Feminicídio em alta expõe gargalos do combate à violência contra as mulheres
Pernambuco registrou 17 feminicídios somente nos dois primeiros meses de 2028
Publicado: 12/03/2026 às 20:14
Violência contra a mulher (Foto: JOÉDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL)
Pernambuco registra, hoje, 1,4 mil agressores domésticos utilizando tornozeleiras eletrônicas, dentro das ações que fazem parte do conjunto de medidas protetivas que são determinadas nesses casos. No entanto, apenas 607 unidades portáteis de rastreamento (também conhecidas como botão do pânico) – permitindo que essas vítimas possam acionar a polícia, caso o agressor se aproxime delas - foram distribuídas. Os números mostram alguns dos gargalos existentes na política de defesa das mulheres no estado.
Além disso, somente entre janeiro e fevereiro deste ano, 17 feminicídios foram registrados no estado. Ainda de acordo com a Secretaria de Defesa Social, 3.957 mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar apenas em janeiro de 2026. Diante desse quadro, uma força tarefa para combater feminicídios e agressões contra mulheres foi lançada, nesta quinta-feira (12), pela SDS que, inclusive, reconhece outros problemas nesse combate.
Uma das metas do grupo, por exemplo, será o de avaliar o tempo de resposta das instituições em situações envolvendo violência doméstica familiar. Entre os pontos analisados estão o prazo para solicitação de medidas protetivas pela Polícia Civil, o tempo de implementação dessas decisões pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar e a produção de perícias pela Polícia Científica.
De acordo com a com a secretária executiva de Defesa Social, Mariana Cavalcanti, a iniciativa tem como objetivo monitorar e aprimorar os procedimentos adotados pelas forças de segurança no atendimento às vítimas. “É uma forma de monitorar como estamos fazendo nossas entregas, quanto tempo demora para implementar uma medida protetiva ou produzir uma perícia. A ideia é melhorar os fluxos internos e dar respostas mais rápidas às vítimas”, afirmou.
A delegada Andreza Gregório, assessora do Departamento de Polícia da Mulher (Depemol), explicou que a força-tarefa também pretende fortalecer o atendimento nas delegacias e aprimorar o encaminhamento das vítimas para a rede de proteção. “Estamos no início de uma discussão para traçar o planejamento das ações. A ideia é reforçar nossas unidades, melhorar o atendimento e o fluxo entre os organismos de segurança, Justiça e os demais integrantes da rede de enfrentamento”, disse.
Andreza destacou que as mulheres devem procurar ajuda ao primeiro sinal de violência. “Seja física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual, qualquer tipo de violência deve ser denunciado para que possamos solicitar medidas de proteção e encaminhar o caso à
Justiça”. A Polícia Militar também participa da força-tarefa por meio do reforço das ações da Patrulha Maria da Penha, responsável por acompanhar mulheres que possuem medidas protetivas.
Os números seguem uma tendência de alta observada no ano passado. Antes do fim de 2025, o estado já havia registrado 82 feminicídios entre janeiro e novembro, número superior ao total de 76 casos contabilizados em 2024, um aumento de 20,5%.