Ex-primeira-dama de Granito, no Sertão de Pernambuco, denuncia ter sofrido violência doméstica
Em vídeo divulgado nas redes sociais neste domingo (30), a ex-primeira-dama Raila Miranda afirma ter sido vítima de violência contra mulher, praticada dentro de sua residência; fotos mostram marcas de agressão no rosto e na parte de trás da cabeça
Publicado: 31/08/2026 às 15:54
Raila Miranda diz que o filho de sete anos presenciou as agressões (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A ex-primeira-dama de Granito, no Sertão de Pernambuco, Raila Miranda, denunciou em vídeo divulgado nas redes sociais neste domingo (30), ter sido vítima de violência contra mulher. Apesar da publicação não informar quem praticou o ato de violência, o prefeito de Granito, George de Sidney, publicou na tarde desta segunda (31) uma nota à imprensa: "Esclareço que os fatos serão tratados exclusivamente pelas vias legais, com a serenidade e a responsabilidade que a situação exige".
Segundo a ex-primeira-dama, as agressões aconteceram há pouco mais de 20 dias dentro da própria casa. “Hoje, pela primeira vez, eu vou falar sobre algo que aconteceu comigo. Há pouco mais de 20 dias, eu fui vítima de uma agressão física gravíssima dentro da minha própria casa [...] Naquele dia, eu tive medo. E foi por medo que eu demorei a falar. Medo por mim, medo por meu filho, pela exposição e pelas consequências de denunciar alguém que ocupa uma posição de poder e de influência”, explicou em vídeo divulgado neste domingo (30).
Nas filmagens, é possível ver hematomas no rosto e cortes na parte de trás da cabeça da vítima. Ainda de acordo com Raila Miranda, o filho de sete anos presenciou as agressões e “o desespero de uma mãe que sangrava”.
“As marcas que vocês estão vendo ficaram no meu corpo. Outras ficaram na minha memória e na memória de meu filho. [...] Quando a violência aconteceu, a primeira coisa que passou pela minha cabeça não foi a política, não foi a reputação, não foi a imagem, foi sobreviver. Proteger meu filho e pensar como eu vou sair daqui viva”, destacou Raila Miranda.
Além das agressões físicas, a ex-primeira-dama afirma estar sofrendo violência patrimonial. Ainda conforme Raila Miranda, as agressões aconteceram após o término do relacionamento.
“Eu estou buscando os meus direitos e deixarei que as autoridades competentes investiguem e responsabilizem quem tiver que ser responsabilizado, porque nada justifica um homem agredir uma mulher. Nenhuma roupa, nenhuma crise no relacionamento, nenhuma discussão, absolutamente nada. E eu só havia tomado uma decisão sobre a minha própria vida. Eu não queria mais continuar aquela relação e ele não aceitou”, ressaltou em outra parte do vídeo.
Em outra publicação, divulgada no dia 17 de agosto, a primeira-dama divulgou seu desligamento da Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer de Granito. Não se sabe se a saída do órgão municipal tem relação com o caso de violência doméstica.
A Polícia Civil de Pernambuco informa que tomou conhecimento do caso e já entrou em contato com a vítima. As diligências foram iniciadas para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis. O caso está sob a coordenação da Delegacia de Granito.
O que diz o Prefeito
Em nota divulgada em sua redes sociais o prefeito do município de Granito, George de Sidney, diz que: "Diante das informações que vêm sendo divulgadas envolvendo acusações de violência doméstica, esclareço que os fatos serão tratados exclusivamente pelas vias legais, com a serenidade e a responsabilidade que a situação exige".
Ainda no documento o gestor diz que a Constituição Federal assegura a todos o contraditório e a ampla defesa, garantias fundamentais justamente para que nenhuma conclusão ou condenação seja formada sem que os fatos sejam devidamente apurados e todas as partes possam apresentar suas versões e provas.
"Ciente da minha conduta e dos meus atos, permanecerei comprometido com a verdade e com a justiça, respondendo a tudo o que for necessário, sempre dentro dos limites da lei e com absoluto respeito às instituições. Da mesma forma, buscarei, pelos meios jurídicos adequados, a preservação e o restabelecimento da convivência com meu filho, resguardando, acima de qualquer conflito entre adultos, o seu melhor interesse".
Ele acrescenta que a apuração permitirá esclarecer integralmente os fatos e assegurar que os importantes instrumentos legais de proteção e combate à violência doméstica sejam utilizados para a finalidade a que se destinam, e não como mecanismo de disputa patrimonial ou de interferência indevida na convivência familiar.
"Não pretendo transformar questões familiares e judiciais em debate público. Tudo será esclarecido no processo, com provas, responsabilidade e sob os rigores da lei, como tenho feito desde o início", conclui.