Professora de Pernambuco forma mãe e avó em programa de alfabetização para jovens e adultos
As aposentadas Tereza da Silva e Rita Vieira, respectivamente avó e mãe da professora Roberta Vieira, se formaram na última quarta (16) junto com outros 55 alunos de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, que participaram do Programa Brasil Alfabetizado (PBA)
Publicado: 21/09/2026 às 18:50
Tereza Josefa Pereira da Silva e Rita Vieira de Araújo (Foto: Juliana Mendes/ Divulgação)
Dentro da lógica ideal de aprendizado, é comum ver pais incentivando e acompanhando os filhos para irem à escola. Porém, por conta da necessidade de trabalhar desde cedo, esses papéis podem se inverter, como é o caso da professora Roberta Vieira, de 42 anos, que encorajou e deu aula para avó e mãe se formarem no Programa Brasil Alfabetizado (PBA), desenvolvido em Limoeiro, no Agreste de Pernambuco.
De caráter federal, esse programa de alfabetização de jovens, adultos e pessoas idosas formou, na última quarta-feira (16), 55 alunos da rede municipal de Limoeiro. Entre elas estavam as aposentadas Tereza da Silva e Rita Vieira, respectivamente avó e mãe da professora Roberta Vieira, que leciona há cerca de 13 anos no município.
“Na hora em que entreguei o certificado a elas, eu me emocionei muito e agradeci a Deus por ele ter me dado a oportunidade de retribuir tudo o que elas fizeram por mim quando criança. Foi muito gratificante vê-los superando as barreiras e as limitações para conseguirem se formar”, destacou a professora.
Segundo Roberta Vieira, a necessidade de trabalhar na agricultura desde cedo fez com que a mãe e a avó não se formassem no tempo ideal. Apesar disso, elas nunca deixaram de incentivar Roberta a seguir o caminho dos estudos.
“Quando minha mãe veio aprender a juntar as sílabas, ela já tinha 22 anos. Nessa época, ela aprendeu a escrever e ler, mas com muita dificuldade, tanto que precisou desse programa novamente. E minha avó trabalhou na agricultura, junto com minha mãe, e também era costureira. Apesar disso, elas educaram e incentivaram os filhos a estudar, mesmo com a falta de oportunidades que elas tiveram quando menores”, explicou.
O retorno para o processo de alfabetização partiu da avó, de 79 anos, que incentivou a filha adotiva, de 72 anos, a voltar em um momento de luto da família.
“Minha avó se inscreveu primeiro e foi ela que puxou a minha mãe, que é filha adotiva dela. Minha avó sentiu vontade de retornar aos estudos após a perda de duas filhas e por conta da necessidade de ligar para os netos e filhas sem precisar da ajuda dos vizinhos. Dentro de uma semana, minha mãe também decidiu ir para as aulas. Isso foi muito gratificante para mim, pois as duas se incentivavam", relembrou Roberta Vieira.
Esse incentivo e ajuda mútua também foram observados por Roberta durante as aulas, que foram iniciadas em julho do ano passado e desenvolvidas no Centro Catequético da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, que teve o espaço cedido para o programa.
Segundo ela, os estudantes perguntavam uns aos outros quando algum deles faltava às aulas e se importavam em levar as atividades para que todos pudessem participar de alguma forma.
“Era muito bonito ver a preocupação dos alunos quando algum deles faltava. Então, além da própria experiência deles de aprender a ler e de juntar as palavrinhas, eles compartilhavam as experiências de vida vividas por eles.”
De acordo com a Secretaria de Educação de Limoeiro, o Programa Brasil Alfabetizado certificou "aproximadamente 55 pessoas com média de idade de 50 anos. O programa aconteceu em polos na região urbana em áreas periféricas e em um polo na zona rural, na comunidade de Salobro".
As fotos de Tereza e Rita, presentes nesta matéria, foram produzidas pela fotógrafa Juliana Mendes, que relatou a experiência ao Diario: "Eu sentia que tinha que fazer algo que marcasse. No dia da formatura eu aluguei seis becas e dois capelos. Montamos as ringlights numa sala de aula e começamos o trabalho. Valeu a pena cada alfinetada que levei nos dedos colocando as faixas. Ver como os olhos daquelas pessoas brilhavam por estarem alfabetizadas era o que me impulsionava. Foi mágico e emocionante."