Motociclistas acidentados custaram R$ 24 milhões ao SUS nos últimos anos, diz Ministério da Saúde
Apenas em 2025, Pernambuco registrou 34.002 vítimas de sinistros de moto
Publicado: 27/04/2026 às 06:00
Nos quatro primeiros meses de 2026, 95 pessoas perderam a vida em acidentes com moto no estado (Foto: Rafaek Vieira/DP Foto)
Em Pernambuco, os atendimentos a vítimas de acidentes de moto nos hospitais públicos custaram R$ 24,4 milhões aos cofres públicos, no período de 2023 a 2025. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo Diario de Pernambuco junto ao Ministério da Saúde.
Segundo a pasta, a média anual de gastos é de R$8,1 milhões. Em 2025, o custo foi de R$ 9 milhões, enquanto em 2024 foram investidos R$ 10,4 milhões no tratamento desses pacientes no estado. Para fins de comparação, com os quase R$ 25 milhões gastos, seria possível construir mais de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), tomando como base tabela de custos compartilhada pelo Ministério da Saúde.
A nível nacional, os dados do Ministério da Saúde revelam a complexidade do tema: em levantamento divulgado em 2025, o governo federal revelou que as internações de motociclistas exigiram um gasto de mais de R$ 2 bilhões, ou seja, 55,2% do total investido em gastos hospitalares de vítimas de trânsito.
Vítimas
Politraumatismos, cortes, fraturas expostas e cirurgias são algumas das consequências com as quais os acidentados precisam lidar, além de prejuízos financeiros. Essa é a realidade do servidor público de Osvaldo Costa, de 60 anos, internado há 35 dias por conta de um acidente de moto. Sua situação ilustra a gravidade do problema.
Morador e natural da zona rural de Gravatá, no Agreste, Osvaldo foi atingido por um carro que vinha na contramão de uma pista local. A vítima teve fraturas expostas no punho, fêmur, tíbia e fíbula, do lado direito do corpo, além de fratura interna na tíbia esquerda.
Pernambuco registrou 34.002 vítimas de sinistros de moto em 2025 – uma média de 93 por dia. Até o dia 14 de abril de 2026, foram contabilizados 7.970, o que configura uma média diária de 77, segundo dados da Secretaria de Saúde do estado (SES-PE). O volume acumulado no período já equivale a 23,4% do total contabilizado em todo o ano passado.
As lesões de Osvaldo se enquadram no perfil mais comum dos sinistros de moto em Pernambuco. Fraturas e politraumatismos são as mais frequentes, segundo dados da SES-PE. Essas contusões, muitas vezes, são de tratamento delicado e consideradas graves, demandando internações extensas e cirurgias.
No caso de Osvaldo, foi necessário intervenção cirúrgica para reabilitação dos ossos. Desde o internamento, no dia 23 de março, no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, o paciente tem realizado um procedimento por semana. Ele segue sem previsão de alta.
Das vítimas registradas até 14 de abril deste ano, 3.563 sofreram fraturas e 329 apresentaram politraumatismos. Em 2025, o estado contabilizou 14.910 ocorrências nesse recorte, sendo 13.187 fraturas e 1.723 politraumatismos.