Líder dos "canibais de Garanhuns" alega cegueira irreversível e pede prisão domiciliar
Jorge Beltrão Negromonte da Silveira foi condenado pela morte de três mulheres; caso chocou o país
Publicado: 17/03/2026 às 18:32
Jorge Beltrão Negromonte da Silveira em julgamento dos "canibais de Garanhuns". (Annaclarice Almeida/Acervo DP)
O detento Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, condenado pelo homicídio de três mulheres no caso dos "canibais de Garanhuns", entrou na Justiça com um pedido de prisão domiciliar por motivo de saúde. No pedido, ele diz ter cegueira irreversível nos dois olhos e "demais limitações de saúde".
Atualmente, Jorge Beltrão cumpre pena no Presídio Policial Penal Leonardo Lago (PLL), no Complexo do Curado, Zona Oeste do Recife.
Um laudo médico juntado aos autos apontou que Jorge Beltrão se encontra estável e recebe acompanhamento clínico, psiquiátrico e psicológico na unidade. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) declarou que, apesar do laudo, é necessário "esclarecer se o estabelecimento possui condições materiais, estruturais e de pessoal para garantir atendimento integral e digno ao custodiado".
A manifestação do MPPE acrescenta que a Junta Multiprofissional da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) "encontra-se atualmente sem profissional médico para emissão de parecer".
A defesa tem alegado que o estado de saúde de Jorge Beltrão é bastante debilitado e que ele precisa da ajuda de outras pessoas para fazer ações básicas. Além disso, afirmam que a unidade não teria as condições adequadas para atendê-lo.
A defesa não quis se pronunciar oficialmente sobre o caso.
No último dia 4 de março, o juiz Evandro de Melo Cabral acolheu o parecer do MPPE. Na decisão, é mencionado que Jorge Beltão tem cegueira bilateral irreversível. Ele teria começado a perder a visão ao longo dos anos e agora não conseguiria mais enxergar.
O juiz intimou o presídio para que informe, detalhadamente, se possui condições para atender Jorge Beltrão, especialmente com relação a mobilidade, higiene, alimentação, segurança, administração de medicamentos e acompanhamento especializado compatível com o quadro de saúde.
Após o posicionamento da unidade prisional, o MPPE deverá emitir nova manifestação sobre o pedido de prisão domiciliar.
A reportagem procurou a Seap sobre as condições do PLL de atender às necessidades do preso. A pasta não respondeu.
Os canibais de Garanhuns
Jorge Beltrão foi condenado, juntamente com Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, pela morte de três mulheres, duas delas em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, e outra em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
A primeira condenação saiu em 2014, por assassinar, ocultar e vilipendiar o cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, crime ocorrido em 2008, em Olinda. Jorge Beltrão, apontado como líder do trio, recebeu uma pena de 23 anos de prisão. A pena foi aumentada para 28 anos e meio em 2019.
Em 2018, ocorreu o segundo julgamento, pelas mortes de Alexandra da Silva Falcão e Gisele Helena da Silva, em Garanhuns, no Agreste. O caso teve repercussão nacional pelo fato do trio de acusados, após o crime, terem comercializado empadas com carne humana.
Jorge Beltrão foi condenado a 71 anos de reclusão, sendo 54 por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio insidioso ou cruel e uso de recurso que dificuldade ou torne impossível a defesa da vítima); 9 anos por ocultação e vilipêndio de cadáver; 5 anos por furto qualificado; e 3 anos por estelionato.
No ano passado, Jorge Beltrão voltou a ser notícia após circular nas redes sociais um vídeo em que ele é apresentado como pastor em uma unidade prisional.
"Um dia, um missionário me disse que Deus tinha uma coisa para mim e que eu iria começar a trabalhar para Deus", diz ele no vídeo.