Instrutor de academia afirma que mordida não teve conotação ou intenção sexual
Defesa do acusado afirma que existia uma relação de intimidade e confiança entre professor e aluna
Publicado: 25/08/2026 às 14:18
Caso aconteceu no último dia 19 de maio, segundo a vítima (Foto: Cortesia)
Os advogados de defesa do instrutor Filipe Gomes da Silva, acusado de importunação sexual contra uma aluna em uma academia na Zona Norte do Recife, publicaram uma nota afirmando que a conduta atribuída ao profissional não teve qualquer conotação ou intenção sexual.
A mulher, de 25 anos, denunciou ter sido assediada dentro das dependências de uma academia. O caso aconteceu no último dia 19 de maio.
“Contextualizando os eventos: existia uma relação de intimidade e confiança entre professor e aluna, caracterizada por diálogos frequentes sobre questões pessoais e cuidado, em que, por exemplo, ela frequentemente levava lanches para ele. Essa interação, embora cordial, transcendia a relação profissional típica do ambiente de trabalho”, diz o documento.
Ainda de acordo com a defesa, o que aconteceu foi uma brincadeira classificada pelos advogados como “infeliz e despropositada”.
“No dia do ocorrido, a aluna teria manifestado desestímulo para realizar o treinamento. Nesse contexto, o educador físico, em uma brincadeira infeliz e despropositada, proferiu a frase ‘se você não treinar, vou lhe morder’, executando o gesto de forma lúdica e descontraída, destituída de qualquer conotação ou intenção sexual”, afirma a defesa.
Segundo o documento, Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas e, por isso, assume a responsabilidade pelo comportamento inadequado.
“Contudo, nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual. Reafirma que nunca manteve qualquer interação desta natureza com a referida aluna ou com qualquer outra, encontrando-se genuinamente surpreso com as acusações formuladas”, diz a nota.
Relembre o caso
A mulher de 25 anos que denunciou ter sido assediada em uma academia na Zona Norte do Recife descreveu a sensação de ser mordida por um instrutor enquanto treinava como “aterrorizante”.
Ela contou que treinava acompanhada da mãe, que, em determinado momento, foi para o primeiro andar do estabelecimento. Quando a jovem ficou sozinha, segundo o relato, foi quando tudo aconteceu.
“Ele começou a corrigir o meu exercício. Eu estava segurando uma barra e, quando ele chegou, eu soltei, nem terminei. Ele veio me abraçar, mas eu disse para ele não fazer isso e me retraí, mas ele me puxou, me agarrou, me mordeu. Eu tentei empurrá-lo, mas fiquei sem força. Foi uma sensação aterrorizante, não consegui me soltar”, relembrou.
A aluna afirmou que só registrou o caso na Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) três dias depois. O caso é investigado como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. Ainda conforme a mulher, após o registro do boletim de ocorrência, o instrutor foi demitido.
O caso só veio a público no dia 19 de agosto, cerca de três meses após o ocorrido, depois que a aluna encontrou o instrutor trabalhando novamente na mesma academia. Ao questionar a proprietária sobre a presença dele, recebeu a justificativa de que ele estava cobrindo o expediente de outros profissionais.
“Daí veio a motivação para denunciar o caso à imprensa”, contou.