Compesa fará parada no Sistema Tapacurá que afetará 852 mil pessoas do Grande Recife
Intervenção entre os dias 22 e 25 de julho vai mobilizar 20 frentes de serviço para modernizar estação de tratamento, interligar novas adutoras e executar manutenções em três municípios
Publicado: 15/07/2026 às 18:40
Barragem de Tapacurá (Foto: Teresa Maia/Arquivo DP Foto)
A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) vai interromper temporariamente a operação do Sistema Tapacurá entre os dias 22 e 25 de julho para realizar uma série de intervenções estruturantes que devem impactar o abastecimento de água de 852 mil pessoas em áreas de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe. Ao todo, 134 bairros serão afetados.
A paralisação programada, anunciada nesta quarta-feira (15), custa R$ 1 milhão e terá duração máxima prevista de 72 horas. Os reparos são considerados necessários para a modernização de uma estação de tratamento com quase 50 anos de funcionamento, além da interligação de novas adutoras e execução de serviços de manutenção que, segundo a companhia, devem ampliar a oferta de água e melhorar a regularidade do abastecimento na Região Metropolitana.
Ao todo, serão mobilizadas 20 frentes de serviço, que atuarão simultaneamente em diferentes pontos do sistema. Entre as principais intervenções estão a interligação de uma nova adutora em Viana, em Camaragibe; a implantação da chamada Duplicação da Alça Norte, voltada para reforçar o abastecimento dos morros da Zona Norte do Recife; a modernização da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Tapacurá; a instalação de novos equipamentos eletromecânicos; além de manutenções preventivas e corretivas e ações de combate a perdas por vazamentos.
Segundo a Compesa, a interrupção é indispensável porque os serviços de interligação exigem o esvaziamento das tubulações e adutoras.
“Esse período é mais favorável para uma paralisação desse tipo, principalmente por causa das férias escolares. Já passou um pouco do período de chuvas e conseguimos preparar melhor toda a operação para garantir o segundo semestre com mais segurança. Para fazer as interligações, as linhas precisam estar vazias. É um serviço que envolve solda, flangeamento e outras operações que obrigatoriamente precisam ser feitas sem água na tubulação”, afirmou o presidente da Compesa, Douglas Nóbrega.
Apesar do número de pessoas impactadas, a companhia ressalta que nem todos os consumidores ficarão completamente sem abastecimento. Em parte das localidades haverá apenas redução de pressão na rede, enquanto bairros atendidos exclusivamente pelo Sistema Tapacurá poderão registrar interrupção temporária no fornecimento.
De acordo com o diretor de Produção e Planejamento Operacional da Compesa, Flávio Coutinho, a modernização da ETA Tapacurá é uma necessidade diante da idade da estrutura.
“Existem equipamentos que permanecem desde a época da inauguração. Essa modernização vai melhorar a qualidade da água tratada, ampliar a oferta de água para a população e reduzir perdas no sistema”, explicou.
Segundo ele, as intervenções também vão beneficiar os morros da Zona Norte do Recife e Camaragibe, além de contribuir para maior regularidade no abastecimento em diversas áreas da Região Metropolitana.
O presidente destacou ainda que nem toda a Região Metropolitana depende exclusivamente do Sistema Tapacurá. Durante a paralisação, permanecerão em operação outros sistemas de abastecimento, como a Estação de Tratamento de Água do Alto do Céu, responsável pelo fornecimento para parte dos morros e bairros como Arruda e Campo Grande, além de áreas abastecidas por poços.
Plano de contingência
Para reduzir os impactos da paralisação, a Compesa montou um plano de contingência que prevê a atuação de mais de 20 carros-pipa, circulando praticamente 24 horas por dia durante todo o período da intervenção.
A prioridade será o abastecimento de hospitais, unidades de saúde e demais serviços essenciais. Também serão instalados pontos de abastecimento por carros-pipa distribuídos pela cidade, que funcionarão continuamente. O Corpo de Bombeiros receberá a localização desses pontos para utilização em eventuais ocorrências de incêndio.
A diretora da Regional Metropolitana e Matas da Compesa, Isabele Souto, afirmou que o planejamento foi elaborado com base em experiências anteriores, especialmente na parada operacional do Sistema Pirapama, realizada no ano passado.
“Mantendo essa mesma estratégia, conseguimos mitigar os impactos enquanto as 20 frentes de serviço executam as intervenções no Sistema Tapacurá”, disse.
Segundo a companhia, a normalização do abastecimento ocorrerá de forma gradual, conforme a conclusão dos serviços e os calendários de distribuição de água de cada área atendida.
Além da população, 52 grandes clientes serão comunicados sobre a interrupção do abastecimento. De acordo com a Compesa, a lista inclui hospitais, UPAs, universidades, quartéis, presídios, terminais integrados e órgãos públicos, distribuídos entre as gerências Oeste (22 unidades), Leste (17), Centro (8) e Sul (5).
Entre eles estão o Hospital da Restauração, Hospital das Clínicas, IMIP, Hospital da Mulher, Hospital Português, Hospital Memorial Jaboatão, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Funase, Arena Pernambuco e Palácio do Governo. Essas instituições serão atendidas prioritariamente pelo plano de contingência durante a paralisação.
Confira as localidades que serão afetadas: