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Clínica no Recife integra estudo internacional que busca vacina contra sífilis

Unidade é a única do Brasil a coletar amostras para pesquisa genômica; doença segue em alta no país e no mundo

Adelmo Lucena

Publicado: 08/04/2026 às 22:03

Vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção contra diversas doenças/Foto: Freepik

Vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção contra diversas doenças (Foto: Freepik)

Uma clínica do Recife é atualmente a única unidade de saúde do Brasil a participar de um estudo internacional que busca avançar no desenvolvimento de uma vacina contra a sífilis. A Clínica do Homem integra o estudo, ainda em fase inicial, que reúne instituições de cinco países e tem como foco a análise genética da bactéria causadora da infecção.

Coordenado pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, o estudo também é realizado no Peru, Índia, Libéria e República Democrática do Congo. Na capital pernambucana, a iniciativa conta com a parceria do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), da Universidade de Pernambuco (UPE), e da organização responsável pela clínica.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum.

O estudo em andamento não envolve, neste momento, a criação direta de uma vacina. Trata-se de uma etapa pré-clínica que busca compreender as características genéticas da bactéria em diferentes regiões do mundo. A partir dessas informações, os pesquisadores pretendem identificar elementos que possam, no futuro, ser utilizados no desenvolvimento de um imunizante.

“Como a sífilis é causada por uma bactéria, desenvolver uma vacina é mais complexo do que para vírus. Esse é um estudo genômico, que analisa a epidemiologia genômica, ou seja, as características genéticas da bactéria em diferentes partes do mundo”, explica François Figueiroa, diretor médico da Clínica do Homem.

A participação brasileira é considerada estratégica nesse processo e a coleta de amostras no Recife permite incluir no estudo as características das bactérias que circulam no país, o que pode ser determinante para garantir a eficácia de uma eventual vacina em diferentes contextos.

A escolha da clínica como ponto de coleta está relacionada ao volume de atendimentos. A unidade registra um número elevado de diagnósticos de sífilis, especialmente entre homens, público que, historicamente, apresenta maior dificuldade em buscar serviços de saúde para tratar infecções sexualmente transmissíveis.

Entre 2022 e 2025, mais de 4 mil casos foram diagnosticados na clínica. Apenas em 2025, foram mais de 1,2 mil registros.

Podem participar da pesquisa homens e pessoas trans com mais de 18 anos que apresentem lesões nos órgãos genitais, ânus ou boca, sintomas comuns da fase inicial da doença. Os voluntários passam por consulta, recebem tratamento e têm amostras coletadas para análise. A participação é voluntária, mediante consentimento, e não altera o atendimento oferecido, que segue normalmente mesmo para quem opta por não integrar o estudo.

A coleta envolve material das lesões e exames de sangue, em procedimentos considerados simples e sem riscos adicionais aos pacientes.

Sífilis

Dados da Organização Mundial da Saúde estimam cerca de 8 milhões de casos em 2022, entre pessoas de 15 a 49 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde registra aproximadamente 250 mil casos por ano, com maior concentração entre jovens.

Além dos impactos individuais, como a necessidade de tratamento e acompanhamento médico, a doença também apresenta riscos mais graves em gestantes, podendo ser transmitida ao bebê durante a gravidez, resultando na chamada sífilis congênita.

“É uma das doenças mais antigas que se conhece. Tem diagnóstico, tem cura, é tratável. No entanto, a prevalência é muito grande no mundo todo e, nos últimos anos, o número de casos tem aumentado”, destaca François Figueiroa.

A sífilis é transmitida principalmente por meio de relações sexuais sem proteção ou da mãe para o bebê durante a gestação. A prevenção inclui o uso de preservativos, e o tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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