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Vida Urbana
Descarte irregular

Área verde na divisa entre Recife e Olinda vira ponto de descarte de entulhos

Espaço localizado no Complexo de Salgadinho é usado por moradores para descansar, mas acumula restos de obras, lixo e até alimentos

Cadu Silva

Publicado: 29/09/2026 às 14:36

Área verde às margens da Avenida Olinda Dom Helder Câmara vira ponto de descarte de entulhos
/Rafael Vieira/DP Fotos

Área verde às margens da Avenida Olinda Dom Helder Câmara vira ponto de descarte de entulhos (Rafael Vieira/DP Fotos)

Uma área verde às margens da PE-001, na Avenida Olinda Dom Helder Câmara, entre o rio Beberibe, o bairro de Salgadinho e a Escola de Aprendizes-Marinheiros, em Olinda, voltou a acumular entulhos e lixo. No local, a reportagem do Diario encontrou restos de materiais de construção, vidros, cerâmicas, resíduos de alimentos, sacos plásticos e outros objetos espalhados pelo terreno.

A situação preocupa pessoas que costumam frequentar o espaço para aproveitar a sombra das árvores. Um motociclista de 52 anos, que passa pela região com frequência, contou que o problema se agravou com o descarte constante de resíduos. “A população vê que tem entulho e acaba jogando também. Isso fica acumulando e depois fica prejudicial para a população”, afirmou.

Segundo ele, caminhões também são vistos entrando no local para deixar restos de obras. “Às vezes vejo caminhões jogando destroços aqui. É rápido: eles descarregam e vão embora. Depois voltam de novo, descarregam e vão embora”, relatou.

O motociclista afirmou que utiliza a área para descansar sob as árvores e disse que o cenário atual é diferente do que encontrou anteriormente. “Essa área era limpa, era bonita. Não tinha essas metralhas como tem aqui. Era sempre perfeito, só que agora está nessa situação”, contou.

Dois meses depois, o cenário volta a chamar atenção

Em julho deste ano, o Diario esteve no mesmo trecho e já havia registrado o avanço do descarte irregular. Na ocasião, o espaço, conhecido historicamente como área do antigo Parque dos Coqueirais, apresentava montes de entulho, restos de reformas e outros resíduos.

A reportagem voltou ao local cerca de dois meses depois e encontrou novamente materiais descartados de forma irregular. Entre os resíduos observados estão restos de obras, madeira, fragmentos de cerâmica, embalagens e restos de alimentos.

O espaço, que integra uma extensa área verde às margens da PE-001, também é utilizado por pessoas que param no local para descansar sob as árvores. Para os frequentadores, a falta de controle do acesso facilita a entrada de veículos e o despejo de materiais.

Além do acúmulo de resíduos, as poças de água formadas após as chuvas também incomodam quem passa pelo local. De acordo com o motociclista, embora a água evapore rapidamente por causa do calor, o contato com o lixo deixa um odor desagradável.

“Como é um asfalto, a água bate e não dura muito tempo. Ela evapora com o sol. Mas o cheiro é desagradável mesmo”, afirmou.

No local também foram observados restos de alimentos, como cascas e resíduos de frutas, além de embalagens e materiais descartados irregularmente.

Frequentadores defendem que a área seja limpa e tenha o acesso controlado para evitar novos descartes. A avaliação é de que o fechamento ou a instalação de alguma forma de proteção poderia dificultar a entrada de pessoas e veículos que utilizam o espaço para abandonar resíduos.

“Se vier limpar totalmente, deixar tudo limpo e colocar uma proteção ali para ninguém poder entrar e jogar, dá para tentar criar algo melhor para a população”, sugeriu o motociclista.

Segundo relatos de populares, o espaço está ligado à Escola de Aprendizes-Marinheiros e é considerado uma área verde. Eles afirmam ainda que militares costumam passar pelo local durante o dia e à noite para fiscalizar a região.

Para quem frequenta o espaço, a preocupação é preservar a área e impedir que o descarte continue transformando um ambiente utilizado para descanso em um ponto de acúmulo de lixo e entulho.

A reportagem do Diario entrou em contato com a Escola de Aprendizes da Marinha para saber se a entidade tem conhecimento do descarte irregular no local, porém desde a postagem da primeira matéria em julho deste ano, que não obtivemos retorno. O canal segue aberto para quaisquer manifestações.

O que diz a prefeitura de Olinda

A Prefeitura de Olinda, por meio da Secretaria de Gestão Urbana, informa que tem conhecimento da situação e vem atuando de forma ostensiva na fiscalização e no combate ao descarte irregular de resíduos no local. Na semana passada, inclusive, a gestão municipal realizou uma operação de limpeza para retirar os materiais descartados.

No entanto, como parte dos descartes ocorre durante a madrugada, o volume de resíduos volta a aumentar após as ações de limpeza. A Prefeitura também vem realizando a manutenção da área em parceria com a Marinha do Brasil, que se comprometeu a adotar medidas para dificultar o acesso de veículos ao local, com a instalação de barreiras físicas.

A gestão municipal alega ainda que segue atuando para reduzir os pontos de descarte irregular e coibir a prática, com ações de fiscalização, limpeza e orientação.

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