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Vida Urbana

Mães protestam no Palácio e cobram investigação sobre mortes de crianças

Famílias denunciam supostas falhas no atendimento de hospitais e pedem respostas; manifestantes se reuniram na frente do Palácio do Campo da Princesas, no bairro de Santo Antônio , área Central do Recife

Cadu Silva

Publicado: 10/08/2026 às 14:34

As famílias entregaram relatos e cobraram investigação da Polícia Civil e do Cremepe/Nicolle Gomes/DP

As famílias entregaram relatos e cobraram investigação da Polícia Civil e do Cremepe (Nicolle Gomes/DP)

Mães de crianças que morreram após atendimentos em hospitais particulares e públicos do Recife realizaram um protesto, na manhã desta segunda-feira (10), em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. As famílias entregaram relatos e cobraram investigação da Polícia Civil e do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

Uma das manifestantes é Raiza Kawani, de 27 anos, que perdeu o primeiro filho em junho deste ano. Segundo ela, com 36 semanas e seis dias de gestação, procurou atendimento após perceber a saída do tampão mucoso, mas afirma que teve a internação negada e não recebeu a medicação para maturação pulmonar do bebê.

Raiza relata que passou a noite no hospital e só conseguiu ser internada no dia seguinte. O bebê nasceu com 1,5 kg, apresentou dificuldade respiratória e foi levado para a UTI. Segundo a mãe, o laudo apontou sepse e choque séptico.

“Eu entrei em uma maternidade esperando sair com o meu bebê. Ninguém escolhe entrar em uma maternidade para sair com o braço vazio”, afirmou.

Ela também questiona informações registradas no prontuário e afirma que descobriu posteriormente que havia sido diagnosticada com um quadro inicial de pré-eclâmpsia. “Eu quero resposta pelo que aconteceu com o meu filho. Teve violência obstétrica comigo e negligência com meu filho”, disse.

Outra mãe, Thaís Paulino, de 29 anos, também participou do protesto. Ela cobra respostas sobre a morte do filho de 1 ano, ocorrida em janeiro de 2025, após atendimento em um hospital da rede privada do Recife.

Segundo Thaís, o filho foi internado com pneumonia e precisou passar por um procedimento para instalação de um acesso central. Após o procedimento, a criança apresentou dificuldade respiratória. A mãe afirma que, posteriormente, a equipe informou que os dois pulmões do menino haviam sido perfurados, provocando um pneumotórax bilateral.

Miguel passou por uma cirurgia para drenagem dos pulmões, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória após retornar à UTI e morreu.

“O hospital só faz mentir para a gente. Disseram que tinham demitido a médica, mas depois soubemos que ela continuava trabalhando lá”, afirmou Thaís.

A família encaminhou o corpo ao SVO e, posteriormente, ao Instituto de Medicina Legal (IML). Thaís afirma que o inquérito policial e a apuração no Cremepe ainda não foram concluídos.

“Não queremos que fique por isso mesmo. Queremos que investiguem as mortes e que a Polícia Civil e o Cremepe concluam as investigações”, disse.

As famílias afirmam que o objetivo do protesto é obter respostas sobre as circunstâncias das mortes e cobrar providências dos órgãos responsáveis. Uma comissão foi recebida no Palácio do Campo das Princesas.

O que diz o Governo do Estado

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTI), informa que recebeu, na manhã desta segunda-feira (10), no Palácio do Campo das Princesas, uma comissão de mães que levantou questionamentos sobre o atendimento recebido na rede pública de saúde municipal, estadual e de planos de saúde.

A rede pública de saúde é organizada em diferentes níveis de atenção e complexidade. A atenção primária, que engloba o pré-natal, é de responsabilidade das gestões municipais; a atenção de média complexidade envolve a atuação da rede estadual e municipal de saúde; e a atenção de alta complexidade conta com a participação das diferentes esferas de gestão do SUS, conforme as competências estabelecidas na legislação.

Em resposta às demandas apresentadas pelo coletivo, o Governo informa que as denúncias ocorridas nos hospitais estaduais foram formalmente recebidas pelas Secretarias e serão encaminhadas aos trâmites cabíveis, com apuração individual dos casos relatados. O coletivo também solicitou o fortalecimento das políticas de segurança do paciente e a capacitação das equipes de saúde, pautas que já integram o compromisso institucional da SES-PE.

A Secretaria reitera que os casos relatados pelo grupo ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes.

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