Irmãs ligadas ao tráfico são presas por coagir moradores a contratar internet no Recife
As irmãs foram identificadas como Angélica e Amanda; elas têm parentesco com integrantes da quadrilha denominada Bonde dos Irmãos Metralha, que atua na Comunidade do Detran
Publicado: 02/07/2026 às 13:06
Polícia Civil cumpriu mandados na Comunidade do Detran, na Iputinga (DIVULGAÇÃO/PCPE)
Deflagrada nesta quinta (2), na Comunidade do Detran, na Iputinga, na zona oeste do Recife, a Operação Cerco estratégico desmontou um esquema criminoso de coação de moradores para uso de sistemas internet na área.
Segundo a Polícia Civil pernambucana, entre os alvos da operação que foram presos estão duas irmãs, responsáveis pelo comando do crime na localidade.
Identificadas como Angélica e Amanda, elas têm parentesco com integrantes da quadrilha denominada Bonde dos Irmãos Metralha.
Essa organização atua também na Ilha do Bananal, considerado o “quartel-general” da criminalidade na área da Comunidade do Detran.
Na operação, foram cumpridos três mandados de prisão. Além de Amanda e Angélica, a polícia autuou o detento Natanael, um dos chamados “irmãos metralhas”.
A polícia foi ao Centro de Observação (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, onde ele está preso, para cumpri o mandado.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar. Um dos alvos foi a casa de uma das mulheres, considerada pela polícia uma “verdadeira fortaleza”.
Em entrevista coletiva concedida no fim da manhã desta quinta, o delegado Ney Luiz informou que Angélica era a companheira de Leo Shazam, o líder do grupo, que foi morto em Alagoas.
Ainda de acordo com a polícia, Romário Lucas da Silva é um dos líderes que ainda está foragido. Ele é conhecido na área como Pelé e tem três mandados em aberto.
As irmãs
O delegado Ney Luiz informou que Angélica e Amanda eram as donas da empresa que prestava serviços de internet na área. Elas coagiam as pessoas a usar os sistemas fornecidos pela quadrilha, considerado de baixa qualidade.
“Elas tinham ligação com o tráfico. Era um recurso extra do grupo criminoso. Estamos apurando o crime de lavagem de dinheiro, pois há movimentações bancárias suspeitas delas”, afirmou.
Operação
O delgado Ney Luiz disse que as equipes tiveram dificuldade de entrar na “fortaleza” das irmãs, na comunidade.
Ainda segundo ele, as irmãs determinavam que o sistema de internet só podia ser comprado à empresa delas.
“Não deixavam outra empresa operar na área. Houve a tentativa de instalação do estado paralelo na área”, acrescentou.
A ação Cerco Estratégico é um desdobramento da Operação Iara, que começou em maio deste ano.
No primeiro mês da operação, a polícia prendeu 17 suspeitos e apreendeu 17 armas de fogo, mais de 3,7 mil munições e drogas.
As investigações apontaram que a área funcionava como um centro de distribuição de drogas para outras localidades da Região Metropolitana do Recife, além de servir como base para integrantes do grupo investigado.