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Vida Urbana
TUBARÃO

Um mês após incidentes com tubarões, medo ainda afasta banhistas de Piedade e Boa Viagem

A equipe do Diario de Pernambuco esteve nos locais e presenciou praias com menos banhistas, medo persistente entre frequentadores e postos de guarda-vidas em diferentes condições de conservação

Cadu Silva

Publicado: 30/06/2026 às 22:20

Placas avisam sobre áreas sujeitas a ataques de tubarão no litoral pernambucano/Foto: Rafael Vieira/DP Foto

Placas avisam sobre áreas sujeitas a ataques de tubarão no litoral pernambucano (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Um mês após o incidente com um tubarão-cabeça-chata que deixou um menino de 11 anos ferido na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e às vésperas de completar um mês do incidente com um tubarão-tigre que vitimou a estudante de Direito Marcela Vitória, de 19 anos, na Praia de Boa Viagem, no Recife, o cenário nas duas localidades ainda é de cautela. O receio de entrar no mar permanece entre moradores e turistas, enquanto parte da estrutura destinada ao salvamento continua apresentando problemas.

A equipe do Diario de Pernambuco esteve no início da tarde desta terça-feira (30) na Praia de Piedade, no trecho onde ocorreu o incidente com a criança, para saber como trabalhadores e banhistas estavam lidando com a situação.

A princípio, foi possível observar uma praia parcialmente vazia, com poucos banhistas na faixa de areia. Nenhum deles entrou no mar durante o período em que a reportagem permaneceu no local.

Também chamou atenção a ausência de equipes do Corpo de Bombeiros e de guarda-vidas no trecho visitado. Apesar disso, o local contava com a presença de quatro placas alertando para o risco de incidentes com tubarões.

Há 20 anos trabalhando na praia, o comerciante Alexandre Paulo de Souza afirma que, desde o incidente, reforça diariamente os alertas aos frequentadores. Segundo ele, moradores, turistas de outros estados e até visitantes estrangeiros recebem orientação para não entrar no mar, principalmente quando a água está turva ou barrenta.

“O pessoal chega de São Paulo, do Rio de Janeiro e até de outros países. Eu sempre aviso para não tomar banho. A água fica escura e é desse jeito que o tubarão costuma atacar”, relatou.

Alexandre também presenciou o incidente no final do mês passado. “Eu estava trabalhando quando ouvi os gritos. Todo mundo correu para ajudar. Foi uma agonia muito grande até a chegada dos bombeiros”, lembrou.

Apesar da preocupação, ele afirma que o comércio foi pouco afetado. “Depois do ataque caiu um pouco, mas não foi tanto quanto aconteceu depois do caso de Boa Viagem.”

Medo ainda faz parte da rotina

Quem frequenta diariamente a orla também admite que o medo mudou os hábitos. A trabalhadora Marivânia, de 50 anos, conta que continua indo à praia praticamente todos os dias, mas evita entrar no mar.

“O medo existe. A gente fica na areia, pega um sol, mas entrar na água agora é diferente.”

Já Eduardo Vicente, de 25 anos, afirma que a vontade de tomar banho de mar permanece, mas o receio fala mais alto. “Dá vontade de entrar, mas a gente fica pensando no que aconteceu. Hoje eu prefiro ficar só na areia.”

Segundo os entrevistados, o movimento diminuiu bastante nas semanas seguintes aos incidentes, principalmente entre turistas.

Vítimas seguem internadas

Nesta quarta-feira (1º), também completa um mês do incidente com um tubarão-tigre que vitimou a estudante de Direito Marcela Vitória, de 19 anos, na Praia de Boa Viagem.

Segundo a família, a jovem permanece internada no Hospital da Restauração, no Recife, sem previsão de alta médica.

Apesar de ainda necessitar de acompanhamento hospitalar, Marcela apresenta evolução no quadro clínico. Ela iniciou sessões de fisioterapia e já conseguiu dar os primeiros passos utilizando muletas.

A estudante continua fazendo uso de medicações e deverá passar por uma nova cirurgia plástica futuramente. O procedimento permitirá a colocação de uma prótese definitiva, buscando proporcionar maior conforto durante a recuperação. Ainda não há previsão para a realização da cirurgia.

Já o menino de 11 anos mordido em Piedade está se recuperando de uma cirurgia que fez no tendão da mão esquerda e está fazendo fisioterapia. De acordo com o avô dele, Manoel Genésrio, o menino irá mudar de residência por conta da necessidade de mais acessibilidade. O objetivo é que ele ande com apoio de muletas e consiga uma prótese.

Postos de guarda-vidas apresentam situações distintas

A equipe do Diario também percorreu os seis postos de guarda-vidas existentes entre o Parque Dona Lindu e a Praia do Pina.

No Posto 6, a estrutura permanece em situação de abandono. O equipamento está sem escada de acesso, apresenta sinais de deterioração e um tecido cobre a entrada, dando a impressão de que o espaço esteja sendo utilizado como abrigo. Não havia guarda-vidas no local.

O Posto 5 também apresenta pichações, sinais de vandalismo e ausência de escada. Apesar disso, guarda-vidas realizavam normalmente o monitoramento da faixa de areia.

Já o Posto 4, localizado nas proximidades do Quiosque 21, onde ocorreu o incidente com tubarão-tigre que vitimou Marcela Vitória ,estava em funcionamento. Bombeiros utilizavam normalmente a estrutura, que permanece protegida por tapumes nas janelas para evitar invasões. Um jetski também estava posicionado próximo ao equipamento.

No Posto 3, próximo ao Quiosque 14, a estrutura segue em processo de requalificação. Apesar dos tapumes, o posto já conta com escada, janelas novas e equipes de guarda-vidas atuando normalmente.

No Posto 2, havia guarda-vidas posicionados na parte inferior da estrutura, que continua apresentando pichações. Por fim, no Posto 1, próximo à Praia do Pina, também havia profissionais do Corpo de Bombeiros realizando o monitoramento da área.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com o Cemit para saber quais ações já estão em andamento para prevenir novos aatques, mas não obteve retorno.

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