João Campos se pronuncia sobre monitoramento de secretário: "não vai passar impune
Secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, foi monitorado por três meses pela Polícia Civil do estado
Publicado: 26/01/2026 às 21:52
Prefeito do Recife, João Campos, em entrevista ao Diario de Pernambuco (Foto: Francisco Silva/DP Foto)
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), se pronunciou na noite desta segunda-feira (26), sobre a denúncia de que o secretário Gustavo Queiroz Monteiro, chefe de articulação política e social da Prefeitura do Recife, estaria sendo "espionado" pela Polícia Civil. A denúncia foi veiculada no domingo (25) pela TV Record.
“O que está em jogo não é a polícia investigar, mas fazer isso da forma certa. Eu não tolero corrupção, mas também não tolero perseguição”, afirmou o gestor municipal.
A Polícia Civil confirmou que houve monitoramento e informou que a apuração teve início a partir de uma denúncia de suposto recebimento de propina por parte de Monteiro. Segundo a corporação, o foco da investigação era um veículo da frota da Prefeitura do Recife utilizado pelo secretário.
“Foi revelado que inquéritos foram desarquivados por interesse eleitoral. Perseguições sem ordem judicial, sem inquérito, sem boletim de ocorrência, sem nenhuma formalidade. Rastreador sendo colocado em carro oficial da prefeitura sem ordem judicial. Isso é criminoso. Isso é um absurdo”, diz João Campos na gravação.
O prefeito do Recife questionou quem seria o mandante das ordens da possível espionagem e exigiu a formalidade do arquivamento do caso, anunciada pelo secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho.
“Quem está dando essas ordens? É interesse de quem? Será que iam tentando construir provas falsas, uma realidade que não existe, para incriminar pessoas inocentes? Até porque, depois que saiu a notícia, a SDS disse que o caso foi arquivado e que nada foi encontrado. Cadê a formalidade disso tudo? Porque na polícia e na política não vale tudo, não. Tem regra, tem lei, e elas têm que ser cumpridas por todo mundo”, exigiu.
De acordo com o governo, a suspeita surgiu após uma denúncia anônima que relatava o uso de um veículo oficial por um servidor municipal em um possível esquema ilícito.
A denúncia aponta ainda a existência de um grupo no WhatsApp, com participação de policiais civis, no qual agentes e delegados trocavam informações sobre a rotina do secretário. A Secretaria de Defesa Social (SDS) confirmou a existência do grupo, chamado “Nova Missão”.
Conforme o relato, o carro da frota da prefeitura utilizado pelo secretário Gustavo Monteiro era acompanhado desde o momento em que ele saía de casa até o retorno à noite. O prefeito do Recife criticou o monitoramento.
“Aí vem uma ação absurda como essa: três delegados e sete agentes, num grupo informal de WhatsApp. Quem deu a ordem para formar esse grupo? Para tomar essas medidas ilegais e criminosas? Isso não está certo. Isso é ilegal. Isso é imoral. E isso não começou agora”, afirma o prefeito no vídeo.
Campos destacou que a situação não passará “impune” e que “não vale tudo para disputar uma eleição”.
“E eu quero dizer a vocês que vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça brasileira, porque isso não vai passar impune. A democracia brasileira não permite, nem permitirá, nenhum arroba autoritário”, complementa João Campos.
Denúncia anônima
Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa Social de Pernambuco afirmou que determinou a abertura da investigação após a SDS receber um documento contendo imagens do secretário, do irmão dele e do veículo em um estacionamento. O material chegou de forma anônima, segundo o Alessandro Carvalho.
No texto da denúncia, Gustavo Monteiro é descrito como “braço direito do prefeito”, amigo de faculdade e responsável pela arrecadação e distribuição de recursos financeiros. O documento afirma ainda que ele coordenaria um suposto esquema de arrecadação de propina e delegaria a execução aos irmãos.
Já Eduardo Monteiro é apontado como alguém ligado ao gabinete do prefeito, descrito no documento como “conhecido e temido por fornecedores”, e que atuaria na cobrança de propina em diversas secretarias, inclusive com suposta manipulação de licitações para favorecer empresas.
A denúncia afirma que Eduardo Monteiro receberia pagamentos em dinheiro em estacionamentos de shoppings, com percentuais entre 4% e 5% do faturamento mensal de fornecedores da prefeitura.
O texto acrescenta que, caso o pagamento não fosse feito em determinado mês, haveria bloqueio dos repasses no mês seguinte. O documento também menciona cobranças entre 30% e 50% sobre valores a receber ou pendências decorrentes de reequilíbrios contratuais.
Ainda segundo a denúncia, fornecedores que atuaram em eventos, como o carnaval, seriam obrigados a pagar entre 5% e 10%, o que teria levado empresas terceirizadas a dificuldades financeiras, por conta de cobranças consideradas incompatíveis com os faturamentos.
O pai de Gustavo e Eduardo, Henrique Monteiro, também é citado no documento, como alguém que teria atuado com a mesma finalidade na Secretaria de Saúde e que já teria operado na Secretaria de Cultura do Recife.
Por fim, a denúncia aponta que empresas ligadas a Romero Jatobá, pai do vereador Romerinho Jatobá (PSB), presidente da Câmara Municipal, seriam exceções à suposta cobrança de propina, com alegação de favorecimento desde a licitação até a contratação de funcionários.