Locação social no Centro do Recife via iniciativa privada deve estar disponível em três anos, diz diretor de consórcio
Consórcio vencedor do leilão da PPP Morar no Centro estima início das obras em cerca de oito meses após assinatura do contrato; locação social no Centro do Recife deve ficar disponível em três anos
Publicado: 27/05/2026 às 18:54
Projeto prevê novas construções e retrofit (reformas) de imóveis no Centro (Marina Torres/DP Foto)
A locação social prevista pela PPP Morar no Centro, projeto da Prefeitura do Recife voltado à ocupação habitacional da região central da cidade, deve começar a receber os primeiros moradores em aproximadamente três anos. A estimativa foi dada ao Diario de Pernambuco por Humberto Melo, diretor regional do Consórcio Habitação Social Recife, vencedor do leilão realizado na última terça-feira (26), na Bolsa de Valores Brasileira (B3), em São Paulo.
Composto por CPM Construtora e Sanco Engenharia, o consórcio ficará responsável, pelos próximos 25 anos, pela gestão de seis empreendimentos localizados nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga. A PPP prevê a entrega de 1.128 unidades habitacionais, das quais 56% serão destinadas à locação social. A iniciativa se dará através do retrofit (reforma) de prédios antigos e da construção de novos empreendimentos.
Segundo Humberto, o próximo passo após o leilão é a homologação do resultado e assinatura do contrato com a Prefeitura do Recife. Em seguida, o grupo deverá iniciar a fase de elaboração dos projetos executivos e obtenção das licenças necessárias.
“A gente começa os estudos, análise de solo, desenhos, investigações, aprovações junto à prefeitura, Corpo de Bombeiros e outros órgãos para poder iniciar as obras com alvará de construção”, afirma.
De acordo com ele, a expectativa é que os empreendimentos estejam aptos para início das obras em cerca de oito meses. "A gente estima que em três anos o projeto de locação possa receber seus primeiros moradores", destaca.
Gestão social
Além da construção e recuperação dos imóveis, a PPP também prevê a administração dos empreendimentos durante todo o período de concessão. Segundo Humberto, um dos diferenciais do modelo é justamente o acompanhamento continuado das famílias beneficiadas.
“A gente observa que muitos empreendimentos são entregues e, ao longo dos anos, vão se deteriorando por falta de manutenção. Essa modelagem prevê gestão condominial e gestão social”, afirmou.
Segundo ele, os moradores passarão por reavaliações periódicas de renda. A proposta é que a locação social funcione como uma etapa transitória para famílias em situação de vulnerabilidade.
“A pessoa pode entrar pagando R$ 200 e, ao longo do tempo, melhorar de vida. Se ela deixar de se enquadrar naquela faixa, passa a vez para outra família. O processo é vivo, dinâmico”, disse.
De acordo com o edital da PPP, os aluguéis sociais terão valores a partir de R$ 210. O projeto é voltado para famílias com renda de até R$ 4.942, residentes no Recife há pelo menos dois anos e que ainda não tenham sido contempladas por programas habitacionais.
Empreendimentos
O projeto inclui imóveis localizados nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga. Para cada um deles, a PPP exige contrapartidas específicas. Confira:
Pátio 304 (Santo Antônio): Requalificação de prédio para 89 unidades de locação social e obrigatoriedade de implantação de uma creche no pavimento térreo.
Dantas Barreto (São José): Intervenção mista (retrofit e nova construção) com 76 unidades de locação social.
Riachuelo-Saudade (Boa Vista): Construção em terrenos vazios para 88 unidades de locação social.
Cabanga (Norte e Sul): O setor Norte terá 384 unidades para locação social. O setor Sul, voltado à venda (387 unidades), inclui o encargo de construir a sede da Orquestra Criança Cidadã.
Siqueira Campos 259 (Santo Antônio): Reforma de edifício para 104 unidades destinadas à venda.