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Grupo suspeito de furtar lojas do O Boticário movimentou R$ 11,8 milhões, diz Polícia Civil

Operação Fragrância Criminosa prendeu 11 investigados e revelou esquema de furtos a perfumarias e instituições financeiras em quatro estados do Nordeste, além de lavagem de dinheiro

Cadu Silva

Publicado: 15/07/2026 às 15:03

Operação Fragrância do Crime foi divulgada nesta quarta-feira (15), na sede da Polícia Civil/ASCOMPCPE/VitorDutra

Operação Fragrância do Crime foi divulgada nesta quarta-feira (15), na sede da Polícia Civil (ASCOMPCPE/VitorDutra)

A organização criminosa investigada por furtos qualificados a lojas da rede O Boticário e a instituições financeiras movimentou mais de R$ 11,8 milhões em contas bancárias ao longo de aproximadamente dois anos, segundo a Polícia Civil de Pernambuco. O grupo foi alvo da Operação Fragrância Criminosa, deflagrada na terça-feira (14), com o objetivo de desarticular o esquema de furtos e lavagem de dinheiro.

Os detalhes da ação foram apresentados na manhã desta quarta-feira (15) pelo delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos, João Paulo Andrade.

Ao todo, a Justiça expediu 14 mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão. Onze investigados foram presos e três permanecem foragidos. Também foi determinado o bloqueio de R$ 2,4 milhões em bens e ativos financeiros, além do sequestro de uma caminhonete HR utilizada para transportar as mercadorias furtadas.

Segundo as investigações, o líder da organização é Lucas Barros Ferreira Souza, de 31 anos. Outro alvo considerado peça-chave é Victor Henrique de Carvalho, conhecido como "Vitinho", também de 31 anos, apontado como executor dos furtos e responsável pela movimentação financeira do grupo.

Esquema começou após furto a banco

As investigações tiveram início em outubro de 2025, após o arrombamento de uma agência do Sicredi, em Camaragibe. Os criminosos violaram o cofre com ferramentas elétricas e furtaram cerca de R$ 20 mil, além de um colete balístico, armamentos e munições da equipe de segurança.

A partir desse caso, a Delegacia de Roubos e Furtos identificou veículos com placas adulteradas, reboques alugados em nome de terceiros e toda a logística utilizada pela quadrilha.

"Essa organização criminosa foi identificada por meio do monitoramento dos veículos utilizados nos furtos contra redes de perfumaria e instituições financeiras. Conseguimos identificar veículos com placas adulteradas, reboques registrados em nome de terceiros e toda a logística empregada para dificultar as investigações", afirmou o delegado João Paulo Andrade.

Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, o grupo realizou oito ações, entre furtos consumados e tentativas. Após o ataque à agência bancária, os criminosos passaram a concentrar as investidas em lojas da rede O Boticário nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Somente uma unidade da rede, em Olinda, teve prejuízo superior a R$ 1,8 milhão em perfumes e cosméticos furtados. Também foram identificados ataques em Atalaia (AL), Mamanguape (PB) e Parnamirim (RN).

Lavagem de dinheiro

A investigação aponta que a organização era dividida em três núcleos: um responsável pelos arrombamentos; outro por desligar a energia elétrica dos estabelecimentos e inutilizar câmeras de segurança e sistemas de alarme; e um terceiro encarregado da lavagem do dinheiro obtido com a revenda das mercadorias.

Segundo o delegado, a movimentação financeira incompatível com a renda declarada pelos investigados chamou a atenção da polícia.

"O valor total movimentado nas contas bancárias identificadas como pertencentes ao grupo criminoso supera R$ 11,8 milhões. Isso em um período de aproximadamente dois anos", afirmou.

De acordo com a Polícia Civil, a organização utilizava a técnica conhecida como smurfing, que consiste em fracionar grandes quantias em diversos depósitos menores para dificultar o rastreamento da origem dos recursos antes de reinseri-los na economia formal.

As investigações apontam que Victor Henrique de Carvalho era o principal operador financeiro da organização. Sozinho, ele movimentou R$ 2,1 milhões entre outubro de 2024 e janeiro de 2026, embora tenha renda mensal declarada de apenas R$ 2.125,09.

Ainda segundo o inquérito, "Vitinho" transferiu mais de R$ 720 mil para outros investigados. O maior beneficiário foi Paulo Vyctor dos Santos Silveira, de 21 anos, que recebeu cerca de R$ 609 mil em 170 transferências. Também receberam valores Willian Pessoa Serafim de Lima, com aproximadamente R$ 93,8 mil, e Jefferson Santana de Souza, com R$ 19,7 mil.

Alvos

Além de Lucas Barros Ferreira Souza, Victor Henrique de Carvalho, Paulo Vyctor dos Santos Silveira, Willian Pessoa Serafim de Lima e Jefferson Santana de Souza, também tiveram a prisão preventiva decretada David Nóbrega de Lima; Jadeilson de Jesus Barbosa da Silva; Erik de Melo Silva; Diane Carneiro dos Santos; Williams Rafael do Carmo Moreira; Rosane do Nascimento Silva; Pablo Henrique Magalhães da Silva; Elisa Camila Barros da Silva e José Vicente da Silva Carneiro.

Os mandados foram cumpridos no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Abreu e Lima, Caruaru, no Complexo do Curado e em Itajaí, em Santa Catarina. O investigado preso naquele estado já havia sido detido anteriormente pelo furto à agência bancária de Camaragibe e voltou a ser preso por suspeita de lavagem de dinheiro.

As investigações prosseguem para localizar os três foragidos e identificar toda a rede de receptadores responsável pela comercialização dos produtos furtados.

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