A união que proporciona acolhimento para pessoas em situação de rua no Recife
Há 10 anos, o Coletivo Unificados Pop Rua realiza distribuição de marmitas e potencializa ONG’s que ajudam pessoas em situação de rua no Recife
Publicado: 01/04/2026 às 06:00
ONG atua no atendimento direto às pessoas em condições de rua (DIVULGAÇÃO/COLETIVO UNIFICADOS POP RUA)
Comprovando a eficácia do ditado popular de que “a união faz a força”, o Coletivo Unificados Pop Rua proporciona, há 10 anos, no Recife, dignidade e acolhimento para pessoas em situação de rua.
Ele é responsável pela distribuição de marmitas, além de organizar e potencializar coletivos que buscam dar assistência a essa parcela da população que vivem nesta situação de extrema vulnerabilidade social.
A ideia de formar o coletivo surgiu em 2016, diante da necessidade de dinamizar e ampliar a atuação de grupos voluntários e Organizações Não Governamentais (ONGs) que já realizavam ações que beneficiavam pessoas em situação de rua no Recife.
“Inicialmente, fizemos um grupo simples no WhatsApp, com todos os projetos que a gente encontrava nas ruas, pra poder dividir melhor os locais e os dias de atuação de cada iniciativa. Era muito comum vários projetos passarem no mesmo dia, no mesmo local, enquanto que, em outras localidades, não passava ninguém, deixando essa pessoas desassistidas por essa falta de organização”, explicou o presidente do Unificados Pop Rua, Rafael Araújo.
Essa organização dos coletivos fez com que fosse idealizado um calendário de ações das iniciativas, a fim de evitar o desperdício de alimentos e melhorar a distribuição de voluntários e recursos a cada dia.
Além de planejar melhor as ações, o Coletivo faz uma ronda de distribuição de alimentos todas as quinta-feiras, que percorre ruas dos bairros de Santo Amaro, Boa Vista, Derby e Afogados. São produzidas e distribuídas 700 marmitas.
O Coletivo também auxilia na distribuição de alimentos na Casa do Pão, aos sábados pela manhã, e articula a doação de marmitas produzidas pela Prefeitura do Recife.
“Só com a ação direta do Unificados conseguimos atender 700 pessoas por semana. Agora, se juntarmos as nossas articulações, a gente consegue atender 1.500 por semana. Acho que, juntando todo mundo que faz parte do Coletivo e as atividades realizadas durante as semanas, conseguimos atender praticamente toda a população de rua de Recife, pelo menos, uma vez por mês”, afirmou Rafael.
Além disso, a sede da organização, localizada no bairro de Santo Amaro, na área central da capital pernambucana, serve como espaço colaborativo, onde algumas das 62 organizações que qua fazem parte do Coletivo utilizam o espaço para fazer as marmitas que serão distribuídas.
“Como a organização foi crescendo, a gente começou a servir de guarda-chuva para outros projetos que precisavam de um suporte, servindo como agente potencializador dessas iniciativas”, enfatizou o presidente do Coletivo.
Ações na pandemia e nas chuvas de 2022
Segundo Rafael Araújo, o ápice do Coletivo aconteceu durante a pandemia da Covid-19, no qual foi realizado uma ação conjunta com mais de 800 voluntários chamada “Todos Pela Rua”.
Ela atuava em duas frentes, sendo uma na linha de higiene pessoal e outra na distribuição de 250 refeições junto com o pessoal do Armazém do Campo.
“Fizemos essa ação de um ano na pandemia, no qual atuamos com higiene pessoal, em que formamos um local de banho e lavagem de roupas no Antigo Liceu, que foi cedido pela Unicap. No local, também tinha atendimento jurídico e de saúde. A nossa outra frente foi a distribuição de alimentos, junto com o pessoal do Armazém do Campo, no qual disponibilizamos cerca de 250 refeições por dia em plena pandemia”, relembrou.
Além da pandemia, o Coletivo também ajudou diversas famílias atingidas pelas chuvas de 2022, no Recife, incluindo a população em situação de rua, transformando o aréa do Liceu em um abrigo temporário.
No mesmo ano, segundo Rafael, a iniciativa também desenvolveu, junto com a ONG Samaritanos, um projeto piloto de moradia chamado “Casa para Toda Gente”, em que manteve, por três anos, 18 famílias que estavam no abrigo do Liceu em aluguéis de casas na Região Metropolitana do Recife (RMR).
“Uma boa parte dessas famílias hoje já tem autonomia, conseguiu superar a situação de rua e já conseguem pagar seus aluguéis. Elas já estão trabalhando. Tem gente que atua como pintor, entre outras profissões”, destacou.
Rafael revelou que existe a possibilidade de iniciar, ainda esse ano, uma segunda etapa do projeto de moradia.
Questão financeira
Segundo o presidente do coletivo, a organização sempre funcionou por meio de doações de pessoas físicas e de empresas. Porém, nos últimos dois anos, a iniciativa passou a receber apoio do Governo Federal e Estadual.
Apesar dessa ajuda da esfera pública, algumas ações do Coletivo não são atendidas por esses recursos, ficando dependentes de doações.
“A gente depende dessas doações, pois temos uma dinâmica e um fluxo diferente a cada ano. Tem um momento que se doa mais e tem outros que se doam menos, algo que faz surgir algumas dificuldades. Mesmo com esses recursos públicos, eles não conseguem atender todas as ações do Coletivo”, disse o presidente.
Apesar dessas dificuldades financeiras, a esperança de conseguir proporcionar uma mudança de vida dessa pessoas em situação de rua faz com que ele mantenha de pé essa união de projetos sociais.
“Faz mais de 25 anos que atuo como voluntário em ações de beneficia população em situação de rua e não consigo ser indiferente ao sofrimento dessas pessoas, sabendo que elas estarão nessa situação, mesmo com a distribuição de comida, enquanto volto pra casa. Por isso, tentamos sempre desenvolver e potencializar projetos que deem oportunidades para que essas pessoas possam sair dessa situação”, finalizou Rafael Araújo.