Denúncia de 'espionagem' contra secretário de João Campos foi arquivada, diz SDS-PE
Informações foram repassadas pelo Secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho. Segundo ele, as investigações preliminares não constataram nenhum ato ilícito e, por isso, o trabalho foi arquivado pela polícia
Publicado: 26/01/2026 às 14:48
Secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro de Carvalho (Rafael Vieira/DP Foto)
Após a polêmica envolvendo uma denúncia de 'espionagem' contra o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, o secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, informou que a “investigação preliminar”, foi arquivada.
Segundo Carvalho, tudo começou com uma denúncia anônima sobre um suposto esquema de propina em contratos da Prefeitura do Recife.
“Nós recebemos uma denúncia anônima de que poderiam estar ocorrendo entregas de valores de propina em contratos firmados pela Prefeitura do Recife com fornecedores diversos. Foi uma denúncia anônima, que mencionava servidores públicos e um veículo que seria utilizado para essa tratativa criminosa. Uma situação dessa, você não pode ignorar nem você pode instaurar um inquérito de imediato. Você tem que checar, foi checado durante o período não foi confirmado e houve o arquivamento”, explicou o secretário.
A declaração foi feita nesta segunda (26), em coletiva na sede da SDS, no Centro do Recife.
Segundo Carvalho, o arquivamento aconteceu em função da não constatação de irregularidades apontadas na denúncia. O procedimento de apuração preliminar em função de denúncias anônimas, ainda conforme o secretário, é comum, e não se tratou de uma espionagem.
“Essa investigação se encerrou, porque não houve a confirmação no período em que as diligências foram feitas que esse veículo se envolveu em nenhum tipo de encontro que desse a sugerir a prática de atos ilícitos. Quando uma denúncia anônima tem alguma verossimilhança, ela passa por um processo de checagem preliminar. Foi isso que foi feito. Não houve arapongagem ou espionagem”.
Vazamento e investigação
Conforme o secretário, as informações sobre a investigação preliminar do referido caso foram “vazadas” para um jornalista.
Uma das suspeitas da SDS é de que o responsável seria um policial afastado após ser flagrado em um estacionamento com o presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD), suspeito de envolvimento em irregularidades no pagamento de emendas parlamentares na cidade. Esse policial estava no grupo do trabalho, o que explicaria o acesso às informações.
"Um dos integrantes desse grupo (de trabalho) em novembro foi surpreendido, tendo uma reunião no estacionamento de um supermercado com o então presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca. O presidente foi preso por uma investigação de desvio de recursos públicos e esse policial, que fazia parte do grupo, foi desligado no dia seguinte da Inteligência, foi ouvido pelo Gaeco, e foi colocado à disposição do setor de recursos humanos. Hoje está sendo restaurado um inquérito policial para apurar o vazamento de informações protegidas por sigilo".
Denúncia
Segundo a SDS, a denúncia anônima foi recebida em um envelope entregue na sede da Secretaria, no Centro do Recife. No material, continham informações de dois servidores da Prefeitura do Recife: Gustavo Monteiro, secretário de Articulação, e o irmão dele, Eduardo Monteiro.
Com isso, houve o estabelecimento de um grupo de trabalho para as diligências, disse Alessandro. Participaram 10 policiais, sendo três delegados e sete agentes, segundo o secretário, e acompanhamento do carro alvo da denúncia, aconteceu entre agosto e outubro.
Rastreamento
O carro alugado pela prefeitura e apontado na denúncia chegou a ser rastreado durante os trabalhos de investigação preliminar, conforme confirmou o secretário de Defesa Social. Alessandro ainda argumentou que não há ilegalidade nessa conduta.
“Não há necessidade de autorização judicial para instalação de um rastreador veicular. Isso é feito todas as polícias. É uma técnica de vigilância adotada por todas as delegacias e que não necessita de autorização judicial. Tenho toda a certeza que a operação foi legítima, legal e regular. O que houve de irregular foi o vazamento de informações de um grupo de inteligência que estavam numa ação lícita e legal”.
Relembre
A Polícia Civil de Pernambuco foi alvo de uma denúncia de espionagem contra o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, auxiliar do prefeito João Campos (PSB). Uma reportagem exibida pelo Domingo Espetacular, da TV Record, nesse domingo (25), diz que agentes da corporação monitoraram a rotina do secretário e chegaram a instalar um rastreador em um veículo da prefeitura também usado pelo irmão dele, Eduardo Monteiro.