Vídeo atribuído à facção Okaida mostra homens armados em Goiana
Imagens circularam nas redes sociais e são analisadas pelas forças de segurança
Publicado: 19/01/2026 às 23:02
Muros são pichados em Goiana com nome da facção "Okaida" (Foto: Reprodução/Instagram)
Um vídeo que circula nas redes sociais com supostos integrantes da facção criminosa Okaida nas ruas do distrito de Tejucupapo, no município de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, ganhou repercussão nesta semana. Na gravação, um homem aparece armado disparando para o alto, enquanto outras pessoas aparecem correndo pelas ruas.
Informações preliminares indicam que na localidade há disputa entre facções, ligada à tomada de pontos estratégicos de venda de drogas.
Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) informou que o caso está sendo tratado como “prioridade, com atuação integrada de suas operativas”, incluindo reforço no policiamento ostensivo por meio do 27º Batalhão da Polícia Militar, além de ações estratégicas das forças de segurança pública.”
Já a Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia Seccional de Goiana (11ª DESEC), instaurou inquérito policial para apurar todas as circunstâncias do caso. A Polícia Militar reforçou que a população deve registrar a ocorrência no momento do crime, por meio do 190. “A Corporação orienta, ainda, o registro do boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, contribuindo para o fortalecimento das estratégias de segurança na área”, diz a nota.
Facção Okaida
Segundo informações da inteligência da Polícia Civil da Paraíba, a facção Okaida surgiu entre 2005 e 2006, dentro do sistema prisional do estado, a partir da articulação de detentos liderados por chefes que estruturaram uma organização hierárquica voltada à prática de crimes.
Nos primeiros anos de atuação, a Okaida firmou uma aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção com origem em São Paulo, com o objetivo de garantir o fornecimento de drogas para distribuição no estado. A parceria, no entanto, foi desfeita em 2010, após conflitos internos entre os dois grupos, que culminaram em uma série de homicídios em João Pessoa, especialmente no bairro São José.
Após o rompimento com o PCC, a Okaida passou a se aproximar do Comando Vermelho e também do Sindicato do Crime (SDC), facção do Rio Grande do Norte alinhada ao CV. Esse novo arranjo contribuiu para a expansão da influência do grupo no estado.
As disputas internas levaram a uma cisão, que resultou no surgimento de uma facção dissidente, batizada de Okaida RB. O grupo foi liderado por Robson Machado de Lima, conhecido como Ró Psicopata, e José Roberto Batista dos Santos, o Betinho, cujas iniciais deram nome à nova organização.
A dissidência, no entanto, teve curta duração. Em um período posterior, Ró Psicopata tentou reaproximação com o Comando Vermelho, negociando com lideranças como Marcinho VP e Elias Maluco, o que gerou insatisfação entre integrantes da facção. Como resultado, Ró e Betinho foram destituídos do comando e, em meados de 2019, o grupo passou a se chamar Nova Okaida, sob a liderança de Francinaldo Barbosa de Oliveira, conhecido como Vaqueirinho.
Em 2024, as polícias Civil e Militar de Pernambuco realizaram a Operação Maré Alta, mirando integrantes da Nova Okaida. O grupo estaria envolvido em cerca de 20 homicídios e em casos de tortura em Goiana, na Mata Norte.