° / °
Vida Urbana
DP SOCIAL

Quando o diagnóstico de obesidade mórbida se transforma em ação coletiva em Olinda

Criada em 2019, a Associação Fitness da Periferia surgiu após a presidente do movimento, Rozangela da Silva, ser diagnóstica com obesidade mórbida, algo que fez ela desenvolver, junto com as amigas, o hábito de praticar atividades físicas e doar alimentos em Olinda, no Grande Recife

Bartô Leonel

Publicado: 27/05/2026 às 06:46

Segundo a presidente da associação, Rozangela da Silva, mais de 1,2 mil pessoas são beneficiadas mensalmente pelas ações de distribuição de alimentos e prática de atividades físicas.
/Foto: Reprodução / Redes sociais

Segundo a presidente da associação, Rozangela da Silva, mais de 1,2 mil pessoas são beneficiadas mensalmente pelas ações de distribuição de alimentos e prática de atividades físicas. (Foto: Reprodução / Redes sociais )

Receber o diagnóstico de uma doença crônica como a obesidade é sempre um ato doloroso que pode desencadear um desejo de mudança no hábito de vida dos pacientes. Porém, em alguns casos, essa vontade de mudar se torna algo coletivo e faz surgir, como no bairro de Peixinhos, em Olinda, a Associação Fitness da Periferia, que promove há sete anos atividades físicas na localidade e a distribuição de alimentos no Grande Recife.

Criada em 2019, a Associação surgiu após a presidente do movimento, Rozangela da Silva, ser diagnosticada com obesidade mórbida e decidir iniciar, junto com as amigas, a prática de atividades físicas no bairro.

“A ideia de fazer essa Associação surgiu em parceria com minhas amigas após eu ser diagnosticada com obesidade mórbida. Esse diagnóstico me impactou bastante e me deixou com muito medo. Comecei a praticar atividades físicas e passei a incentivar outras mulheres gordas e pretas da periferia para se juntar ao movimento de cuidado com a saúde. Daí surgiu o nome Fitness da Periferia”, explicou Rozangela da Silva.

Além dessa busca por hábitos saudáveis, a Associação abraçou a prática de doação de alimentos para famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade social do bairro, tornando essa atividade algo permanente no movimento.

Essa atitude, além dos sete anos de assistência social, fez com que a Associação integrasse o Unificados Pop Rua, coletivo que visa ampliar a atuação de movimentos que realizam doação de alimentos no Grande Recife.

Atrelado à doação de comida, a Associação promove, atualmente, aulas de atividades físicas em parceria com a Prefeitura de Olinda e atendimentos psicológicos. Em outros momentos, também foram realizadas na Associação diversas oficinas em parceria com o Sebrae.

“Nossas atividades físicas, que realizamos todas as terças e quintas pela manhã, tem como foco atualmente as pessoas idosas da comunidade, mas também atende qualquer público que quiser participar. A nossa ideia é proporcionar uma vida saudável, tirando algumas pessoas da depressão, da dependência de remédios e do comodismo”, destacou Rozangela da Silva.

Ainda segundo a presidente da associação, mais de 1,2 mil pessoas são beneficiadas mensalmente pelas ações de distribuição de alimentos e prática de atividades físicas.

Dificuldades

Apesar da Associação já possuir um CNPJ, existe uma dificuldade entre as integrantes de buscar recursos financeiros por meio de editais, fazendo com que todas as ações desenvolvidas sejam sustentadas financeiramente por elas próprias e por doações, que nem sempre são constantes.

“A gente não tem uma pessoa especificamente para nos inscrever em editais de captação de recursos. Isso traz uma certa dependência de doações e até mesmo de recursos de nós mesmas”, enfatizou Rozangela da Silva.

Além disso, a falta de mais voluntários impacta no desenvolvimento das atividades que são promovidas ao longo do ano

Apesar das adversidades, o sentimento de ajudar o bairro motiva as voluntárias a continuar com os trabalhos, que promovem o bem-estar físico e alimentar dos beneficiários.

“Em cada ação que realizamos, ficou com um sentimento de gratidão. O que eu a associação puder fazer pela nossa comunidade, mesmo que seja um pouquinho, eu irei fazer. Tenho a consciência de que não irei mudar o mundo, mas sei que posso mudar um pedacinho dele”, finalizou Rozangela da Silva.

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas