Mais um suspeito de participar de esquema de corrupção em presídio de Vitória de Santo Antão é preso
O ex-diretor do Presídio de Vitória de Santo Antão, Emanuel Roberto França de Lima, também está preso e foi encaminhado ao Presídio de Itaquitinga II
Publicado: 01/09/2026 às 12:57
Esquema de corrupção acontecia no Presídio de Vitória de Santo Antão (Crédito: Google Street View)
A Polícia Civil de Pernambuco confirmou a prisão de mais um investigado por participação em um esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco. Durante a Operação Controle Paralelo, deflagrada no último dia 25, o ex-diretor da unidade prisional, Emanuel Roberto França de Lima, e outras três pessoas já tinham sido presas. O ex-diretor foi encaminhado ao Presídio de Itaquitinga II.
De acordo com a Polícia Civil, o homem se apresentou espontaneamente e teve cumprido contra ele o mandado de prisão que estava em aberto. Ele já está no sistema prisional. Não foi informada nem a data, nem o local que aconteceu a prisão.
As investigações realizadas pela corporação apontam para a prática de extorsões contra pessoas privadas de liberdade e seus familiares, além de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O trabalho investigativo teve início em 2022, a partir de uma requisição do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), para apurar agressões e cobranças ilegais praticadas no sistema prisional.
Segundo a investigação, o esquema tinha como figura central um detento que exercia informalmente a função de “chaveiro”, responsável pelo controle de um pavilhão. Ele cobrava valores de presos que contraíam dívidas dentro da unidade, principalmente em razão da concessão de benefícios e regalias, como a ocupação de espaços mais privilegiados nas celas e a disponibilização de colchões.
Quando os valores não eram pagos, os presos eram submetidos a agressões. As cobranças eram posteriormente direcionadas aos familiares das vítimas, que, diante do temor de novas violências, acabavam realizando os pagamentos.
“O que ficou demonstrado é que havia uma estrutura de controle paralelo dentro da unidade prisional. O chaveiro exercia um poder de fato sobre outros presos e utilizava a violência como instrumento de cobrança. Os familiares eram constrangidos a pagar porque já sabiam que, caso não houvesse o pagamento, as agressões poderiam continuar”, explicou o delegado Jorge Pinto, titular do Grupo de Operações Especiais (GOE), durante coletiva realizada em agosto.