso e a atividade profissional do advogado, no entanto, ainda será investigada. “O advogado alega que teve alguns conflitos em uma ação judicial em específico, e que foi até registrado um boletim de ocorrência. Isso pode ser uma motivação, ainda precisamos apurar de maneira mais detalhada”, disse o delegado Mário Melo.

O investigado trabalha como autônomo e possui motocicletas que aluga, segundo a polícia. Ele não tem antecedentes criminais e permaneceu em liberdade após o cumprimento do mandado. A busca foi acompanhada pela Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Jaboatão dos Guararapes.

Com a quebra do sigilo telefônico, a expectativa é identificar como o investigado acompanhava a localização do advogado e verificar se havia outras vítimas.

Rastreamento ilegal pode configurar stalking

A Polícia Civil enquadra o caso, inicialmente, no crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal. A legislação considera crime perseguir alguém reiteradamente, por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica ou restringindo sua capacidade de locomoção. “A colocação desse dispositivo para perseguir pessoas de forma clandestina é um crime”, afirmou Mário Melo.

O delegado também destacou que rastreadores como AirTag têm usos legítimos, como localizar objetos, veículos e até auxiliar famílias na localização de crianças. O problema ocorre quando o equipamento é utilizado para monitorar uma pessoa sem autorização.

“Esse dispositivo traz bastante comodidade para algumas pessoas. Mães atípicas, por exemplo, colocam esse dispositivo nos seus filhos para que eles possam circular livremente e depois serem encontrados. O que não pode acontecer é esse dispositivo estar sendo utilizado para rastrear pessoas”, explicou. Segundo o delegado, a Delegacia de Boa Viagem já recebeu outros registros de pessoas que encontraram dispositivos semelhantes em seus veículos.

O advogado percebeu o equipamento depois que o celular identificou a presença de um dispositivo desconhecido nas proximidades do veículo. A orientação da polícia é que, caso alguém identifique um rastreador desconhecido no carro, procure uma delegacia. Mário Melo recomenda “ligar o Bluetooth do iPhone e fazer uma varredura no seu veículo porque o iPhone vai identificar possíveis dispositivos estranhos. Foi assim que esse advogado encontrou”.

A orientação é não retirar ou descartar o equipamento, para que ele possa ser preservado como possível elemento da investigação. “Procura uma delegacia de polícia. Os delegados e os investigadores vão saber como lidar com isso e iniciar uma investigação para descobrir quem está por trás desse rastreamento”, orientou.

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