Usuários se queixam de aumento na passagem de ônibus no Grande Recife
Bilhete Único passa a valer R$ 4,47 em fevereiro após aprovação do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM
Publicado: 15/01/2026 às 18:53
Passageiros embarcam em ônibus no Cais Santa Rita (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
Insegurança, falta de estrutura nos ônibus, longas esperas e ausência de ar-condicionado são os principais argumentos dos passageiros que discordam com o aumento de 4,46% no Bilhete Único do Grande Recife. As tarifas passam a custar R$ 4,47, a partir de 1º de fevereiro.
O Diario de Pernambuco esteve em um dos principais terminais de ônibus da capital, o Cais Santa Rita, para saber a opinião dos usuários sobre o reajuste, aprovado pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) nesta quinta-feira (15). O aumento, segundo a proposta do governo, seguiu a inflação, tendo como base o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado entre dezembro de 2024 e novembro de 2025.
O aumento foi alvo de protestos durante a votação do Conselho e já é de consciência dos usuários. A servidora pública Joice Santos, de 35 anos, mora no Recife e embarca em quatro ônibus todos os dias para trabalhar e retornar para casa. São mais de duas horas somente em um dos percursos.
“Além de caro, a questão do orçamento para o passageiro não bate. A estrutura do ônibus não oferece o que cobra. Eu acho que a pior parte é essa, porque quando você tem retorno no que se paga, é válido. Mas a gente não tem. Tem insegurança, são os ônibus terríveis, não tem ar-condicionado, tudo quebrado. Tudo bem que não se quebra sozinho, a comunidade, realmente tem boa parte da culpa nisso. Se a gente paga, o que poderia ser feito, no mínimo, era consertar”, afirma.
A aprovação para aumentar o custo do Bilhete Único acontece durante o verão e as queixas sobre calor e ausência de ar-condicionado não são poucas. Por volta das 16h, o sol ainda castiga os passageiros que formam longas filas no Cais Santa Rita.
“Nos ônibus não tem ar-condicionado. É só calor, muita gente, aglomeração. Gasto mais de R$ 200 por mês com transporte público e eu poderia usar esse dinheiro em um ônibus que valesse a pena. Eu acho que o pagamento tinha que ser uma coisa justa. Penso em ter meu próprio veículo, todo mundo pensa, mas não tem condições”, relata a cuidadora Karina Valesca, de 38 anos, que se desloca diariamente da Guabiraba, na Zona Norte, para Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
Também aguardando o ônibus debaixo do sol, o servidor público Ednaldo Cunha, de 29 anos, acredita que o Bilhete Único não deveria custar R$ 4.47. “Se tem aumento, mas só tem um motorista fazendo a função de cobrador, isso já é um fato que complica a situação e que causa a sobrecarga do trabalhador. Esse valor não cabe se tem problema de mobilidade urbana, se falta segurança e infraestrutura com conforto para o usuário. Nem o ar-condicionado que é liberado não está sendo implementado. Então não vale a pena”, observa.
Outra usuária que também utiliza o ônibus para ir ao trabalho é Marília Batista. Para ela, há uma deficiência no número de veículos para atender a população. “Aumenta a passagem e não aumenta o número de ônibus. Faltam melhorias. Eu sempre pego o ônibus cheio, lotado, pago caro e isso não acompanha o salário. A gente acaba gastando mais e não tendo uma boa qualidade de transporte. Eu passo mais ou menos 40 minutos esperando cada ônibus”, conta.
Aumento na passagem de ônibus
Segundo a proposta do governo, o reajuste seguiu a inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre dezembro de 2024 e novembro de 2025.
A decisão foi tomada após mais de seis horas de reunião virtual do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM). Dos 23 conselheiros presentes, 15 votaram a favor do aumento, cinco se posicionaram contra e três se abstiveram, garantindo a aprovação por maioria.
Enquanto o colegiado discutia temas relacionados ao transporte público, um grupo de jovens se reuniu no Centro do Recife para protestar contra o reajuste, que vinha sendo cogitado desde o início da semana.
O novo valor da tarifa ainda passará por arredondamento técnico da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe).
Em 2025, o Bilhete Único — que unificou os Anéis A e B e é a tarifa mais utilizada na Região Metropolitana do Recife — teve reajuste de 4,2%, passando de R$ 4,10 para R$ 4,30.
O CSTM é formado por representantes do poder público, da sociedade civil, das empresas de transporte e de sindicatos. Tradicionalmente, as propostas do governo estadual são aprovadas pelo colegiado.
Representante dos usuários no conselho, o advogado Pedro Josephi afirmou que pretende recorrer à Justiça. Segundo ele, prazos regimentais para a apresentação da proposta de reajuste não teriam sido cumpridos pelo governo.