Boa Viagem e Porto de Galinhas estão entre praias mais poluídas por bitucas de cigarro, diz estudo
Levatameno reúne dados de 130 estudos científicos e mostra que 17 países têm alta concentração de poluição por bitucas de cigarro
Publicado: 27/03/2026 às 16:28
Avanço do mar no Recife (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
Um levantamento internacional indica que duas praias pernambucanas figuram entre áreas críticas de poluição por bitucas de cigarro no país, evidenciando a presença desse tipo de resíduo em níveis considerados elevados. No Brasil, a praia mais contaminada com este tipo de resíduo é Boa Viagem, no Recife, com uma média de 8,85 bitucas por metro quadrado. Porto de Galinhas, em Ipojuca, aparece em terceiro lugar, com 1,57 bituca por metro quadrado.
A pesquisa, publicada na revista científica Environmental Chemistry Letters, analisou dados de 55 países entre 2013 e 2024 e identificou que o Brasil está entre os principais pontos de monitoramento e ocorrência de contaminação. Ao todo, 17 países apresentaram concentração crítica de poluição por filtros de cigarro, com maior descarte em praias. O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking.
Em escala mundial, o estudo revela que as bitucas de cigarro são o resíduo mais comum descartado no ambiente, com cerca de 4,5 trilhões de unidades lançadas anualmente em áreas urbanas e naturais.
A análise de 130 estudos científicos aponta uma densidade média global de 0,24 bitucas por metro quadrado, com grande variação entre regiões.
Além disso, as bitucas representam, em média, 12% de todo o lixo encontrado em ambientes aquáticos, podendo ultrapassar 50% em alguns países, o que mostra sua predominância entre os resíduos sólidos.
Os chamados “hotspots”, áreas com níveis extremamente elevados de contaminação, foram identificados em 17 países, com destaque para regiões da Ásia e da América Latina.
Praias são os ambientes mais afetados
O estudo indica que ambientes aquáticos, especialmente praias, concentram níveis mais altos de poluição do que áreas urbanas. Isso ocorre devido à intensa atividade recreativa, ao turismo e à maior exposição ao descarte inadequado.
No Brasil, além de Pernambuco, outras praias também apresentaram níveis elevados, como Santa Cruz dos Navegantes, no Guarujá, em São Paulo.
Impactos ambientais
Apesar de pequenas, as bitucas são classificadas como resíduos perigosos. Elas são compostas por filtros plásticos (acetato de celulose), papel, restos de tabaco e substâncias tóxicas, que podem contaminar o solo e a água.
Os pesquisadores destacam que esses resíduos funcionam como uma espécie de “bomba química”, liberando compostos nocivos de forma gradual no ambiente.
O levantamento também mostra que áreas ambientalmente protegidas apresentam níveis significativamente menores de poluição, cerca de cinco vezes menos do que áreas sem proteção.
Mesmo assim, essas regiões não estão livres do problema e também podem registrar níveis elevados em determinados casos, o que reforça a necessidade de políticas mais rígidas.
Os autores defendem que a poluição por bitucas exige ações integradas, como proibição de fumar em praias, responsabilização da indústria do tabaco, melhoria na gestão de resíduos e campanhas de conscientização.
O estudo também aponta lacunas de monitoramento em diversas regiões do mundo.
Confira o ranking dos países com praias mais poluídas por bitucas de cigarro:
- Irã: 38,32/m²
- Chile: 24,11/m²
- Tailândia: 13,30/m²
- Brasil: 8,85/m²
- Uruguai: 8,00/m²
- Alemanha: 5,10/m²
- Equador: 4,05/m²
- Indonésia: 3,32/m²
- Lituânia: 1,77/m²
- Bangladesh: 1,76/m²
- Tunísia: 1,29/m²
- Vietnã: 1,16/m²
- Sri Lanka: 1,10/m²
- Polônia: 1,09/m²
- Finlândia: 1,09/m²
- Letônia: 1,05/m²
- Índia: 0,87/m²