Após 1 ano de concessão, parques do Recife esperam intervenções prometidas, mas cobram estacionamento
Na manhã desta quinta (9), os parques de Apipucos e Dona Lindu começaram a cobrar estacionamento com tarifa a partir de R$ 12; equipamentos ainda aguardam intervenções prometidas por concessionária
Publicado: 10/04/2026 às 07:59
Mobiliário do Dona Lindu apresenta equipamentos quebrados e enferrujados (Marília Parente/DP )
Os Parques de Apipucos, na Zona Norte do Recife, e Dona Lindu, na Zona Sul, passaram a cobrar, desde quinta (9), estacionamento com tarifa a partir de R$ 12. A medida acontece há pouco mais de um ano da concessão que cedeu a administração dos espaços públicos à Viva do Brasil por 30 anos. Até o momento, contudo, a maior parte das intervenções prometidas pela empresa ainda não saíram do papel.
No ano passado, em entrevista ao Diario de Pernambuco, um dos sócios da empresa, Daniel Silvany, disse que pretendia incluir 900m² de novas árvores no Parque Dona Lindu. A medida atenderia a uma demanda histórica dos moradores da área por mais área.
O projeto de concessão também inclui a construção de novos canteiros no parque, além de construção de skate park com área coberta, novos quiosques padronizados e reforma e ampliação do parque infantil, que também ganharia uma cobertura. Apesar disso, o que ainda se vê no local é a permanência do antigo mobiliário da prefeitura.
“Eu estava brincando com minha neta e um dos equipamentos estava quebrado. Outros, a gente vê que estão enferrujados. Dava para consertar e pintar”, afirma a contadora Antônia Lucena.
Frequentadora do parque, ela também cobra maior organização dos quiosques existentes, que ainda não correspondem aos modelos apresentados pelo projeto. “Poderia ser feita uma praça de alimentação ou que organizasse melhor essas estruturas”, diz.
Por outro lado, ela reconhece que a vigilância privada e a nova iluminação aumentaram a sensação de segurança do equipamento público. “Colocaram mais grama e no final de semana tem umas feirinhas”, elogia.
Outro usuário assíduo do Dona Lindu, o aposentado Josebias Bandeira reclama da pouca arborização do parque. “A gente senta nos bancos, mas fica no sol. Esses bancos, que são poucos, ainda são os antigos e, ficam muito concorridos no final de semana. A gente precisa correr pra conseguir um lugar”, pontua.
Apipucos
Durante os estudos para a concessão do Parque de Apipucos, a Viva do Brasil concluiu que o equipamento ainda não tinha uma vocação clara. Por esse motivo, os empresários resolveram apostar em uma estrutura que funcionasse em torno do acesso à cultura, a partir da construção de um cinema a céu aberto.
Atenta à Área de Proteção Ambiental (APA) que margeia o parque, a empresa também apresentou a proposta de construir uma torre de observação voltada para a floresta, bem como uma arquibancada natural que aproveitasse a geografia do espaço, dando para uma tela de cinema ou, em determinadas ocasiões, shows e espetáculos.
As sessões de cinema têm acontecido regularmente, mas, por hora, não há construção de arquibancada conforme a que foi apresentada no projeto. O público vem sendo acomodado em cadeiras espalhadas pela grama.
A Viva do Brasil também tem disponibilizado o equipamento para eventos. Neste ano, o Parque de Apipucos já sediou o Festival de Sabores, uma feira de gastronomia, artesanato e variedades.