Recife celebra Terça Negra Especial de carnaval com rap, afoxé, maracatu e mais
Evento reuniu dezenas de amantes do carnaval no Pátio São Pedro para apresentações e manifestação da cultura negra do estado
Publicado: 27/01/2026 às 21:22
Recife celebra Terça Negra Especial de carnaval (Foto: Karol Rodrigues/DP)
O Pátio de São Pedro, no Centro do Recife, recebeu nesta terça-feira (27) mais uma edição do Terça Negra Especial de Carnaval, iniciativa que reúne manifestações artísticas ligadas à cultura afro-pernambucana. A programação teve início às 19h e contou com cinco atrações que transitam entre o maracatu, o afoxé e o rap.
Subiram ao palco nesta primeira noite, o DJ Baloo, responsável pela abertura do evento, seguido por apresentações de Okado do Canal, Caetana, Afoxé Ilê de Egbá e do grupo Edún Àrá Sangô. A proposta do projeto é valorizar a diversidade de linguagens da cultura negra em Pernambuco, reunindo artistas de diferentes trajetórias e estilos.
O Terça Negra é realizado por meio de uma parceria entre o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Prefeitura do Recife, com o objetivo de fortalecer a presença das expressões afro-brasileiras no calendário cultural da cidade e promover reflexões sobre sua influência nas artes locais. Ao longo do carnaval 2026, o projeto ainda promove mais duas edições, marcadas para os dias 3 e 10 de fevereiro, somando 15 atrações ao todo.
Na programação desta terça-feira, o Afoxé Ilê de Egbá celebrou quatro décadas de trajetória, misturando o ritmo ijexá a influências da cultura yorubá. Para Alexandre Silva, coordenador do grupo, o momento simboliza reencontro e resistência. “A apresentação de hoje é muito especial para nós. Estamos retornando após uma pandemia que não foi nada fácil. Participar novamente da Terça Negra, justamente quando o grupo completa 40 anos de existência, é motivo de muita honra. É trazer tudo isso para essa galera que gosta da cultura popular, do underground, do movimento em si. Essa é a importância de estarmos aqui hoje na Terça Negra”, destaca Alexandre.
A noite também destacou o rap de Okado do Canal, a força ancestral do grupo Edún Àrá Sangô, que apresenta repertório autoral inspirado em tradições afro-brasileiras, e a cantora Caetana, artista trans que utiliza a música como ferramenta de valorização do cancioneiro nordestino e de enfrentamento ao preconceito.
A recepcionista Mirtes Alexandrino, de 42 anos, levou os dois filhos para assistir às apresentações da Terça Negra. “Ela é de suma importância para a resistência e o fortalecimento da cultura negra. As bandas do Recife e de Olinda merecem respeito, reconhecimento e respaldo. Esse é um dos poucos espaços onde a gente consegue mostrar nossa centralidade, nossa negritude e tudo o que temos para viver e expressar”, afirma.