Denúncia de "espionagem": deputados de oposição a Raquel Lyra questionam ações da polícia
Parlamentares usaram redes sociais, nesta segunda (26), para repercutir as denúncias de "espionagem" contra integrantes da gestão de João Campos (PSB)
Publicado: 26/01/2026 às 13:36
O presidente da Alepe, Álvaro Porto, enviou projetos da governadora Raquel Lyra à procuradoria da Casa. (Guilherme Anjos/Diario de Pernambuco)
Deputados federais e estaduais de oposição a Raquel Lyra se posicionaram, nesta segunda (26), nas redes sociais após a repercussão da denúncia de “espionagem” contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, e seu irmão Eduardo Monteiro, assessor municipal da gestão de João Campos (PSB), principal adversário da governadora.
A informação foi divulgada pela TV Record, no domingo (25).
Segundo a reportagem, agentes da Polícia Civil teriam monitorarado a rotina do secretário e chegaram a instalar um rastreador em um veículo da prefeitura.
Em uma coletiva de imprensa para tratar do assunto, o secretário de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), Alessandro de Carvalho, disse que é "falsa a narrativa de espionagem”.
A deputada federal Maria Arraes (Solidariedade) questionou “quem teria dado ordem para que a Polícia Civil de Pernambuco espionasse adversários políticos da atual gestão do governo do estado”.
“A Polícia Civil, que deveria estar investigando crimes e protegendo a população, está sendo utilizada para coletar informações e perseguir adversários políticos, sem qualquer ordem judicial. O que estamos vendo lembra práticas da ditadura e o mesmo tipo de atuação da chamada Abin (Agência Brasileira de Informações) paralela do governo Bolsonaro”, declarou a parlamentar.
Líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Cayo Albino (PSB), também questionou, em suas redes sociais, quem teria dado a ordem para a suposta espionagem.
“Não vamos aceitar que a força policial seja utilizada como instrumento de perseguição política. Quem exerce poder deve responder pelos seus atos, sempre dentro da lei e com respeito às instituições”, escreveu o parlamentar.
Albino ainda afirmou que o estado “merece transparência, respeito ao Estado de democrático de Direito e assegurar a proteção de quem pensa diferente”.
Além dele, o deputado estadual Waldemar Borges (MDB) compartilhou um artigo intitulado “A História Ensina”. No texto, o parlamentar critica a suposta “polícia paralela” e faz um paralelo histórico entre o uso político das forças de segurança e regimes totalitários.
“É irônico e triste perceber que nosso próprio estado, cenário de O Agente Secreto, ainda abriga situações parecidas às denunciadas nas telas, provando que o autoritarismo que pensávamos ter ficado no passado insiste em se fazer presente”, escreve o deputado.
O Diario de Pernambuco procurou a líder do governo na Alepe, Socorro Pimentel, a deputada Débora Almeida e o diretório do PSD, partido da governadora, e aguarda retorno.