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Compras com cartão eram canceladas após retirada de mercadorias em golpe contra hortifruti no Recife

Operação Caixa Vazio cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Recife, Jaboatão dos Guararapes e Vitória de Santo Antão; um investigado foi preso em flagrante com 21 munições de calibre .40

Cadu Silva

Publicado: 19/08/2026 às 15:03

Delegado Alfredo Jorge, gestor do Depatri; delegado Paulo Dias, gestor adjunto da DIM; e a delegada Lígia Cardoso, adjunta da Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato (DPRE)/Foto: Amanda Galvão Ascom/PCPE

Delegado Alfredo Jorge, gestor do Depatri; delegado Paulo Dias, gestor adjunto da DIM; e a delegada Lígia Cardoso, adjunta da Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato (DPRE) (Foto: Amanda Galvão Ascom/PCPE)

Uma fraude contra uma empresa do ramo de hortifruti levou a Polícia Civil de Pernambuco a deflagrar, na manhã desta quarta-feira (19), a Operação Caixa Vazio. Segundo as investigações, suspeitos realizavam compras com cartões de crédito regulares, retiravam as mercadorias e, depois, os valores eram cancelados ou reduzidos no sistema da empresa por meio do acesso de um funcionário. O prejuízo identificado até o momento é de aproximadamente R$ 90 mil.

Os detalhes da operação foram apresentados pela delegada Lígia Cardoso, adjunta da Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato.

“Foi identificado um esquema em que as compras eram realizadas normalmente, mas posteriormente havia a manipulação do sistema para cancelamento ou alteração dos valores, após a retirada dos produtos”, afirmou a delegada.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Recife, Jaboatão dos Guararapes e Vitória de Santo Antão. Um dos investigados, localizado no bairro do Jordão, no Recife, foi preso em flagrante após a polícia encontrar 21 munições de calibre .40, de uso restrito.

Como funcionava o golpe

De acordo com a delegada, as compras eram feitas normalmente nas lojas da empresa. Os suspeitos utilizavam cartões de crédito considerados idôneos, efetuavam o pagamento e retiravam as mercadorias. Depois que os produtos deixavam o estabelecimento, os valores eram alterados ou as compras eram canceladas no sistema.

“Os investigados se dividiam em funções: havia quem realizava as compras, quem retirava os produtos e um funcionário que tinha acesso ao sistema e fazia as alterações ou cancelamentos”, explicou Lígia Cardoso.

A investigação identificou diferentes funções dentro do grupo. Um funcionário da empresa tinha acesso ao sistema e seria responsável por realizar os cancelamentos ou alterações. Outros investigados faziam as compras e retiravam os produtos. Havia ainda uma pessoa apontada como responsável pelo apoio logístico, incluindo o aluguel de veículos utilizados no transporte das mercadorias.

Segundo a polícia, a maior parte dos produtos adquiridos era formada por packs de cerveja, por serem mercadorias com maior facilidade de revenda.

“Os investigados, segundo o que foi apurado, alegam que não tinham conhecimento da fraude e que apenas realizavam compras e entregas de mercadorias de forma regular”, acrescentou a delegada ao comentar as versões apresentadas pelos suspeitos.

As irregularidades foram identificadas após uma auditoria realizada pela própria empresa. Segundo a Polícia Civil, os fatos investigados ocorreram entre setembro de 2022 e outubro de 2023, período em que foram registrados diversos cancelamentos e alterações de valores após a retirada dos produtos.

A partir disso, os investigadores analisaram informações de diferentes fontes e imagens do sistema de videomonitoramento das lojas. Também foi realizada perícia de reconhecimento facial para identificar pessoas que apareciam nas gravações.

A polícia afirma que os investigados foram identificados nas imagens e que as diligências permitiram estabelecer vínculos entre os integrantes do grupo. As medidas cautelares foram solicitadas à Justiça e cumpridas nesta quarta-feira (19).

Durante a operação, foram apreendidos dois notebooks e três aparelhos celulares. O material será analisado pelos investigadores para buscar novas informações sobre a atuação do grupo, os vínculos entre os envolvidos e a possível participação de outras pessoas.

A Polícia Civil considera esta a primeira fase da investigação. A partir da análise dos equipamentos e de outros elementos recolhidos durante as buscas, novos envolvidos podem ser identificados.

Prisão em flagrante

O investigado preso no Jordão era alvo de um dos mandados de busca e apreensão. Segundo a polícia, ele participaria da execução da fraude, realizando compras e retirando as mercadorias.

No imóvel, foram encontradas 21 munições de calibre .40, de uso restrito. Por causa do material, ele foi autuado em flagrante com base no Estatuto do Desarmamento e será encaminhado para audiência de custódia, quando a Justiça vai analisar a situação da prisão.

Os demais investigados permanecem sob apuração. A Polícia Civil ainda vai analisar o material apreendido para aprofundar a investigação e verificar se outras pessoas participaram do esquema ou se houve outras fraudes além das já identificadas.

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