° / °
Vida Urbana
MOBILIDADE

Doze anos após instituição do Plano Diretor Cicloviário, nenhuma cidade do Grande Recife atingiu 100% das metas

Formulado em 2014 pelo Governo do Estado em parceria com 14 municípios do Grande Recife, o Plano Diretor Cicloviário previa a construção de 590 quilômetros de ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas até 2024. Recife foi a cidade que mais avançou, chegando a executar 83% das metas previstas

Bartô Leonel

Publicado: 19/08/2026 às 08:02

Pessoas se locomovendo de bicicleta/Rafael Vieira/DP Foto

Pessoas se locomovendo de bicicleta (Rafael Vieira/DP Foto)

Celebrado nesta quarta-feira (19), o Dia Nacional do Ciclista é uma importante data para relembrar e discutir medidas de segurança que visam proteger e incentivar a prática de se locomover de bicicleta, como é o caso do Plano Diretor Cicloviário (PDC), que mesmo 12 anos após sua implementação, nenhuma cidade do Grande Recife conseguiu atingir 100% das metas previstas para serem executadas até 2024.

Criado em 2014, em parceria do Governo de Pernambuco com 14 municípios do Grande Recife, o Plano previa a construção de 590 quilômetros de ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas na Região Metropolitana até 2024.

O plano previa ainda interligar a rede cicloviária aos terminais de ônibus e às estações de metrô, além de instalar 60 bicicletários em espaços onde há circulação de transporte público, algo que totalizaria cerca de 19 mil vagas.

Porém, passados dois anos da data limite para cumprir as ações, boa parte das intervenções não foram executadas. Segundo a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), pasta que ficou responsável pelo PDC após o fim da Secretaria Estadual de Cidades, o Recife foi o município que mais avançou na implantação da infraestrutura esperada.

Segundo dados da Prefeitura do Recife, a capital pernambucana conseguiu atingir 83% da infraestrutura que constava no Plano para a cidade, contando atualmente com cerca de 206 quilômetros de malha cicloviária, dos quais cerca de 195 quilômetros são conectados, integrando as zonas Norte, Oeste, Centro e Sul da cidade.

Problemas relatados por ciclistas do Recife

Apesar do Recife ser a cidade que mais avançou no cumprimento de metas previstas pelo Plano Diretor Cicloviário, ciclistas que circulam diariamente pelas ciclovias e ciclofaixas relatam problemas com o uso desses equipamentos, principalmente pela falta de respeito de motociclistas e motoristas.

“A infraestrutura das ciclovias e ciclofaixas são boas aqui no Recife, mas o problemas é a pouca fiscalização para imprudências feitas por motoristas e motociclistas. Muitas vezes, acabo passando por situações em que tenho que dividir a ciclofaixa com carros e motos. Não basta dar um foco apenas na infraestrutura, tem que adotar medidas para que os ciclistas sejam respeitados”, destacou o vendedor Glebson Ramos, de 28 anos, que utiliza diariamente a bicicleta para se deslocar ao trabalho e à faculdade.

Por meio de nota, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que vem intensificando as ações de fiscalização para coibir que motoristas e motociclistas circulem ou estacionem em ciclofaixas. 

Além disso, a CTTU destacou que, no ano passado, o número de autuações dessa natureza aumentou cerca de 155% em comparação com 2024.

Desrespeito e vias ruins em outras cidades

Esse tipo de problema também é relatado pelo adestrador de cães, Jouber Moraes, de 45 anos, que circula frequentemente de bicicleta por Recife, Olinda, Paulista e até Abreu e Lima. Segundo ele, o desrespeito no trânsito é um dos principais problemas enfrentados pelos ciclistas.

“Você tem que se disponibilizar a disputar espaço com carros. É complicado a falta de respeito dos motoristas, porque se você estiver em uma via com asfalto bom, eles passam muito rápido e na maioria das vezes ultrapassam o limite de um metro e meio. Isso provoca medo nos ciclistas,” reclamou.

Com relação a infraestrutura das ciclovias, Jouber afirma que a situação vai piorando à medida que vai se afastando do Recife.

“O não cumprimento do Plano Diretor faz com que os municípios não se interliguem por ciclofaixas e ciclovias. E isso complica o deslocamento entre as cidades. Sem contar com a infraestrutura das ciclovias, que vai piorando à medida que você vai se afastando da capital".

De acordo com a Prefeitura de Olinda, a cidade conta com cerca de 17 km de estrutura cicloviária em operação, além de 4 km de estrutura cicloviária operacional. Esse quantitativo, segundo a gestão municipal, representa menos de 50% do previsto pelo Plano Diretor Cicloviário de Olinda.

Por meio de nota, a Prefeitura de Paulista informou que o município conta atualmente com aproximadamente 5,5 km de ciclovias e ciclofaixas à disposição da população. Não foi informado o quanto essa quilometragem representa no Plano Diretor Cicloviário previsto para a cidade.

Ambas as cidades afirmaram que trabalham para viabilizar novos investimentos e ampliar a infraestrutura cicloviária.

Por meio de nota, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura informou que o Estado vem trabalhando para que os municípios avancem de forma articulada. Ainda na nota, a pasta destacou que Plano Diretor Cicloviário está sendo atualizado no âmbito do Plano de Mobilidade da RMR, conduzido pela UFPE em parceria com a CONDEPE/FIDEM, e que a SEMOBI contratou a Ameciclo para realizar uma pesquisa de contagem de ciclistas nas principais vias da RMR.

A reportagem também procurou a Prefeitura de Jaboatão dos Guarapes, uma das quatro cidades mais populosas da RMR, para saber o quanto foi cumprido o Plano Diretor Cicloviário, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas