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Quase quatro crianças desaparecem por mês em Pernambuco, segundo SDS

Estado utiliza protocolo Amber Alert, alerta rápido criado para auxiliar na localização de crianças e adolescentes desaparecidos que estejam em situação de risco iminente de morte ou de lesão corporal grave

Cadu Silva

Publicado: 20/08/2026 às 15:13

Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA)/Foto: Marlon Diego/ArquivoDP

Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) (Foto: Marlon Diego/ArquivoDP)

Pernambuco registrou 27 casos de desaparecimento de crianças nos sete primeiros meses deste ano, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS). O número representa uma média de 3,86 casos por mês, ou aproximadamente um desaparecimento a cada oito dias. Do total, 13 crianças foram localizadas.

Uma das ferramentas disponíveis para casos específicos é o Amber Alert, protocolo de alerta rápido criado para auxiliar na localização de crianças e adolescentes desaparecidos que estejam em situação de risco iminente de morte ou de lesão corporal grave.

De acordo com a Polícia Civil, Pernambuco aderiu ao Protocolo Amber Alerts em 2024, por meio de um acordo de cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram. O acordo prevê a utilização da ferramenta para responder aos desaparecimentos nas primeiras 24 horas.

 

O sistema funciona a partir da emissão de um cartaz com a fotografia e informações básicas da criança ou adolescente.

O alerta é distribuído nos feeds de usuários do Facebook e Instagram que estejam em um raio de até 160 quilômetros do local onde ocorreu o desaparecimento. A publicação pode permanecer ativa por até 24 horas ou ser cancelada antes, caso a pessoa seja localizada.

O acionamento, no entanto, não ocorre automaticamente em todo desaparecimento. O caso precisa atender aos critérios definidos pelo protocolo. Entre eles estão o desaparecimento de uma criança ou adolescente, a existência de risco iminente de morte ou lesão corporal grave e a disponibilidade de informações e fotografias que possam contribuir para a localização.

A ferramenta é considerada um recurso complementar às investigações. A Polícia Civil continua responsável pelo registro da ocorrência, pela apuração do caso, realização de diligências e definição das medidas necessárias para a localização.

Dados de desaparecidos no estado

De janeiro a julho de 2025, foram registrados 28 casos de crianças desaparecidas e 17 localizações. A quantidade de desaparecimentos caiu 3,57% neste ano. Já o número de crianças localizadas passou de 17 para 13. Em todo o ano passado, Pernambuco contabilizou 60 casos de desaparecimento de crianças, com 34 localizações.

Um dos casos mais recentes foi o de um menino de 11 anos, que desapareceu na manhã desta segunda-feira (17), em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O menino saiu de casa com um carrinho de mão para colocar o lixo na rua. Depois de fazer a primeira viagem, voltou para buscar o restante e não foi mais visto.

O desaparecimento mobilizou familiares e moradores do local. Durante a noite, um protesto da comunidade interditou a PE-1. O menino foi localizado por volta das 22h42, na orla de Olinda.

O desaparecimento mobilizou familiares e moradores do local. Durante a noite, um protesto da comunidade interditar a PE-1. O menino foi localizado por volta das 22h42, na orla de Olinda.

Em nota, a PCPE informou que a criança de 11 anos foi localizada por populares ainda na própria segunda-feira (17), em Olinda. As buscas foram iniciadas imediatamente após o registro do Boletim de Ocorrências (BO), na tarde do mesmo dia, na Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Criança e Adolescentes e Atos Infracionais de Paulista (DPCCAI).

A Polícia Militar esteve no local e permaneceu com o menino até a chegada dos familiares. Conforme a Polícia Civil, a corporação mantém uma atuação permanente na investigação e localização de crianças e adolescentes desaparecidos. O trabalho é realizado pelo Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), que possui estrutura especializada para o acompanhamento desses casos.

Dentro do departamento, o Setor de Desaparecidos reúne informações, realiza diligências e articula recursos para auxiliar na localização das pessoas.

A ocorrência pode ser registrada em qualquer delegacia da Polícia Civil. A orientação é que o desaparecimento seja comunicado imediatamente. Não é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar o caso.

A recomendação é que os familiares apresentem o máximo possível de informações, como uma fotografia recente e de boa resolução, características físicas, roupas usadas pela criança ou adolescente, horário e local onde foi vista pela última vez e outros dados que possam ajudar na investigação.

 

O que fazer em caso de desaparecimento

A Polícia Civil reforça que a família não deve esperar para comunicar o desaparecimento. O registro pode ser feito imediatamente em qualquer delegacia.

A Lei Federal nº 13.812/2019 estabelece a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e considera desaparecida a pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa, até que seja localizada e identificada.

Além do registro da ocorrência, familiares devem fornecer informações que possam acelerar as buscas. Uma fotografia atualizada, por exemplo, é importante tanto para a investigação quanto para eventual utilização do Amber Alert.

Nos casos em que houver possibilidade de acionamento do protocolo, também são avaliados o caráter recente e não voluntário do desaparecimento, a situação de risco iminente, a existência de fotografia e a autorização dos responsáveis para divulgação da imagem.

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